Indústria

Vaping. “Casos nos EUA são preocupantes, porque poderiam ter sido evitados”

Yanick Girault, country manager da JTI Portugal
Yanick Girault, country manager da JTI Portugal

Dona da Camel lança em novembro a Logic Compact, um produto de vaping. Yanick Girault, country manager da JTI Portugal comenta os receios

É a segunda marca de vaping a anunciar a entrada no mercado nacional e tem uma meta: quer ser líder.

A garantia é de Yanick Girault, country manager da JTI Portugal, empresa que a partir de 4 de novembro avança com a comercialização da Logic Compact, o seu produto de vaping. Em Portugal a categoria não existe, mas o responsável admite que possa vir a representar até 25% do mercado total de consumo de tabaco.

Este ano a companhia, dona de marcas como a Winston e a Camel, estima fechar com uma quota de 17%, com um crescimento de 3% no volume de cigarros.

É o segundo produto de vaping a chegar a Portugal, depois do anúncio da Juul. O que torna o mercado português tão atrativo para este produto?

O Juul vai ainda entrar em Portugal. Quando existe concorrência é uma boa notícia, significa que temos uma boa análise dos consumidores portugueses. Queremos dar aos consumidores portugueses liberdade de escolha entre os diferentes tipos de produtos. Neste momento, não existe a categoria de vaping com nicotina líquida em Portugal e queremos entrar, criar e liderar esta categoria a longo prazo.

Qual é o fator diferenciador face à concorrência?

O Logic Compact vai ser lançado a 4 de novembro no retalho em Portugal, numa primeira fase em mil pontos de venda na Grande Lisboa e Grande Porto e, durante 2020, vamos estender ao território nacional, em cerca de 4 mil pontos de venda. O nosso produto, se pudesse resumi-lo em três coisas, é sabor, design e simplicidade de utilização. A nossa diferença é a qualidade do produto, todo o processo de controlo que temos por trás do mesmo: todos os líquidos são produzidos na União Europeia, com uma qualidade garantida. A bateria é a mais poderosa no mercado a nível mundial, a potência é mais elevada, o que significa que o sabor do produto é mais intenso, dura toda o dia e pode ser totalmente recarregada totalmente em 75 minutos. Vamos entrar com um aparelho com duas cores (cinzento e rosa) e quatro sabores: tabaco, mentol, morango e hortelão e bagas, com duas 12 mg/ml e 18mg/ml de nicotina.

Estará à venda na rede de retalho. E nas máquinas automáticas?

Esta categoria é nova em Portugal e, por isso, fazemos um lançamento com fases. Esta primeira é com os retalhistas que já distribuem os nossos produtos de tabaco, vai-nos permitir dar um nível de informação muito alto aos consumidores e aos retalhistas e retirar as aprendizagens de quais as preferências dos consumidores. Depois veremos o que vamos fazer em termos de máquinas automáticas. De momento, não vamos usá-las. Numa segunda ou terceira fase, quando estendermos a nível nacional, pode ser.

Querem liderar esta nova categoria em Portugal. O que pode vir a representar no mercado nacional? A quem se dirigem?

O que queremos é dar liberdade de escolha aos fumadores adultos, é muito claro, que só queremos falar com estas pessoas que já fumam. A nível mundial esta categoria representa apenas 4% do mercado total, mas, se olharmos aos países líderes nesta categoria, como Japão, Reino Unido e os EUA, já perto de 25% dos consumidores são ou só vapers ou vapers e fumadores de tabaco tradicional. O potencial é isto: 25% dos fumadores puderem mudar para este tipo de proposta.

Mas o que pensa que será o mercado português? Mais próximo dos 4% ou dos 25%?

Vai ser um processo. Portugal é o 20.º país onde lançamos o Logic, produto que vai estar presente em 30 países antes do fim do ano. Lançamos em Portugal porque os fumadores portugueses procuram inovação e modernidade, a longo prazo esta categoria vai desenvolver muito, se calhar até 25%, só o futuro dirá.

Estão no negócio do vaping já há vários anos e têm tabaco aquecido.

O primeiro produto de vaping foi lançado no Japão em 2010, foram feitos muitos desenvolvimentos internos, e passados estes anos temos duas marcas, a Plumm para tabaco aquecido, presente no Japão e Coreia do Sul, e a outra marca de e-vaping, o Logic, presente em 20 países.

Não faria sentido trazer a marca de tabaco aquecido para Portugal? A Tabaqueira tem a iQos.

É algo que estamos a olhar, obviamente, a razão pela qual vimos com a Logic é para dar uma escolha ao consumidor em Portugal, queremos trazer o melhor da qualidade controlada aos consumidores.

Nos EUA o vaping tem gerado muita controvérsia, há muitas preocupações de saúde, alertas para os efeitos nocivos desta opção de fumo. Como comenta?

É um tema muito importante. Os casos reportados recentemente nos EUA são preocupantes, especialmente porque poderiam ter sido evitados. As investigações iniciais sugerem que muitos dos consumidores afetados admitem uma história de vaping com produtos que contêm óleo de canábis (THC) ou azeite de vitamina E, um produto que contém canábis. O nosso produto Logic não contém nenhuma destas substâncias e só usamos ingredientes controlados. O melhor para a saúde é muito claro: é deixar de fumar ou ‘vaipar’. Em Portugal, a regulação nesta categoria é muito boa, apoiamos esta regulação e queremos cumprir.

Não receia que estes casos levem a uma rejeição do vosso produto?

É um risco que as pessoas misturem as situações, com todas as notícias no mercado. Nos EUA, potenciado dos media, a informação foi muito emotiva, mas depois as análises concluímos que estas pessoas estavam a consumir produtos com canábis que não é uma substancia que não é neutra. No Reino Unido, as autoridades de saúde claramente defendem a categoria do vaping porque é uma categoria ao fumo tradicional.

Como está o desempenho do negócio da TJI Portugal?

O negócio para nós está a crescer. Somos a companhia que cresce mais rapidamente no mercado do tabaco em Portugal. Estimamos fechar o ano com 17% de quota de mercado, o que é um crescimento em volume para JTI de 3%.

Mesmo com os impostos?

Mesmo com os impostos. Os impostos são normais no tabaco, faz parte do negócio. Há mais impostos sobre o tabaco de enrolar, podemos ter uma conversa com as autoridades sobre isto, porque é uma situação única na Europa onde o tabaco de enrolar tem mais impostos.

Seria algo que gostariam de ver corrigido no próximo OE?

O futuro vai dizer. Só temos secretário de Estado desde terça-feira é difícil dizer hoje.

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