Automóvel

Volkswagen afasta desvio de produção do T-Roc da Autoeuropa

Herbert Diess é o líder da marca Volkswagen desde julho de 2015. Fotografia: REUTERS/Thomas Peter
Herbert Diess é o líder da marca Volkswagen desde julho de 2015. Fotografia: REUTERS/Thomas Peter

"Transferir a produção de um modelo é um processo muito dispendioso", diz Herbert Diess, CEO da marca Volkswagen

Está fora dos planos da Volkswagen o desvio da produção do modelo T-Roc da fábrica da Autoeuropa. A afirmação é de Herbert Diess, presidente executivo da marca alemã, em resposta, esta quarta-feira, às questões sobre o impasse que está a ser vivido na unidade de Palmela do grupo Volkswagen por causa do novo horário de trabalho.

A Autoeuropa é a única fábrica do grupo Volkswagen que pode produzir o T-Roc. Transferir a produção de um modelo é um processo muito dispendioso”, assinalou Herbert Diess. “Não estamos a considerar outras opções” para a produção do T-Roc fora da Autoeuropa. “Falámos recentemente com o ministro da Economia [Manuel Caldeira Cabral] e percebemos que todas as partes têm interesse em resolver o problema, assinalou o líder da marca VW num evento com jornalistas portugueses à margem do Salão Automóvel de Frankfurt, Alemanha.

As declarações de Herbert Diess afastam, para já, o receio de transferência de parte da produção do SUV que está a ser fabricado na Autoeuropa para outras unidades do grupo VW. O cenário tinha sido admitido no final de agosto pelo diretor-geral da fábrica de Palmela, Miguel Sanches, em declarações ao Jornal de Negócios, caso falhassem as negociações entre a administração e os trabalhadores.

O líder da marca VW espera que o impasse seja resolvido até ao final do próximo mês: “É uma preocupação as negociações com os trabalhadores. Estamos surpreendidos, porque temos tido relações muito estáveis com os trabalhadores. Precisamos de relações laborais estáveis. Tudo será resolvido em outubro, esperamos nós”, prevê Diess.

O funcionamento da fábrica de Palmela seis dias consecutivos (sábado incluído) é uma das medidas prevista para o novo horário de trabalho, que deverá entrar em vigor em fevereiro de 2018. Esta situação “está prevista há dois anos”, quando a Autoeuropa aceitou fabricar um novo modelo. Quando questionado sobre outras fábricas que produzam automóveis ao sábado, Diess mostrou-se evasivo e apenas afirmou que “na área dos componentes, há algumas unidades que funcionam assim”, sem revelar mais detalhes.

Diess considera a Autoeuropa como uma fábrica “muito competitiva” mas que esteve “subutilizada nos últimos anos”.

A Autoeuropa tem vivido sob impasse nas últimas semanas por causa das negociações para o novo horário de trabalho. A equipa liderada por Miguel Sanches apresentou uma proposta para trabalhar aos sábados. A comissão de trabalhadores anunciou a sua demissão no início de agosto, depois de três quartos dos operários (74,8%) terem chumbado o pré-acordo com a administração.

O documento previa um aumento mínimo do salário de 16%, um bónus de 175 euros, a redução do horário de trabalho para 38,2 horas e a atribuição de mais um dia de férias. Em troca, a fábrica passará a funcionar seis dias por semana a partir de fevereiro do próximo ano, com 18 turnos de trabalho. Os operários estarão na fábrica de segunda a sábado e, em vez de gozarem duas folgas consecutivas todas as semanas, passam a ter um dia fixo de descanso, ao domingo, e outro ao longo da semana.

Entretanto, a 30 de agosto, a produção da Autoeuropa esteve parada devido a uma greve. Na semana passada, o sindicato SITE Sul e a administração estiveram reunidos para uma reunião. O encontro serviu para “abrir um canal de diálogo entre as partes”, segundo Eduardo Florindo, dirigente do SITE Sul. A administração mantém a intenção de retomar as negociações apenas com a nova comissão de trabalhadores da Autoeuropa, que só deverá ser eleita a 3 de outubro.

O T-Roc foi apresentado pela primeira vez em agosto e irá competir com modelos como o Nissan Juke, o Renault Captur ou mesmo o Seat Arona, do próprio grupo Volkswagen. O novo modelo fabricado na Autoeuropa deverá ter um preço base de 25 mil euros no mercado português e contará com versões a gasolina e gasóleo. O SUV será vendido em todo o mundo, exceto na China e EUA. Com este modelo, a Autoeuropa espera produzir até 240 mil veículos em 2018.

*Jornalista viajou a convite da Volkswagen Autoeuropa.

(Notícia atualizada às 10h53 com mais informação)

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