Vitacress leva salsa e coentros ao Norte da Europa e Angola

ng3092332

A Vitacress, a produtora e embaladora portuguesa de hortícolas e a fornecedora das saladas do McDonald”s em Portugal, vai reforçar a aposta noutros tipos de hortícolas. “Um dos pilares de crescimento futuro vão ser as ervas aromáticas, como a salsa, os coentros, a menta ou o cebolinho. Vamos aumentar a área de produção através de parcerias, principalmente em estufas, e estamos a olhar para o Alqueva”, disse ao Dinheiro Vivo o diretor-geral Luís Mesquita Dias.

Foi a procura que ditou esta estratégia, uma vez que a empresa está já a exportar ervas aromáticas para a Holanda ou Angola. Além disso, identificou a Alemanha e os países do Norte da Europa como mercados com potencial, estando já a desenvolver contactos.

Aliás, estes dois destinos – e também Angola – são considerados dos mais relevantes para o crescimento das exportações da empresa em geral e não só das ervas aromáticas. Segundo Luís Mesquita Dias, as exportações representam hoje 40% das vendas da empresa e em 2017 deverão chegar aos 50%.

Para isso, será também necessário aumentar a produção agrícola das restantes hortícolas que vai já nas 6500 toneladas em cerca de 300 hectares de terreno, a maior parte em Odemira. “Temos possibilidade de aumentar a produção, a curto prazo, uns 20% ou 30%, mas com escolha de parceiros e de terras pode ser muito mais”, referiu.

Produzir em Angola sem fábrica mas com parceiros

A Vitacress entrou em Angola há apenas seis meses, fornecendo hortícolas embaladas para os supermercados Casa dos Frescos, em Luanda, mas os planos são bem mais ambiciosos. “Estamos prestes a entrar noutra cadeia de retalho, um negócio que terá mais expressão do que o atual, e há umas semanas começámos a fornecer o hotel Sana em Angola”, adiantou Luís Mesquita Dias. “Temos a vantagem de ter produtos já lavados e embalados, porque ainda há muitos problemas com a água potável”, reparou.

É por isso que “a médio prazo poderemos estar a produzir em Angola”, diz o diretor-geral da Vitacress, ressalvando, contudo, que não querem ter lá uma fábrica mas sim parceiros. “No final deste ano já teremos identificado produtores locais com quem trabalhar”, acrescentou.

“Hilton da Quinta do Lago tem vista para o nosso agrião”

A Vitacress anda nas bocas do mundo por causa do contrato para fornecer os 135 McDonald”s de Portugal com saladas e hortícolas. Está quase a fazer um ano que fecharam o negócio e Luís Mesquita Dias não nega que foi um marco importante, mas a empresa tem outros nomes sonantes na sua vida. Ela exporta para os Lidl da Bélgica e Holanda ou para o Tesco, Sainsbury e Marks & Spencer em Inglaterra – país que compra principalmente os agriões que a Vitacress produz em Almancil, no Algarve, num terreno de 20 hectares ao lado da Quinta do Lago. “O Hilton Conrad tem vista para o nosso agrião”, diz.

Em Portugal, os produtos da Vitacress estão à venda em todos os retalhistas – Pingo Doce, Continente, Auchan ou Lidl -, tanto com a sua marca própria como com a marca branca dos retalhistas. “Quando se compra uma salada do Pingo Doce ou do Continente a probabilidade de ter produto Vitacress [a produtora agrícola] é de um terço”, repara.

Nos últimos dois anos, as vendas em Portugal caíram, respetivamente 2% e 7%, mas nos três primeiros meses deste ano subiram 6%, apesar de não terem aumentando a presença em supermercados e de os preços continuarem a ser 25% mais caros do que os produtos de marca branca. Por exemplo, uma salada embalada da Vitacress custa 2,20 euros enquanto as de marca branca custam 1,80 euro.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, fala perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. TIAGO PETINGA/LUSA

Constâncio: Risco para a estabilidade no crédito a Berardo era “problema da CGD”

Outros conteúdos GMG
Vitacress leva salsa e coentros ao Norte da Europa e Angola