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Vêm aí os carros que controlam os filhos

Marcas tentam atrair jovens
Marcas tentam atrair jovens

Os construtores automóveis, perante a crise das vendas, estão a ‘carregar’ os novos modelos com ‘gadgets’ de forma a atrair os jovens consumidores que se preocupam mais com computadores do que com carros.

O mundo dos MP3 e dos telemóveis está cada vez mais compatível com os novos modelos e os construtores procuram aliar tudo o que um ‘smartphone’ pode oferecer e colocá-lo em ‘tabliers’ luminosos, com um ‘design’ atraente e multifuncional.

Não é por acaso que a Ford será a primeira marca de automóveis a revelar um novo modelo, o B-Max, no congresso mundial de telecomunicações (2012 Mobile World Congress), marcado para dia 27 de fevereiro em Barcelona.

Stephen Odell, presidente da Ford Europa, promete que o novo automóvel “irá elevar a fasquia para os veículos pequenos na Europa, combinando tecnologia e engenharia de topo num formato compacto”.

Uma das marcas mais na moda, o Mini, revelou recentemente que vai oferecer aos condutores a possibilidade de transformar o seu carro num jogo de vídeo ou em um DJ, usando um ‘joystick’ para ajudar a navegar, como se fosse uma maneta de mudanças.

O carro do grupo BMW tem um sistema de música dinâmico que adiciona faixas conforme o condutor trava, acelera ou vira. Além disso, também transforma a eficiência de combustível num jogo, usando um gráfico que dá dicas sobre se o condutor desperdiça combustível por acelerar ou travar muito rapidamente.

O Mini acrescentou no computador de bordo um programa para falar de 1.800 mensagens diferentes, incluindo “Iupiii, isso foi incrível!” quando o condutor faz uma curva suave ou uma interjeição sobre o tempo como, por exemplo, “está muito frio lá fora!”.

O novo Beetle da Volkswagen tem um ‘gadget’ mais ligado à música, numa associação à marca de guitarras Fender. O construtor alemão resolveu incluir uma tomada de uma guitarra elétrica e um amplificador para que o condutor possa, em momentos de lazer, ligar a sua guitarra e transformar o carro num palco.

Já o sistema de navegação da Hyundai permite aos pais, quando emprestam o carro aos seus filhos, controlar a que velocidade conduziram ou por onde andaram.

Pode parecer um pouco assustador e restritivo, mas facilita a confiança na altura de os pais darem as chaves aos filhos, nomeadamente nos Estados Unidos, onde se pode conduzir a partir dos 16 anos de idade.

O reconhecimento de voz, conexões ‘Bluetooth’, sistemas de navegação que controlam a localização dos amigos no Facebook, acesso a estações de rádio via internet, críticas de restaurantes e motores de busca estão a transformar o automóvel num instrumento de multifunções.

As vendas de carros a nível mundial a consumidores abaixo dos 30 anos, segundo os construtores, têm diminuido nos últimos anos e o dado mais preocupante para as marcas é que, segundo a Associated Press, os adolescentes norte-americanos abandonaram a tradição de tirar a carta de condução como um ritual de passagem.

O segmento abaixo dos 30 anos de idade, cerca de 80 milhões nos Estados Unidos, representa 40 por cento dos potenciais compradores de automóveis.

Enquanto alguns mais jovens são ainda atraídos por carros musculados e forte desempenho, outros procuram opções diferentes, como um veículo utilitário que pode transportar bicicletas, pranchas de surf ou os amigos.

Perante esta realidade, os construtores de automóveis procuram a “democratização do luxo” através de ofertas tentadoras. Mark Templin, diretor geral da Lexus, a marca de luxo da Toyota, refere que os jovens atuais são uma geração “que cresceu em abundância e, portanto, quando se trata de roupas, acessórios, computadores ou telemóveis, querem produtos ‘premium'”.

Mark Reuss, da General Motors, tem, no entanto opinião contrária, até porque, devido à recessão, “os jovens também procuram soluções de custo e valor” e é por isso que a GM está a apostar em carros citadinos pequenos e pouco dispendiosos.

“Quem sabe realmente se é possível os jovens apaixonarem-se por uma marca automóvel através de um telefone, computador portátil ou uma rede social?” questiona Mark Reuss.

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