Mobiliário

Wewood. Abre em Londres numa montra do século XIX

Os móveis Wewood são produzidos pela casa-mãe, a Móveis Carlos Alfredo, uma escola de marceneiros. Foto: Octávio Passos/Global Imagens
Os móveis Wewood são produzidos pela casa-mãe, a Móveis Carlos Alfredo, uma escola de marceneiros. Foto: Octávio Passos/Global Imagens

Marca portuguesa de mobiliário de design já vende em 54 países. Chegou agora à britânica Heal’s e ambiciona instalar-se em Paris e Milão.

A Wewood, fabricante portuguesa de mobiliário de design, apostou na abertura de um showroom na prestigiada retalhista britânica Heal’s, um movimento contra a maré de empresas e marcas que estão a abandonar o Reino Unido por causa do brexit. Aliás, foi esta debandada que criou a oportunidade. “Já tínhamos sido abordados para nos instalarmos na sua loja, mas no início deste namoro os preços eram incomportáveis para a nossa realidade”, conta Hugo Ferro, responsável pela comunicação da empresa de Gandra.

Para a Wewood, que tem no Reino Unido o seu segundo mercado de exportação, o brexit abriu-lhe o caminho para o reforço nesta geografia. Em setembro, os seus móveis de design de autor passaram a ocupar um espaço de 53 metros quadrados no primeiro andar da loja da capital inglesa. Como sublinha Hugo Ferro, a Heal’s “é uma das principais retalhistas de mobiliário britânica, criada no século XIX, e que tem um espaço na principal rua de mobiliário de luxo de Londres”. A aposta da fabricante portuguesa está a correr bem. “Em dois meses já concretizámos quatro vendas”, diz. Pode parecer pouco, mas o mobiliário da Wewood não é para todos os bolsos.

Como 95% da faturação é gerada no exterior – no currículo tem vendas para 54 países -, a empresa está a equacionar abrir espaços em Paris e em Milão, importantes capitais da moda, com populações com poder de compra e que apreciam móveis de design com uma componente artesanal, explica. A Wewood tem o seu próprio gabinete de design mas, à semelhança de outras marcas, convida artistas a desenharem algumas peças. Nomes como Aurélien Barbry, Pierre Dubourg, David Dolcini ou os portugueses Gonçalo Campos e Rita Botelho já desenharam móveis exclusivos para a empresa.

Segundo Hugo Ferro, as vendas atingiram no ano passado 1,5 milhões de euros, com França, Reino Unido, Benelux, Estados Unidos e China a distinguirem-se como principais mercados. Para este exercício, as perspetivas apontam para a duplicação da faturação, performance impulsionada pela entrada na área da hotelaria em Portugal, Espanha e França.

Nova fábrica
A crise que assolou o país e o setor do mobiliário foi o motor propulsor para a criação da Wewood. Salvador Gonzaga, filho do fundador da Móveis Carlos Alfredo – fabricante de móveis de madeira maciça -, começou, em 2009, a idealizar a constituição de uma empresa de mobiliário de design que, quatro anos depois, se materializou na primeira coleção de raiz da Wewood. Dois anos mais se passaram até que os móveis foram apresentados ao público na Maison & Objet, em Paris, uma das principais feiras mundiais do setor. A aposta foi ganha.

No entretanto, a crise foi debelada e a Móveis Carlos Alfredo (casa-mãe da Wewood e responsável pelo fabrico dos produtos da marca de design) está agora a finalizar um investimento de três milhões de euros, que integra a concentração de toda a produção em Gandra, Paredes, e novos escritórios. A Móveis Carlos Alfredo, que se assume como uma escola de marceneiros, produz móveis para lar, cujo principal destino é França. A empresa fatura anualmente sete milhões de euros.

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