Escândalo Volkswagen

Volkswagen pode perder um resgate a Portugal com escândalo das emissões

Algumas das 119 fábricas da Volkswagen em todo o mundo poderão ser arrastadas pelo Dieselgate
Algumas das 119 fábricas da Volkswagen em todo o mundo poderão ser arrastadas pelo Dieselgate

O escândalo de manipulação das emissões poderá custar 78 mil milhões de euros à Volkswagen. Este é pior cenário para o grupo alemão, o montante equivalente ao resgate financeiro de Portugal, em 2011. A estimativa foi apresentada na sexta-feira numa nota de análise do Credit Suisse. Mas nem o melhor cenário será bom para o grupo de Wolfsburgo, com uma fatura de 23 mil milhões de euros.

Além do pagamento entre 300 e dois mil euros por cada um dos 11 milhões de veículos detetados, os analistas do banco suíço antecipam um aumento de capital para suportar os custos de litigância. Os 25 mil milhões de euros que a Volkswagen tem em tesouraria não deverão ser suficientes.

O comportamento na Bolsa de Frankfurt também não deverá ajudar, com os alemães a arriscarem perdas superiores a 20% nas ações da Volkswagen. O que reforça a perda de 32 mil milhões de euros registada nas últimas duas semanas nos mercados. Esta perspetiva baseia-se em custos de reparação e de multas de 22,7 mil milhões de euros.

O Crédit Suisse estima ainda perdas de receitas entre os 15 (no melhor cenário) e mais de 30 mil milhões de euros (no pior cenário).

Portugal adia medidas

As decisões no caso Volkswagen em Portugal só serão conhecidas depois das eleições. A primeira reunião do grupo de trabalho liderado pelo Ministro da Economia decorreu na sexta-feira e durou pouco mais de uma hora, com o primeiro encontro a servir apenas para “distribuição de trabalho”.

“A Volkswagen comprometeu-se a entregar um plano de solução até 7 de outubro. Só depois dessa data é que o grupo de trabalho vai voltar a reunir-se”, explicou fonte oficial do gabinete de Pires de Lima. As medidas que Portugal vier a adotar no escândalo de manipulação das emissões só deverão mesmo ser tomadas entre 7 e 15 de outubro.

Só mais perto do final da primeira quinzena deste mês é que cada entidade vai determinar as medidas. O grupo de trabalho conta com sete entidades: a ASAE, a direção-geral do Consumidor, a Agência Portuguesa do Ambiente, a Autoridade Tributária, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (responsável pela homologação de veículos), o Instituto Português da Qualidade e a AICEP.

Pires de Lima aproveitou, após a reunião, para “separar águas” entre o grupo Volkswagen e a fábrica da Autoeuropa, em Palmela. “Mesmo que eventualmente no passado tenham sido produzidos veículos com motores com este software fraudulento [em Portugal], não é responsabilidade da gestão da Autoeuropa”, sustentou Pires de Lima aos jornalistas.

Usados à venda disparam

Na última semana apareceram, no Standvirtual, 1272 novos anúncios de venda de carros das marcas do grupo VW, um aumento de 43,8% face à média das oito semanas anteriores. Mas foi a 1 de outubro, depois de ter sido revelado o número de carros afetados em Portugal, que o aumento foi substancial: foram publicados 408 anúncios só neste dia, mais 312% do que a média registada nos 16 dias anteriores.

Fazendo a distinção por marcas, são os comerciais da Volkswagen que se destacam: houve mais 220% de anúncios esta semana do que na média de anúncios da marca das oito semanas anteriores.

A Audi e a Skoda, que anunciaram esta semana quantos carros foram afetados pela manipulação das emissões também se destacam no portal do Standvirtual: os anúncios aumentaram, respetivamente, 39% e 83% esta semana.

Este aumento no número de anúncios de venda surge depois de a Volkswagen ter admitido que manipulou as emissões de gases poluentes em vários dos seus modelos. Há 11 milhões de carros afetados por todo o mundo e alguns analistas antecipam que estes carros vão ficar desvalorizados – até porque as anomalias nos motores em causa terão de ser corrigidas, o que poderá afetar o desempenho dos carros.

O Standvirtual salienta, porém, que não é possível concluir que haja uma relação direta entre estes dados e o escândalo do Volkswagen.

EUA alargam investigação

No outro lado do Atlântico, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla original) vai alargar a investigação aos carros a gasóleo para verificar se existem dispositivos semelhantes aos usados pela Volkswagen em 11 milhões de veículos em todo o mundo e que manipulam as emissões entre os testes de laboratório e a condução real.

BMW, Chrysler, grupo General Motors, Land Rover e Mercedes são algumas das empresas envolvidas neste processo, segundo o Financial Times.

Entre os modelos testados está, por exemplo, o BMW X3, automóvel que foi referido na semana passada pela revista alemã da especialidade AutoBild por causa da emissão de gases 11 vezes superior ao máximo permitido nas normas da UE (Euro6). O todo-o-terreno Chrysler Grand Cherokee, o Chevrolet Colorado, o Range Tover TDV6 e a berlina Mercedes E250 BlueTec também serão testados.

Este alargamento foi conhecido no mesmo dia em França e Itália iniciaram a investigação ao grupo alemão.

A Autoridade da Concorrência italiana vai analisar se existem “práticas comerciais impróprias”, após ter recebido queixas de grupo de consumidores. Já o Ministério Público francês abriu uma investigação preliminar por suspeita de “fraude agravada”, porque o caso das emissões pode ser perigoso para a saúde.

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