Venda de 2% do BFA é "absolutamente fundamental", diz gestão do BPI

BPI está em risco de sofrer "iniciativas" dos reguladores com "gravíssimas consequências" para as ações se não aprovar venda, alerta equipa de Ulrich

A administração do BPI rotula de "absolutamente fundamental" a aprovação da venda de 2% do capital do Banco Fomento Angola à Unitel, pedindo por essa razão aos seus acionistas que aprovem a mesma na próxima assembleia-geral, marcada para dia 23 de novembro.

Em causa o negócio comunicado no passado dia 7 de outubro, dia em que a gestão do BPI chegou a acordo com a Unitel - detida por Isabel dos Santos e dona de 19% do BPI - para a venda de 2% do BFA e a entrega do controlo deste banco à Unitel - o BPI passará a deter 48,1% contra os anteriores 51,9%. A venda foi fechada por 28 milhões de euros e tem sido muito criticada por alguns acionistas do banco já que pressupõe a perda do controlo "da principal e mais importante filial do Banco BPI", conforme reconhecem os seus gestores.

Ao final da tarde desta segunda-feira, o BPI divulgou através da CMVM um documento com as razões que levaram a administração do banco a negociar a venda da posição de controlo naquele banco à Unitel, dando a conhecer ainda partes da carta enviada à empresa de telecomunicações angolana.

Segundo os argumentos apresentados pela equipa de Fernando Ulrich, a venda de 2% do BFA e a cedência do controlo deste banco - o maior responsável pelos lucros do BPI -, "consubstancia a única solução para o problema da ultrapassagem do limite dos grandes riscos com que o Banco se encontra confrontado desde o fim de 2014", sendo que depois de inúmeras iniciativas para resolver a questão, a venda à Unitel foi a única "possível de concretizar", dizem.

A administração do BPI, sublinhando novamente que esta foi a "única solução possível", lembra de seguida que a resolução da ultrapassagem do limite dos grandes riscos "não se podia prolongar por mais tempo, sob pena de o Banco, e por inerência, os seus accionistas, serem confrontados com iniciativas da autoridade de supervisão que teriam gravíssimas consequências para a situação do Banco e, por consequência, para o valor das suas ações".

É esta a razão que leva então os administradores do banco - já sem o representante do Grupo Violas, que se demitiu precisamente à conta deste negócio - apontarem aos acionistas do banco que a aprovação da venda do BFA "apresenta-se assim como absolutamente fundamental para o interesse do Banco e de todos os seus 'stakeholders'".

A gestão do BPI recorda que esta venda só vai ser votada em assembleia-geral porque, por um lado, inclui a perda de controlo "da principal e mais importante filial do Banco BPI" e, por outro, porque o BPI está a ser alvo de uma OPA por parte do CaixaBank, estando a sua administração por isso sujeita a várias limitações operacionais.

Além da aprovação dos acionistas do BPI, a entrega do controlo do BFA à Unitel está igualmente dependente da aprovação por parte do Banco Nacional de Angola do aumento da participação da Unitel e da autorização do pagamento de 28 milhões de euros. O BNA terá igualmente que aprovar a alteração dos estatutos do BFA.

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