Vista Alegre regressa à iluminação e abre lojas Bordallo em Paris e Madrid

Empresa nacional mantém aposta no mercado externo que representa já 72% das receitas em 2017, ano que os proveitos cresceram na ordem dos dois dígitos

A Vista Alegre foi à cidade luz apresentar a sua nova área de negócio mais luminosa: uma coleção de iluminação em cerâmica e cristal, dando início a um novo segmento que, em três anos poderá vir a representar entre 2% a 5% das receitas da empresa nacional, aponta Nuno Barra, administrador da Vista Alegre. A abertura das primeiras lojas Bordallo Pinheiro em França e em Espanha, a entrada da marca centenária no segmento de hotelaria, e a criação da Vista Alegre México são outras das novidades anunciadas na feira Maison & Objet. Depois de um crescimento em 2017 na ordem dos dois dígitos, a expectativa é que a tendência de crescimento se mantenha: “Pelo que foi feito em 2017, achamos que estamos, este ano, em condições de colher os frutos”, acredita Nuno Barra.

O primeiro passo está dado com o arranque da coleção de iluminação em cerâmica e cristal, que marca o regresso da Vista Alegre a um segmento que tinha abandonado. Há três anos decidiram voltar. “A cerâmica e o cristal voltaram a ser materiais interessantes para a iluminação. Nesta área temos know-how e matéria-prima. Achámos que estava na altura de lançarmos uma coleção que teria de ser diferente, inovadora. Para isso, fomos buscar um designer que nos trouxesse inovação e olhasse para o material de forma diferente”, explica Nuno Barra. Pretendiam alguém “visionário” e que “levasse os materiais até o limite”.

A escolha recaiu no designer britânico Ross Lovegrove, que criou a coleção de candeeiros de cerâmica E2H - Earth to Humanity, o porta-estandarte da nova área que tem ainda peças criadas pelo designer espanhol Pablo Andújar e pelo alemão Mendel Heit, com quem a Vista Alegre já tinha trabalhado em outras coleções distinguidas em prémios de design internacional. “Não são peças limitadas, estas entram na linha de produção normal Vista Alegre e vão estar disponíveis a partir do fim de abril”, diz Nuno Barra.

A iluminação é um dos produtos com os quais a Vista Alegre quer testar a recetividade nas feiras do setor onde marca presença, mas não só: a Casa Alegre também está presente pela primeira vez na feira de Paris com um stand próprio de 28 m2 , e a recetividade que a marca lançada há um ano terá na Maison & Objet ou em fevereiro na Ambiente, em Frankfurt, poderá ditar um aumento da capacidade de produção.

Neste momento, “10% da capacidade da fábrica Cerexport, em Aveiro, está alocada à Casa Alegre. No mercado interno, a equipa comercial teve ordem para não apresentar a Casa Alegre, porque não havia capacidade de resposta”, admite Nuno Barra. Depois de “sentir o pulso ao mercado”, o resultado poderá ser “ampliar capacidade de produção na Cerexport, em outra localização ou então criar uma fábrica nova, mas ainda é muito cedo para tomar uma decisão. Precisamos tomar o pulso para ver se não é uma moda. Temos de ter cautela, se não ficamos com uma fábrica na mão”, diz.

Na Bordallo Pinheiro a decisão já está tomada: as obras para ampliar em um terço a capacidade produtiva da fábrica já estão a decorrer. Cerca de 7 milhões de euros de investimento para produzir cerca de 100 mil peças por ano em 2019. A atual capacidade não dá resposta a tanta encomenda de sardinhas, andorinhas e couves, os produtos mais vendidos da marca que este ano vai entrar num novo segmento: o de hotelaria com uma linha de produtos em grés e não em cerâmica. A nova oferta “que tem um potencial imenso” será apresentada na Ambiente, de Frankfurt, e começa ser comercializada em finais de fevereiro.

No mercado externo, que já representa cerca de metade das vendas da Bordallo, a estratégia é aumentar a rede de lojas próprias. “A primeira loja Bordallo em França vai abrir em fevereiro, com cerca 80 m2; e abrirá mais uma ou duas até ao final do ano. Na Vista Alegre, provavelmente, abriremos uma loja”, diz Nuno Barra.

Depois das três lojas, em parceria com as galerias Printemps, o objetivo de ter mais cinco espaços não se concretizou. Encontrar o espaço ideal para a Vista Alegre, que se posiciona num segmento de luxo, está a provar-se difícil, admite Nuno Barra. Já em Espanha, a empresa quer “reorganizar o negócio todo, da estrutura de vendas ao pricing” e quer ainda abrir mais lojas. Em fevereiro, abre a primeira loja Bordallo em Madrid e há interesse em abrir em Bilbau, Valência, Zaragoça e Sevilha.

No México, onde decidiram entrar diretamente, em 2017, só este ano será criada a Vista Alegre México, diz o administrador. Mas há boas expectativas para este mercado, sobretudo a partir do segundo semestre, já que em março/abril vão arrancar com as vendas da coleção criada em parceria com a marca mexicana de luxo Pineda Covalin “com áreas próprias dentro das department stores. Isso vai fazer saltar vários degraus no crescimento do negócio.”

Em Itália, outro dos mercados definidos como prioritários, poderá haver mexidas. “Trabalhávamos com dois distribuidores, mas no caso da Bordallo não funcionou. Em março o contrato acaba e vamos mudar de estratégia”, diz Nuno Barra. Criando uma Vista Alegre Itália? “Poderá vir a acontecer”, admite o administrador, sem adiantar uma data ou os moldes em que se poderá concretizar. Os números do ano passado ainda não são conhecidos, mas “o mercado externo deverá crescer 25%, Portugal deverá fechar com 10% a 11%”, diz Nuno Barra.

Até setembro, o peso do internacional nas receitas era de 68%. “Vamos fechar o ano com mais, provavelmente 72%.” Um salto empurrado pelo crescimento em mercados como o de França (entre 17 a 18%), Escandinávia e Brasil, com este último, apesar da crise, a crescer entre 12 a 15%. “O ano correu muitíssimo bem. Vai ser um ano de crescimento significativo, espera-se a dois dígitos.”

A jornalista viajou a convite da Vista Alegre

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