Web Summit entre o online e o presencial. "Podemos ter o dobro das pessoas"

Conferência Collision from Home já começou e, tudo indica, é o ponto de partida para uma Web Summit 'híbrida' que pode ter o dobro dos participantes

O primeiro grande teste da empresa que gere a Web Summit no mundo das conferências online começou esta terça-feira, com o Collision from Home. O evento que era suposto decorrer pelo segundo ano seguido em Toronto, no Canadá - é a Web Summit da América do Norte -, passou para o formato online (foi anunciado logo em março) e serve como uma espécie de teste para o evento de novembro em Portugal.

Paddy Cosgrave - com o aval do Governo português e do município de Lisboa (no início do mês admitiu que a decisão seria de Portugal) - anunciou a semana passada que a Web Summit 2020 irá mesmo realizar-se em novembro ao vivo em Lisboa. Ficaram por dar os pormenores sobre o evento em plena pandemia, algo que começa agora a ser aos poucos revelado também com o teste da conferência Collision.

Tudo indica, será difícil a Web Summit repetir ou mesmo aproximar-se dos 70 mil participantes presenciais que se tem visto no evento nos últimos dois anos em Lisboa - na verdade, Cosgrave já admitiu que até desejava que esse número já tivesse sido maior. O que o teste da Collision permitirá, assim, é criar dois tipos participantes, online e presenciais, isto se a opção não passar mesmo por convidados em formato presencial e público em geral no formato online.

O otimista Paddy Cosgrave diz-nos que só esta quarta-feira serão revelados oficialmente mais alguns pormenores sobre a Web Summit de novembro, mas já deixou escapar no Twitter que acredita que é possível ter online o dobro das pessoas que participaram na Web Summit (offline) de 2019, ou seja, até 140 mil.

Veja mais aqui

"Será o melhor de dois mundos para Portugal, duas vezes os participantes e com zero risco para a saúde em Portugal", diz Cosgrave.

Já a maior feira de eletrónica de consumo da Europa, a IFA de Berlim, mantém o evento presencial de setembro mas de forma ultralimitada, com mil participantes por dia (costumam ser dezenas de milhares) e fechado ao público em geral - e fazendo algum uso de ferramentas online para a generalidade do público habitual.

Dos bugs ao "feedback incrível": Collision arrancou

A cumprir o horário do Canadá, a Collision from Home arrancou esta tarde, pelas 15h, com vários bugs iniciais e dificuldades para alguns dos 31 mil participantes inscritos (de 141 países) em aceder à web app que alimenta a experiência de conferência online - em conjunto com a app móvel da Collision. Os problemas iniciais eram algo expectável, diz Cosgrave, já que a plataforma de conferência integrada numa web app e que é feita pela equipa da Web Summit - liderada pelo engenheiro português João Soares - nunca tinha sido testada com tantas pessoas.

"Quando escalamos software desta forma, por mais testes que façamos, nunca podemos prever o comportamento em cada área da web app", explica Cosgrave. Certo é que os problemas parecem ter passado rapidamente - foi precisamente esse o nosso caso, depois de alguns minutos com erros que dificultavam a entrada na plataforma. "Passado a primeira hora encontrámos a maioria dos bugs tanto na web app como na app móvel e resolvemos tudo em tempo recorde", adianta Cosgrave.

Passado umas horas de evento, o CEO da Web Summit revela que "o feedback tem sido incrível", inclusive de alguns dos principais responsáveis de tecnológicas do mundo. "Para muitas pessoas o que conseguimos coloca num novo patamar as conferências online".

Já no verão do ano passado o líder do evento com contrato assinado para continuar em Lisboa até 2028 - a troco de 11 milhões de euros por ano - dizia-nos que um dos objetivos iniciais da Web Summit foi criar uma plataforma de software para conferências que pudesse ser 'alugada' a outros eventos. Agora, Cosgrave enfatiza isso mesmo explicando que já hoje foi contactado por outras empresas e conferências, inclusive pelas Nações Unidas, para puderem usar o software agora testado para eventos online.

Nesse domínio, Cosgrave admite que o investimento no início do ano na londrina Hopin, uma startup especializada em conferências online, foi estratégico mas o software usado no Collision é apenas da sua equipa na Web Summit.

Certo é que esta quarta-feira serão disponibilizadas e testadas mais algumas novidades e funcionalidades no evento online focado no networking. O irlandês de 37 anos congratula-se mesmo por existirem centenas de pessoas durante as conferências a terem conversas-vídeo mesmo durante as conferências nos muitos 'palcos' virtuais.

"Estou surpreendido com a quantidade de pessoas que prefere estar a fazer networking por vídeo em vez de ouvir os oradores (...) parece que o comportamento natural das pessoas numa conferência online é NETWORKING quando damos às pessoas essa opção e não necessariamente consumir o conteúdo", diz.

Exemplo da web app, com as várias modalidades

E como é a experiência? Vamos fazer o relato da experiência completa no final da semana, mas resumimos da seguinte forma: a app móvel é uma espécie de auxiliar para escolher conferências e pessoas de interesse, permitindo comunicar e também, se quisermos, assistir a alguns dos palcos, mas o principal da ação passa-se na web app, para usar num computador ou tablet. A organização dos palcos existentes e possibilidades de networking é muito semelhante ao evento presencial.

Há o Canal 1, uma espécie de palco principal, onde decorrem as principais conferências, depois Canal 2, Canal 3, Rádio Collision (onde há pequenas entrevistas e conversas paralelas), Classic talks (conversas de Web Summits anteriores) e workshops (onde é possível aprender algumas técnicas com vários parceiros).

A lista de eventos em simultâneo é bem grande, por isso é preciso escolher o que queremos ver. Cada conferência remota tem a zona de vídeo, mas permite reações do público por baixo, com sorrisos, palmas, polegares para cima e para baixo e tomates (sim, leu bem, tomates) - também é possível desligar as reações. Ao lado do vídeo podemos ver quem assiste (os nossos contactos aparecem por cima) e conversar numa sala de conversa ligada a cada 'palco'.

Depois podemos interpelar qualquer participante e convidá-lo para uma conversa-vídeo ou mesmo agendar uma conversa. No topo existe precisamente a secção de Explore, pode podemos procurar participantes, startups e parceiros do evento que interesse conhecer ou contactar. A seção Breakout permite participar em sessões Q&A (perguntas e respostas) com um dos oradores, entrar numa masterclass com um especialista ou entrar em grupos de conversação criados - existe, por exemplo, um só para Portugal. Por desbloquear estão opções como Salas de Parceiros e as chamadas Salas de Comunidades.

Uma experiência mais completa do que é habitual na maioria de conferências online a que temos assistido. A única que se aproxima desta nível de opções foi a conferência de realidade virtual VR/AR Global Summit Online, no início do mês, que usou a plataforma da Hopin.

Vimos várias vezes mais de 3500 pessoas a assistir ao Canal 1 (o palco principal), mais de duas mil a assistir ao Canal 2 e mais de mil no Canal 3. Cosgrave admitia a meio da tarde que chegaram a estar 7 mil no Canal 1 e 15 mil em simultâneo a assistir aos canais das conferências.

O primeiro dia do evento contou com responsáveis da Netflix, Google, Microsoft, Box, Booking.com, eBay, bem como médicos e investigadores de saúde pública e personalidades como Shaquille O’Neal.

Tudo ficou concluído ao final da noite em Portugal com uma declaração de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, que apelou ao mundo tecnológico para colocar a sua experiência e talento ao serviço de uma melhor saúde pública em tempos de pandemia, com o máximo de responsabilidade e ética possível.

Amanhã há mais (incluindo os tais anúncios sobre a Web Summit em Lisboa). O evento termina na quinta-feira, 25 de junho.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de