Vendas de livros recuam 22,8% até setembro. Comprou-se menos 23,3 milhões

Portugueses estão a comprar mais livros desde o desconfinamento, mas a queda em setembro ainda é de 15,85%.

As vendas de livros em Portugal têm vindo a recuperar depois de cair para mais de metade durante as semanas de confinamento, mas ainda assim, insuficiente para da queda abrupta. Até final de setembro, vendeu-se 78,9 milhões de euros em livros, menos 22,8% face aos primeiros nove meses do ano passado. O sector viu desaparecer 23,3 milhões de euros em receitas, de acordo com dados da GfK que analisou as vendas de livros em lojas físicas de oito países na Europa (Bélgica (Flandres / Valónia), Brasil, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Suíça) e no Brasil . Desde o final do confinamento, The Enigma of Room 622, de Joël Dicker, é o mais vendido em França e em Espanha, o segundo mais vendido em Itália e Valónia e o terceiro em Portugal.

No inicio do ano (entre 30 de dezembro e 15 de março), as vendas de livros em Portugal situavam-se nos 27,4 milhões, uma subida de 0,9% face ao período homólogo, mas o confinamento atirou as vendas para menos de metade. Nesse período - 16 de março a 31 de maio - os livreiros/editores perderam 57,6% das suas receitas, para 11,9 milhões. Ou seja, viram desaparecer 16,1 milhões.

O desconfinamento e, certamente o período de férias de muitos portugueses, deu uma preciosa ajuda nas semanas seguintes. As vendas continuam em queda, mas com um recuo de "apenas" 15,85% face a 1 de junho e 27 de setembro do ano passado, tendo sido realizado vendas de 39,6 milhões, quando há um ano tinha sido de 47,1 milhões.

"França registou um recorde na queda dos livros, mas está agora em significativa recuperação. Espanha, Suíça, Bélgica (Valónia) e Portugal registaram aumentos durante as primeiras semanas de 2020, no entanto, durante as restrições provocadas pela covid-19, as vendas colapsaram em mais de metade dos países, sendo que alguns não foram capazes de recuperar de imediato, mesmo na fase pós-confinamento, como é o caso da Valónia (-1,0%) e Portugal (-15,8%)", refere a GfK.

Na Suíça, as receitas aumentaram consideravelmente nos últimos meses e as perdas globais chegam agora a 2,9%. "Em Espanha e em Itália, as perdas nos primeiros nove meses diminuíram para 11,0% e 3,8%, respetivamente, após terem sido mobilizados esforços no verão para se recuperar o terreno perdido", refere a consultora.

"Os mercados de livros na região da Flandres, na Holanda e na Bélgica, passaram pelo período de confinamento relativamente ilesos e, no final de setembro, chegaram mesmo a registar aumentos. O Brasil é atualmente o único país não-europeu na análise com uma descida de 37,6% provocada pelo confinamento e um atual aumento de 9,0%, com quedas globais de 6,1%", diz a GfK.

Os mais procurados

The Enigma of Room 622, de Joël Dicker, é o mais popular na Europa ao nível de vendas: o mais vendido em França e em Espanha, em segundo em Itália e Valónia e o terceiro em Portugal.

Lucinda Riley (The Seven Sisters), Stephenie Meyer (Midnight Sun), Elena Ferrante (The Lying Life of Adults) e Suzanne Collins (The Ballad of Songbirds and Snakes) também estão entre as obras de ficção mais procuradas.

Sapiens: A Brief History of Humankind, de Yuval Noah Harari, e Humankind: A Hopeful History, de Rutger Bregman, bem como livros de culinária / dieta como The Keto Cure de Pascale Naessen, guias de gestão pessoal como The Subtle Art of Not Giving a F * ck de Mark Manson e livros infantis como Wild Will de Ingrid e Dieter Schubert estão entre os livros de não ficção mais populares.

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