Imobiliário

Comporta. Victor de Broglie/GAC “impedido” de avançar

Herdade da Comporta

O consórcio Victor de Broglie e Global Asset Capital Europe garante que se reserva ao direito de "proteger da melhor forma os seus interesses"

O consórcio Victor de Broglie e Global Asset Capital Europe considera estar “materialmente impedido” de avançar com uma proposta aos ativos imobiliários da Herdade da Comporta e garante que se reserva ao direito de “proteger da melhor forma os seus interesses”.

Hoje também o consórcio Oakvest anunciou que desistia da compra dos ativos imobiliários da Herdade da Comporta.

Em comunicado, “o consórcio Victor de Broglie e GAC entende que há falta de transparência e profissionalismo no processo conduzido pela Gesfimo, que não foram garantidas as condições para um procedimento equitativo, estando assim objetiva e materialmente impedido de apresentar uma nova oferta, sequente à já apresentada em 4 de maio de 2018”.

As entidades envolvidas nesta candidatura garantem que, a menos de oito dias da entrega das propostas, ainda não tiveram acesso ao ‘data room’ [base de dados] da Comporta. O agrupamento liderado por Louis-Albert de Broglie “entende que não estão reunidas as mínimas condições de transparência, profissionalismo e boa-fé exigíveis num processo desta natureza e dimensão”, adiantou no mesmo documento.

O consórcio garantiu tudo ter “feito com rapidez, interesse e boa-fé para entender e cumprir as diligências solicitadas nas últimas semanas pela Gesfimo, nomeadamente a assinatura de uma muito duvidosa renúncia a direitos de ação judicial, algo verdadeiramente fora da prática de mercado”.

A falta de acesso aos dados da venda mostra, segundo o agrupamento, que não há, do lado da Gesfimo, “qualquer sinal de cooperação que reflita a extraordinária urgência dos prazos e a especial responsabilidade de quem tem a obrigação de criar as condições para que, em igualdade de circunstâncias, todos possam competir pela aquisição dos ativos em causa”, diz o comunicado.

Por causa dos entraves, o consórcio diz-se “objetivamente impossibilitado de proceder ao exigível processo de ‘due dilligence’ (legal e fiscal), nas condições mínimas de transparência, legalidade e profissionalismo” de uma operação desta envergadura.

As entidades que compõem este consórcio dizem já ter alertado a Gesfimo para o problema.

“Dadas as circunstâncias sumariamente apresentadas e outras que possam vir a conhecer-se, o Consórcio Victor de Broglie e GAC faz notar que se reserva o direito de proteger da melhor forma os seus interesses nesta aquisição”, frisa o comunicado.

O concurso foi lançado no início deste ano e em maio acabou por ser escolhida a proposta do consórcio Oakvest, Portugália e Sabina. Em julho, uma assembleia-geral resolveu reverter os resultados do processo e avançar com novo procedimento a que o agrupamento vencedor disse hoje não ir acorrer. Na corrida à compra da Comporta resta o grupo Paula Amorim/Claude Berda.

A venda da Herdade da Comporta, nos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola, foi decidida há cerca de três anos, após o colapso financeiro do Grupo Espírito Santo, mas, apesar de terem surgido alguns interessados, nacionais e estrangeiros, o negócio ainda não se concretizou.

A Herdade da Comporta já fez parte da então Companhia das Lezírias do Tejo e do Sado, tendo sido vendida à empresa britânica The Atlantic Company, em 1925, e depois comprada, em 1955, pela família Espírito Santo.

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