Turismo

Vinho do Porto seduz país mais feliz do mundo

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Há mais dinamarqueses a visitar Portugal e a comprar os produtos de qualidade superior produzidos no nosso país

Portugal e Dinamarca têm em comum um passado de navegadores e conquistadores de que a Quinta da Boeira, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Embaixada de Portugal querem tirar partido para vender bem os produtos premium nacionais.

A iniciativa partiu da “startup” de vinho do Porto Quinta da Boeira, que só começou a produzir e comercializar os referidos vinhos no início deste ano e que já tem elevadas expetativas para as vendas neste mercado nórdico. De uma forma inédita, levou também à apresentação no palácio do Parlamento, em Copenhaga, os queijos dos Açores, os doces de Amarante, os vinhos verdes, os vinhos de Carcavelos e da Extremadura, numa ação de marketing que apresentou Portugal como sinónimo de qualidade premium.

“A Dinamarca tem sido o país mais feliz do Mundo. Fui estudar o motivo e fiquei a saber que os dinamarqueses são felizes durante seis meses quando começam a namorar, durante 12 meses quando casam e para o resto da vida quando bebem vinhos portugueses”, disse Albino Jorge Sousa, administrador da Quinta da Boeira, na apresentação dos Tawny de 10, 20, 30 e 40 anos e ainda o “muito velho” (100 anos) à imprensa, importadores, embaixadores e outras autoridades dinamarquesas, esta semana, em Copenhaga.

Mais de 20 importadores de vinhos e dezena e meia de agentes turísticos dinamarqueses apreciaram mais de uma dúzia de réplicas de naus portuguesas, explicadas pelo historiador Gonçalves Guimarães, que recordou como os vikings e os portugueses partilharam aspirações e técnicas para conquistar o mundo. Nos 500 anos decorridos, a economia dinamarquesa cresceu e prosperou, possuindo dos mais elevados índices de desenvolvimento humano do mundo, que permitem aos quase seis milhões de habitantes um nível de vida e um poder de compra superior ao português.

“Os dinamarqueses já são bons clientes de bons vinhos portugueses. Neste mercado, houve um crescimento no valor, entre 2015 e 2016, de 4,91 euros para 5,69 euros por litro nos vinhos do Douro e de 7,45 euros para 8,12 euros por litro no vinho do Porto”, apontou Albino Jorge Sousa. “As vendas estão a correr bem. Prevemos faturar 700 mil euros neste primeiro ano e chegar a dois milhões de euros em 2020, dos quais 80% serão exportações e a Dinamarca representará 15% a 20%”, adiantou. Ao todo, entre eventos, vinhos e hotel, em 2021 a Quinta da Boeira quer atingir 11 milhões de euros de volume de negócios, justificando assim o investimento de 38 milhões de euros que terá realizado, desde 1999, na recuperação da quinta e na construção do hotel de cinco estrelas, cujas obras arrancam no próximo mês. A inaugurar no início de 2019, já tem reservas para seis dias, por parte de três casais ingleses que vão receber uma noite grátis por serem os primeiros. A expetativa é que os dinamarqueses se sigam, até porque o número de viajantes desta nacionalidade tem crescido ao dobro do ritmo médio dos mercados estrangeiros.

“Precisamos que mais dinamarqueses visitem Portugal para terem referências dos vinhos de mesa, porque neste momento a concorrência italiana, francesa e espanhola vencem por serem locais onde já passaram férias”, considerou Kim Borch Hansen, gerente da empresa de importação ViniPortugal. “Quando recomendo o vinho português, os clientes levam e ficam satisfeitos. Mas, sem a recomendação, vão para os italianos ou franceses”, lamentou Henrik Langvad, proprietário de duas lojas de bebidas em Copenhaga. “É fácil ir de férias para esses países, por isso chegam cá e compram os vinhos que beberam por lá”, apontou.

Segundo o embaixador de Portugal, Rui Macieira, o mercado dinamarquês de turismo aumentou 19% no ano passado, representando “97 a 98 milhões de euros dos 230 milhões de euros de exportações de serviços que Portugal concretizou para a Dinamarca”. Este é um setor tradicional dos serviços que tem crescido, a par de novos setores, mas Rui Macieira referiu que pouco tem mudado nas exportações de bens. “70% das exportações portuguesas de bens são de produtos tradicionais (vinho, têxtil, calçado) e ainda temos quota para crescer, mas se calhar podíamos crescer em produtos não tradicionais também”, sugeriu. Exemplos? “Na Dinamarca há um grande «boom» na construção, há investimento em infraestruturas e habitação”, apontou. Em 2016, a Dinamarca comprou 560 milhões de euros de bens e serviços a Portugal.

Se, no passado, ambos os povos cruzaram os mesmos mares, no futuro podem aliar-se para conquistar novos mercados. Rui Macieira sublinhou uma oportunidade para as empresas portuguesas: “Podiam associar-se a empresas dinamarquesas, porque têm uma situação financeira folgada, juntando o know-how e o acesso a mercados dos PALOP e da América Latina a que temos acesso, onde podem concorrer em parceria”. E até temos experiência nalguns dos setores em que a Dinamarca é mais forte: a construção e reparação naval, o agroalimentar e as pescas.

A jornalista viajou a convite da Quinta da Boeira

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