Vinagre Creative: inovação aos 30

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Carlos Mendes Gonçalves viu no vinagre um potencial negócio. Há três anos, começou a misturá-lo com frutas para inovar e diversificar a oferta. O resultado já chegou a Inglaterra e está a caminho de Japão, EUA, Canadá, Suécia e Espanha.

Hoje com 47 anos, Carlos trabalha há 31 na empresa do pai, a Mendes Gonçalves, na Golegã, precisamente na altura em que começaram a fazer vinagres. O início foi “relativamente fácil”, graças “aos conhecimentos do mercado e ao vendedor que a empresa contratou, que conhecia muito bem o mercado. Fomos trabalhando e crescendo”, recorda o administrador. Com as marcas Peninsular à venda no canal Horeca (hotelaria, restauração e catering) e Paladin nas principais cadeias de grande distribuição, há três anos surgiu um novo desafio: criar um vinagre diferente de todos os outros. O departamento de investigação e desenvolvimento – que hoje conta com sete pessoas – começou a trabalhar e dos brainstormings sobre o tempero amargo das saladas surgiu a linha de vinagres de frutas, produto natural e inovador, dirigido ao mercado gourmet e de exportação.

“O Creative surge da vontade de dignificar o vinagre, que é considerado um produto muito básico – na Idade Média o mestre vinagreiro ocupava um papel muito distinto. Pegámos nos conhecimentos que já tínhamos e decidimos criar vinagres diferentes, menos ácidos e que sozinhos possam temperar os alimentos. Ao juntar fruta ao vinagre, conseguimos um produto mais agradável, não só pela redução da acidez mas também por acrescentar sabor a um produto tradicionalmente amargo”, conta Carlos Gonçalves.

Foram surgindo ideias para vinagres com lascas de gengibre, de maçã e mel, de pedaços de frutos vermelhos e de figo e canela com pedaços de figo. “As experiências começam quase por intuição: o de figo, por exemplo, surgiu para aproveitar os recursos da região. Exige alguns meses de ensaios… Começámos por testar polpas de fruta e formas de usar o condimento fora das saladas.”

O passo seguinte foi o design das embalagens: o Creative precisava de uma garrafa diferente para ser vendido a outro tipo de público, mais segmentado. O processo demorou cerca de ano e meio, entre os primeiros testes e as versões finais dos primeiros vinagres de fruta e reduções – outro produto desenvolvido pelo departamento de investigação.

O trabalho está a dar frutos. “Já temos parceiros de negócio em Inglaterra – que asseguram a distribuição em todo o país – e temos apresentado os vinagres em feiras, pelo mundo. Mas não basta ter distribuidores interessados. É preciso que eles percebam que vender este vinagre é vender uma experiência diferente. Vender o conceito e não só o produto.”

No total, a empresa já fatura 18 milhões de euros anualmente e emprega 160 pessoas. “Uma empresa não sobrevive a fazer igual ao que os outros fazem. É fundamental termos o nosso caminho. Tendo em conta a dimensão de Portugal, temos de focar-nos naquilo que temos de melhor, produtos de muita qualidade. Não podemos competir com países maiores, mas podemos competir com os melhores.”

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