Indústria

Viarco. A empresa do “lápis azul” tem uma aposta crescente na arte

A Viarco será sempre uma empresa de lápis, diz José Vieira
A Viarco será sempre uma empresa de lápis, diz José Vieira

Na Viarco, é conhecido como o lápis Olímpico 291, série de produtos para uso profissional, escrevendo sobre papel, madeira, pedra e tecido. Para o comum dos portugueses, é o famigerado "lápis azul" , usado pelos censores do Estado Novo. José Vieira, bisneto do fundador da Viarco, a única empresa de lápis em Portugal, não rejeita o passado e acredita que há que o manter bem vivo na memória. Por isso, se associou a uma série de iniciativas de comemoração dos 40 anos do 25 de Abril, designadamente através da exposição "Traços para a Liberdade", em que foram retratados Humberto Delgado, Salgueiro Maia e Zeca Afonso a lápis azul.

Hoje, a Viarco produz milhares de lápis por mês, das mais variadas referências. Mas é a sua nova gama de produtos, vocacionados para o segmento artístico – sob a designação Art Graf -, que maior projeção internacional lhe está a dar. Vale já 30% das vendas.

A empresa, cujas origens remontam a 1907, a uma unidade em Vila do Conde, e que viria a ser comprada pelo empresário de São João da Madeira, Manoel Vieira de Araújo, em 1931, – a marca só foi registada em 1936 – continua a funcionar nas mesmas instalações, que são visitadas por 11 mil pessoas ao ano, no âmbito do projeto de turismo industrial da autarquia local. Sobretudo escolas, diz José Vieira, mas não só.

“Aparecem-nos aqui pessoas da Coreia, da Argentina, do Chile”, explica. Pagam uma entrada de dois euros e poucos são os que resistem a levar consigo uma recordação da Loja de Fábrica da Viarco.

José Vieira e a mulher, Ana, são hoje os únicos acionistas da empresa, desde que, em 2011, a assumiram em pleno. Para evitar que fosse à falência. “Em 2008, perdemos o nosso maior cliente, uma cadeia de distribuição portuguesa e, de um dia para o outros, desapareceu 35% da faturação”, explica.

Daí em diante foi o declínio constante. Dos 800 mil euros de faturação recorde em 2007, a Viarco passou para 360 mil euros em 2011. Mas nunca despediu ninguém. Reduziu o quadro pela saída natural dos funcionários que se foram reformando ou que decidiram sair.

O ano passado faturou 600 mil euros e este ano tudo aponta para um crescimento de 10%. Hoje exporta para países como EUA, Austrália, Coreia do Sul ou Índia e os seus lápis são vendidos em inúmeros museus por esse mundo fora, como o MoMa, em Nova Iorque, ou o Guggenheim de Bilbao.

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