Resultados 2017

Vendas consolidadas da Sonae crescem 7,1% para 5,7 mil milhões

Ângelo Paupério, co-CEO da Sonae SGPS
Ângelo Paupério, co-CEO da Sonae SGPS

Lucros baixaram de 215 para 166 milhões, mas o grupo garante que os valores não são diretamente comparáveis. Dívida líquida reduzida em 103 milhões

A Sonae SGPS encerrou 2017 com um volume de negócios consolidado de 5,710 mil milhões de euros, um aumento de 7,1% face ao ano anterior. Num exercício marcado pela “melhoria da rentabilidade de todos os negócios”, com o EBITDA subjacente a crescer 6,9%, para 336 milhões de euros, o grupo liderado por Paulo Azevedo e Ângelo Paupério obteve resultados líquidos de 166 milhões, menos 49 milhões de euros do que em 2016.

Os 166 milhões de euros de 2017 “não é diretamente comparável com o do ano anterior, nomeadamente devido ao efeito dos resultados não recorrentes”, pode ler-se no comunicado enviado à CMVM.

Considerando o conjunto das empresas sob influência de controlo no universo Sonae, o volume de negócios agregado cresceu 6,3% para 7,6 mil milhões de euros, com o EBITDA a ultrapassar os mil milhões de euros.

“2017 foi um ano bom para os negócios da Sonae que continuaram a crescer a bom ritmo e progrediram significativamente no desenvolvimento da sua estratégia. Também a nível global evoluímos na construção de um portefólio de negócios mais autónomos, focados e flexíveis, preparados para atuar no mercado com elevados padrões de governação corporativa, nomeadamente como empresas cotadas ou integrando parcerias estratégicas”, destaca Ângelo Paupério.

O co-CEO do grupo garante que “o bom desempenho operacional e financeiro do Grupo permitiu um alto nível de investimento e a manutenção de uma política de dividendos crescentes, ao mesmo tempo, que fortalecemos uma estrutura de capitais já sólida, com redução da dívida em 8,4% acompanhada do alargamento de maturidade e redução de custo”. Refira-se que o investimento global, de 316 milhões, representando cerca de 5,5% do volume de negócios, foi canalizado para a abertura de novas unidades, para o lançamento e desenvolvimento de novos negócios e para o reforço da internacionalização e do serviço ao cliente. A maior fatia, 164 milhões de euros, foi aplicada na Sonae MC, seguindo-se a Worten com 45 milhões e a Sonae Sports & Fashion com 40 milhões de euros.

“Estamos assim preparados e confiantes para enfrentar os desafios do futuro, conscientes da qualidade da nossa equipa, do valor da cultura e do exemplo que nos foi deixado pelo Eng.º Belmiro de Azevedo, que temos como referência e que pretendemos honrar, cumprindo a nossa missão de criar valor económico e social levando os benefícios do progresso e da inovação a um número crescente de pessoas”, frisa ainda Paupério no comunicado.

E embora o comunicado destaque que o resultado financeiro líquido da Sonae melhorou em 19,5% face a 2016, “beneficiando da redução da dívida líquida média e de uma diminuição do custo médio das linhas de crédito utilizadas, que se situou em 1,3% no quarto trimestre de 2017”, a verdade é que se manteve negativo em 36 milhões de euros.

Já o resultado líquido atribuível aos acionistas foi de 166 milhões, “beneficiando do crescimento das vendas e da rentabilidade operacional de todos os negócios, bem como dos menores custos financeiros decorrentes do reconhecimento da forte estrutura de capital da Sonae” Mas cai 22,5% face a ano anterior. A Sonae garante que, “excluindo as mais valias com a alienação de ativos imobiliários, o resultado líquido teria crescido 6,5%”.

Em contrapartida, a dívida líquida da Sonae foi reduzida em 8,4% em termos homólogos, ou seja, em 103 milhões de euros. Passou, assim, de 1,215 mil milhões em 2016 para 1,112 mil milhões no final de 2017, com o rácio da dívida líquida face ao capital investido a melhorar 2,8 pontos percentuais para 34,3%.

Por áreas de negócios, os maiores contributos para o crescimento das vendas do grupo vieram da Sonae Retalho, da Sonae IM (tecnologia para retalho e telecomunicações) e da Sonae Financial Services. No retalho, o volume de negócios atingiu 5,646 mil milhões, crescendo 6,8% face a 2016. O EBITDA subjacente da Sonae Retalho aumentou 7,3% para 354 milhões, com o contributo especial da Worten e da Sonae Sports& Fashion que, em conjunto, contribuíram com cerca de 20 milhões. A Worten ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos mil milhões de euros de vendas. A Sports & Fashion cresceu a dois dígitos e atingiu os 589 milhões. No retalho alimentar, a expansão da rede de lojas levou a um crescimento de 5,4% do volume de negócios da Sonae MC para 3,884 mil milhões.

Na Sonae IM, o volume de negócios aumentou 7,9% em comparação com o ano anterior, atingindo 126 milhões, enquanto a faturação da Sonae FS (serviços financeiros) cresceu 38,9% para 24 milhões de euros. A NOS “manteve a tendência de crescimento em todos os serviços core e, ao mesmo tempo, um desempenho financeiro robusto”, com receitas operacionais de 1,562 mil milhões de euros, mais 3,1% do que no ano anterior. Por fim, o volume de negócios da Sonae Sierra aumentou 7,0% em termos homólogos, para 224 milhões.

A Sonae, que está já presente em 90 países, terminou o ano com mais de 45 mil colaboradores, tendo ao longo de 2017 criando mais de 1.700 postos de trabalho.

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