Vera Moura: "IA não vai substituir médico no diagnóstico. Será aliada"

Porta voz da Innovation Lead no EIT Health Innostars explica importância e evolução da Saúde Digital.

A Saúde Digital já estava a implementar-se mas a pandemia veio dar-lhe um valente empurrão. Hoje é já uma forma completa, mesmo que não substitua sempre o lado físico/presencial?

Ainda não é uma forma completa, mas a pandemia trouxe urgência à necessidade da Digitalização na Saúde como forma de reduzir o contacto interpessoal e de aumentar a eficácia dos recursos humanos e materiais disponíveis para tratar os doentes.

Em teleconsulta, por exemplo?

Não falamos só de teleconsultas, a verdade é que desenvolvimentos e tecnologia que nos permite seguir alguém remotamente, recolher dados, tratá-los para atestar da preponderância de uma condição e direcionar os tratamentos para onde são necessários, por exemplo, já são possibilidades.

Como é que os cuidados de saúde mudaram ao longo dos últimos anos?

A necessidade de aumentar a adesão à terapêutica foi sempre manifesta pelos profissionais de saúde. A pandemia veio trazer ainda a necessidade de monitorizar e consultar o doente à distância. Neste domínio, a Saúde Digital tornou-se uma forte aliada do clínico no cuidado ao doente, possibilitando o acesso aos dados do doente de forma integrada para um diagnóstico e prescrição bastante precisos. O médico vê o seu trabalho facilitado e o doente sente-se acompanhado e com alternativas desenhadas de acordo com as suas necessidades.

E como podem as novas áreas de inovação (IA, data pools, tecnologia, 5G, etc.) transformar a forma como os cuidados de saúde são prestados?

O objetivo da IA não vai (e para bem dos doentes nunca irá) substituir o médico no diagnóstico e prescrição dos tratamentos. Trata-se sim de otimizar o trabalho do clínico reduzindo os erros associados ao fator humano e otimizando as técnicas já existentes. Desta forma, é possível aumentar o número de casos diagnosticados e tratados com sucesso, reduzindo o sofrimento do doente e os custos associados aos tratamentos ineficazes (custos de internamento, tratamento de efeitos secundários, tratamentos tardios de doenças com elevada morbilidade e mortalidade, como o cancro). Além disto, contamos também com o acompanhamento personalizado do doente em recuperação (aplicações que permitem monitorizar os doentes e integrar os dados/resultados na ficha clínica para seguimento com o médico responsável), que fomentam a adesão à terapêutica e melhores resultados das práticas diárias recomendadas (no caso de doenças crónicas e reabilitação).

Há já exemplos de inovações desenvolvidas em Portugal ao dispor dos mercados globais?

Sim, o EIT Health apoiou diversos projetos nesta área, tais como a Clynx que usa uma estratégia de jogos para motivar a reabilitação dos doentes; a Peekmed que criou um software 3D para auxiliar a preparação de cirurgias ortopédicas; a Kinetikos que desenvolveu um software específico para traduzir o movimento de doentes com Parkinson em métricas de acompanhamento clínico; a Promptly que segue a progressão do tratamento dos doentes e facilita a comunicação com o clínico. É fácil perceber que todos estes projetos contribuem indubitavelmente para otimizar o tratamento dos doentes e reduzir o risco de decisão do clínico, o que se traduz no cumprimento dos objetivos do EIT Health de melhorar a saúde de todos os cidadãos europeus.

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