Mobilidade Elétrica

Veeco. O veículo elétrico 100% made in Portugal no mercado este ano

O Veeco não é um carro, nem é um motociclo. É um triciclo elétrico que pode andar nas autoestradas e atingir 160km/h.
O Veeco não é um carro, nem é um motociclo. É um triciclo elétrico que pode andar nas autoestradas e atingir 160km/h.

A série terá apenas 200 veículos, com um preço final a anunciar daqui a uns meses, mas que “deverá rondar os 25 mil a 30 mil euros, antes de impostos”

Inicia-se no final deste verão a produção da primeira série do Veeco, o veículo elétrico de elevada eficiência 100% made in Portugal . A série terá apenas 200 veículos, com um preço final a anunciar daqui a uns meses, mas que “deverá rondar os 25 mil a 30 mil euros, antes de impostos, consoante a versão”, segundo o mentor do projeto, João Oliveira.

“Só vamos produzir por encomenda e só vamos aceitar encomendas quando conseguirmos garantir um prazo de entrega aceitável, nunca superior a três meses. Há marcas que têm encomendas com prazo de entrega a um ano, mas não queremos meter-nos nisso”, explicou o engenheiro mecânico do Entroncamento, atualmente a acompanhar a montagem final dos primeiros dez veículos que servirão para testes, exposições e demonstração para os cinco parceiros do consórcio.

“Já fico feliz, este ano, se ainda produzimos os primeiros 50 e começarmos a vê-los nas nossas estradas”, confessou o engenheiro mecânico do Entroncamento que iniciou o projeto há oito anos.

A VE – Veículos de Tração Elétrica, de João Oliveira, é um dos acionistas do consórcio que vai produzir o Veeco, ao qual se juntam a Fibrauto, empresa de Vila Nova de Gaia onde está a ser montado o veículo, a NCP – Fabrico de Produtos Metálicos, empresa de Aveiro especialista em soldadoras e corte a laser, a empresa catalã de eletrónica Varelec e a ERT Têxtil Portugal, especialista em interiores de automóveis.

“Os cinco parceiros disponibilizam o seu know-how e os funcionários para a montagem do veículo nesta fase. Só quando a produção atingir uma velocidade cruzeiro poderemos pensar em contratar pessoal exclusivo para o Veeco”, revelou João Oliveira.

Depois de três anos de desenvolvimento, em parceria de João Oliveira com o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa e com o design do arquiteto Pedro Almeida, o primeiro protótipo do Veeco foi apoiado pelo QREN em 2009 e apresentado em fevereiro de 2012. De lá para cá, “o projeto andou devagar, devagarinho, porque a crise dificultou a obtenção de financiamento (e continua aberto à entrada de mais investidores)” e só o desenvolvimento do protótipo custou mais de 1,5 milhões de euros, mas entretanto foi melhorando o produto final.

“Já conseguimos importantes melhorias a nível dos materiais utilizados, a nível de aços e de fibras de carbono, e mesmo a nível de design há alguns retoques”, desvendou João Oliveira. “Com isso, o Veeco ficou mais leve e isso pode melhorar ligeiramente as performances , embora já fossem, como se sabe, muito boas”, explicou o responsável.
A autonomia que pode chegar aos 400 km é um dos pontos fortes do veículo português que está homologado como motociclo em Portugal – portanto, pode ser conduzido a partir dos 16 anos – , mas pode andar em autoestrada e chega a atingir uma velocidade de 160 km/hora.

“A autonomia depende sempre do consumo, mas o Veeco tem vantagem sobre outros veículos elétricos porque tem três rodas, é mais leve, é mais aerodinâmico, é mais eficiente a nível da transmissão e por isso é que dizemos que é um veículo de elevada eficiência”, descreveu.

Apesar do preço inicial elevado, o Veeco “não tem praticamente custos de manutenção”, à semelhança de outros veículos elétricos, e as baterias de longa duração (10 anos) estão incluídas no preço. Noutros tipos de veículos elétricos disponíveis no mercado nacional, as baterias não são geralmente vendidas com o veículo – os utilizadores são obrigados a pagar um aluguer mensal entre os 50 e os 79 euros, consoante a marca. O carregamento das baterias pode ser completamente gratuito, num dos mais de 1300 postos de carregamento públicos da rede Mobi.e, ou pode ser feito em casa. Em tarifário bi-horário económico, 1€ de eletricidade permitirá ao Veeco andar cerca de 100 km.

Nissan, Mercedes, Renault, Opel, Peugeot e VW são as marcas que comercializam modelos exclusivamente elétricos em Portugal, a preços a partir de cerca de 15 mil euros. No ano passado, vendeu-se um número recorde de veículos elétricos em Portugal: 1305, mais 360% do que em 2014 e mais do que nos quatro anos anteriores juntos (950). Esse aumento refletiu o regresso dos incentivos à aquisição de carros elétricos, no valor de 4500 euros com isenção de pagamento do selo e do imposto sobre veículos, podendo as empresas deduzir a compra no IVA e IRC. Este ano, o valor do incentivo desceu para 2250 euros e, em 2017, tornará a descer para 1125 euros, obrigando sempre à entrega para abate de um carro a gasolina ou a gasóleo com mais de dez anos.

Nenhum dos incentivos será aplicável ao Veeco, uma vez que se trata de um veículo único – parece um carro, mas é um motociclo. Mas o pormenor de o comprador poder escolher a cor e os acabamentos interiores serem inteiramente personalizáveis devido à pequena série de produção, tornará o veículo desportivo especialmente apetecível para colecionadores e amantes de motores mais irreverentes.

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