Vender gás natural no mercado livre não dá lucro

O mercado livre do gás já está em pleno funcionamento nos grandes clientes industriais e a partir de janeiro de 2013 arranca o período transitório para os domésticos, contudo, para as empresas que vendem o gás natural – como a Galp, a EDP ou até a espanhola Fenosa – este negócio tem poucas ou nenhumas margens.

“A tarifa regulada coloca um tecto nos preços e por isso a margem para o operador livre é próxima de zero”, disse ao Dinheiro Vivo, Carlos Gomes da Silva, administrador executivo da Galp e presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Gás Natural (AGN).

Para este responsável, esta realidade é ainda mais evidente no mercado dos domésticos. “Nos clientes industriais os preços são negociados cara a cara e os operadores podem aportar outras vantagens, o que não acontece nos domésticos”, acrescentou à margem da conferência The Golden Age of Gas, promovida pela AGN.

A solução, diz Gomes da Silva, passa por apresentar ofertas mais completas aos consumidores. “É preciso definir como é que se quer estar no mercado porque as tarifas têm uma componente regulada que está definida e na qual não se pode mexer”.

E acrescenta: “Quando podemos acrescentar valor, como por exemplo seguros ou assistência técnica, a um serviço que tem um custo baixo então abre-se a oportunidade de termos uma margem maior”. Opinião partilhada pelo CEO da EDP Renováveis, João Manso Neto para quem a oferta dual – de gás e eletricidade – é claramente o caminho a seguir.

No entanto, tanto a EDP como a Galp não acreditam que o mercado do gás é limitado. “É uma questão de arranque da máquina. A EDP não tinha nada e hoje já tem”, disse João Manso Neto ao Dinheiro Vivo.

A espanhola Gas Natural Fenosa vê o panorama de uma forma diferente. A empresa, que está em Portugal desde 2007, tem uma quota de mercado de 12% e cerca de 60 mil clientes industriais, mas ainda não está nos domésticos porque acredita que a tarifa transitória – aquela que já está em vigor e que abrange os grandes consumidores – deveria ser mais alta, ou seja, ainda não reflete os custos da energia.

“A tarifa transitória ainda está muito no limite e tem de estar mais alta para que os operadores entrem no mercado livre”, disse ao Dinheiro Vivo, o diretor-geral da empresa espanhola, José Gil.

Apesar de concordar que as tarifas transitórias têm de ser agravadas para estimular a passagem dos consumidores para o mercado livre, o presidente da ERSE, Vítor Santos diz que o regulador não pode ceder a pressões.

“Os comercializadores tendem sempre a pressionar o regulador. Temos de dar margem aos operadores, mas também temos de proteger os consumidores que por via das tarifas transitórias não podem sair prejudicados”, referiu aos jornalistas à margem da mesma conferência.

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