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Vamos fazer turismo no espaço em “jatos privados com esteroides”

Virgin Galactic é uma das empresas do universo Virgin, do milionário Richard Branson.
Virgin Galactic é uma das empresas do universo Virgin, do milionário Richard Branson.

Turismo espacial pode ser um dos grandes negócios dos próximos anos mas ainda só ao alcance dos muitos ricos.

Desde a década de 60, apenas 559 pessoas conseguiram ver a Terra a partir do espaço. Mas os astronautas vão deixar de ser os únicos contemplados: há várias empresas que estão prontas para explorar a indústria do turismo espacial, como a norte-americana Virgin Galactic. Mais de 600 pessoas já compraram um lugar por 250 mil dólares mesmo que ainda não haja uma data concreta para a primeira viagem. Perseguem “uma experiência de vida única”, conta Stephen Attenborough ao Dinheiro Vivo.

“Estamos à beira de entrar numa nova era do espaço. Isto vai transformar as nossas vidas. Se tudo resultar, podemos fazer no espaço o mesmo que o iPhone fez ao telefone. Poderemos oferecer uma ligação única com a Terra e o cosmos”, garante o primeiro funcionário e agora diretor comercial da Virgin Galactic.

A viagem será feita com um avião feito com fibra de carbono, a que estará acopolado “um jato privado com esteroides”, com capacidade para seis pessoas, que terão pelo menos três dias de preparação. Este aparelho vai soltar-se do avião grande após 45 minutos de ascensão e os passageiros irão sentir uma forte aceleração e irão voar 3,5 vezes acima da velocidade do som, o equivalente a mais de 4200 quilómetros/hora.

Mas os primeiros voos da Virgin Galactic não irão partir assim tão depressa, mesmo depois de várias viagens de preparação. “Estamos em fase final de testes. Não podemos dar uma data concreta porque cada teste é o resultado da prova anterior”, justifica Stephen Attenborough. Como o espaço “continua a ser hostil”, este responsável da Virgin Galactic destaca os esforços de dois projetos concorrentes “mas complementares”: o Blue Origin, do fundador da Amazon, Jeff Bezos; e a SpaceX, do criador da Tesla, Elon Musk.

Leia aqui: Estas empresas querem colocá-lo a fazer turismo no Espaço

O espaço também pode servir como uma nova rampa de lançamento de satélites, como a norte-americana Vector, que ainda é considerada uma startup. “Estamos a construir os foguetões mais pequenos e viáveis economicamente para que os possamos utilizar mais vezes”, conta-nos Jim Cantrell, um dos fundadores. Esta empresa pretende ser a plataforma de referência para o lançamento de satélites por dezenas de empresas.

Em quatro anos, a Vector já conseguiu mais de 90 milhões de dólares em capital de risco mas há razões para isso. “No início, todas as empresas queriam ir a Marte. Só que ir a Marte é muito complicado. Por isso, a tendência agora é apostar em modelos de negócios, inspirados no espaço, mas que possam trazer valor a quem está na terra”, explica o investidor François Chopard, do acelerador Starbust Aerospace.

Tal como na década de 60, o acesso ao espaço é uma corrida com vários concorrentes. Só que em vez dos governos das grandes potências mundiais, são as empresas privadas que entram nesta guerra.

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