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Vencedor das eleições na Autoeuropa quer “equilibrar balança para trabalhadores”

Fotografia: JFS / Global Imagens
Fotografia: JFS / Global Imagens

Lista E, encabeçada por Fernando Gonçalves, venceu eleições mas não obteve maioria. Ainda assim, garante que haverá consenso na nova comissão

“Vamos trabalhar para equilibrar a balança para os trabalhadores.” Estas são as primeiras declarações do vencedor das eleições para a comissão de trabalhadores da Autoeuropa, Fernando Gonçalves, que encabeçou a lista E, a mais votada esta terça-feira e a que elegeu mais membros (4) para o órgão que representa os operários da fábrica de Palmela.

A lista vencedora obteve apenas 30,2% dos votos, ou seja, não ficou com a maioria dos membros – 11, no total – na nova comissão de trabalhadores. Ainda assim, Fernando Gonçalves garante que vai conseguir juntar as diferentes posições dentro da comissão. “Será fácil haver consenso dentro da nova CT. Vamos trabalhar para uma posição em conjunto”, adianta o líder da lista vencedora em declarações ao Dinheiro Vivo.

A nova comissão de trabalhadores está dividida por quatro listas: quatro lugares para a lista E, três lugares para a lista D (Fausto Dionísio), três posições para a lista C (José Carlos Costa) e um assento para a lista A (Paulo Marques). Todos os membros da nova comissão são independentes, com exceção da lista C, com membros ligados ao SITE Sul, sindicato afeto à CGTP.

Sobre as negociações com a administração, Fernando Gonçalves assegura: “Não vamos pôr em causa a produção na fábrica mas temos de fazer ver à direção que o caminho [trabalho aos sábados] não é este. O lucro é importante mas têm de ser dadas condições aos trabalhadores”.

A nova comissão de trabalhadores irá tomar posse no prazo de dez dias e é a única entidade que negociará com a administração as condições para o novo horário de produção da fábrica e, assim, responder à procura pelo veículo utilitário desportivo (SUV) T-Roc, que estará à venda em novembro na Alemanha e em dezembro em Portugal. Conseguir um acordo com a administração da fábrica será a principal prioridade do arranque de mandato da nova comissão de trabalhadores. O diálogo deverá ser retomado entre o final da próxima semana e o início da terceira semana do mês.

As eleições decorreram esta terça-feira dois meses depois do anúncio da demissão da comissão de trabalhadores, que só teve efeito no final de agosto.

A Autoeuropa propôs há vários meses que a fábrica funcione seis dias por semana, com os funcionários a laborarem cinco dias por semana e direito a uma folga fixa, ao domingo, e folga rotativa a meio da semana. Só de três em três semanas teriam direito a dois dias de descanso consecutivos, segundo a proposta então apresentada.

Em compensação, os trabalhadores teriam um pagamento adicional de 175 euros brutos para produzirem ao sábado – que conta como quinto dia de trabalho -, mais um dia de férias e ainda mais 25% do subsídio de turno.

Estas condições chegaram a ser aceites pela maioria da CT. Na votação em plenário, no final de julho, o pré-acordo com a administração foi chumbado por quase três quartos dos operários (74,8%).

É certo que a Volkswagen não vai desviar parte da produção do T-Roc para outras fábricas do grupo alemão, conforme garantiu Herbert Diess, CEO do grupo Volkswagen, no início deste mês.

Resta saber qual será o futuro da Autoeuropa, sobretudo a partir de 2020, porque não está prevista, para já, a produção de mais modelos além do desportivo Scirocco, dos monovolumes Sharan e Alhambra (marca Seat) e do T-Roc. A fábrica de Palmela é a segunda maior exportadora portuguesa, contribuindo com cerca de 1% do PIB português.

 

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