Weedmaps. O Google Maps da marijuana

Justin Hartfield, Weedmaps
Justin Hartfield, Weedmaps

Em meia hora de caminhada pelo paredão de Venice Beach encontra-se pelo menos meia dúzia de lojas que vendem marijuana e ensinam a consumir. Nestes Green Doctors é possível encontrar crianças. Sim, é tudo legal.

A Califórnia é um dos Estados norte-americanos que legalizaram a
utilização de variantes da planta canábis para fins medicinais,
mediante um cartão de autorização do médico. E há uma
tecnológica a lucrar milhões com isto: a Weedmaps, um Google Maps
que abrange 95% dos dispensários de marijuana do mundo.

A
ideia do site começou em 2007, quando Justin Hartfield recebeu o seu
cartão de uso médico de marijuana para tratar insónias severas e
dores nas costas. Quando procurou informação online encontrou
apenas um fórum antiquado. O que ele queria era um diretório online
dos dispensários para saber se tinham o que ele precisava. Como não
havia, criou um.

“Fui de porta em porta, literalmente,
durante doze meses, desde Oakland até San Diego”, conta ao
Dinheiro Vivo o CEO da empresa, à margem da conferência de startups
Collision, que decorreu esta semana em Las Vegas. Justin visitou 800
dispensários e convenceu boa parte deles a entrarem no diretório e
a partilharem o seu menu online, para que os utilizadores possam
saber o que há disponível antes de se meterem no carro e conduzirem
até lá. “Tive de mudar o meu número de telemóvel depois disso”,
brinca Hartfield, que foi convidado para falar num painel da
Collision. “Fiquei muito surpreendido. Aos olhos de muita gente,
ainda é algo ilegítimo. Ainda há um elemento criminal associado”,
reconhece. “Ser convidado foi inesperado, e penso que mostra que o
mundo está a mudar.” É capaz de estar mesmo.

Os Estados
do Alasca, Oregon e Florida deverão legalizar o uso medicinal da
marijuana ainda este ano, e no Colorado foi descoberta uma nova forma
de usar canábis para tratar crianças com cancro. “Crianças que
fazem quimioterapia e não podem ir à escola porque estão sempre
com náuseas e cansadas usam CBD [cannabidiol], parte da planta que
não deixa as pessoas pedradas, para terem uma vida normal”,
adianta Hartfield. “Há muitas famílias com filhos doentes que se
estão a mudar para o Colorado, porque ali é legal.”

Este
ano, o Colorado vai encaixar 134 milhões de dólares com impostos
diretos sobre este mercado. E Todd Harrison, CEO do site financeiro
MInyanville, já disse que a canábis “será a melhor ideia de
investimento dos próximos dez anos.”

O Weedmaps contém
informação de 4400 dispensários, a maioria dos quais nos EUA
(4100) e 300 em Espanha e na Holanda. Hartfield acredita que a Europa
vai tornar-se um grande mercado. “Espanha é um dos nossos maiores
mercados. Só em Barcelona há mais de 400 clubes sociais de
canábis”, diz. A utilização é gratuita para os consumidores e
paga pelos dispensários, que têm uma licença mensal de 420 dólares
para estarem no mapa. Os que quiserem funcionalidades premium, como
aparecerem no topo da lista de resultados, têm de pagar mais. Os
serviços que são apenas de distribuição pagam 295 dólares por
mês. É um negócio rentável: só no ano passado, a Weedmaps
faturou 25 milhões de dólares.

Hartfield compara a marijuana
ao vinho, com diferentes sabores e efeitos. “Há diferentes formas
de ingerir marijuana. Pode-se fumar, pode-se comer, pode-se usar como
loção, todas têm diferentes resultados. Algumas são imediatas,
outras demoram uma hora a ter efeito”, explica. “Alguém com
cancro na pele vai pôr creme. Quem tem insónia pode fumar.”
Hartfield. “Os factos são claros: é menos perigosa que o álcool
e não é tóxica. Não se consegue ter uma overdose. É segura. Há
tantos problemas por não ser legal. Cria um mercado negro. Se fosse
legalizada seria como álcool, vendida em lojas a pessoas com
identificação e maiores de idade.”

Em Portugal, já este
ano, o presidente do IPO Porto defendeu precisamente o uso de canábis
para efeitos medicinais. O médico Laranja Pontes sublinhou os bons
resultados terapêuticos em casos como cancro, psoríase ou esclerose
múltipla. “Penso que o modelo de proibição, dizer não, não
funciona. As pessoas são tão espertas que vão conseguir as drogas
de qualquer forma”, acrescenta Hartfield, que acaba de lançar um
novo site, marijuana.com, apenas com conteúdos informativos (e até
uma médica residente) sobre a droga.

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