Renováveis

Wikinger. O parque da Iberdrola cujas torres são maiores do que o Big Ben

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Instalado no Mar Báltico, a 70 quilómetros da costa continental alemã, o parque eólico offshore da Iberdrola ocupa uma área total de 34 km2

A Iberdrola inaugurou esta segunda-feira de manhã, em Sassnitz, na Alemanha, o seu primeiro parque eólico offshore no país. Um investimento de 1400 milhões de euros, com uma capacidade instalada de 350 megawatts (MW), distribuídos por 70 torres eólicas colocadas no mar, a 70 quilómetros da costa continental alemã, e que ocupam uma área de 34 quilómetros quadrados. Números “impressionantes”, destacou o diretor de negócios da Iberdrola, Francisco Martínez Córcoles, na cerimónia inaugural, lembrando que cada uma das 70 torres tem 165 metros de altura, duas vezes e meia o monumento da Coluna da Vitória, em Berlim, ou mais de uma vez e meia o Big Ben, em Londres.

Francisco Martínez Córcoles frisou o papel “catalisador” do projeto de Wikinger na criação de “novos hubs industriais e tecnológicos” na Alemanha, Espanha e Dinamarca, entre outros, “revitalizando” setores tradicionais, como indústria naval, e criando novas oportunidades de negócio para outras. “Wikinger é um exemplo do sucesso de uma Europa unida. Com isso, mostramos que, somando os nossos pontos fortes e o nosso talento, o nosso continente tem todos os elementos para liderar o desenvolvimento deste tipo de tecnologias, líderes em outros países onde a Iberdrola já está a realizar novos parques eólicos offshore. Como consequência desse esforço conjunto, todo o parque eólico foi construído em apenas 18 meses, apesar da sua complexidade técnica e dos desafios decorrentes do trabalho a dezenas de quilómetros da costa, onde as condições climáticas podem tornar-se extremas, especialmente no inverno”, sublinhou.

A construção do parque de Wikinger envolveu mais de dois mil trabalhadores de 20 países distintos. Os 280 pilares sobre os quais assentam as turbinas foram construídos pela espanhola Windar. Cada um tem 40 metros de comprimento e 2,5 metros de diâmetro e pesa 150 toneladas. Sobre os pilares foram colocadas 70 fundações com 620 toneladas, fabricadas pela dinamarquesa Bladt e pela espanhola Navantia, no seu estaleiro em Fene (Galiza). Já as 70 turbinas são da responsabilidade da Siemens Gamesa e foram produzidas na Alemanha. Com uma potência unitária de 5 MW são as turbinas eólicas de maior potência que a Iberdrola instalou até ao momento. Com uma altura total de 165 metros, são formados por uma nacela de 222 toneladas de peso, um rotor de 135 metros de diâmetro, cujas pás rotatórias assumem 77,5 metros de comprimento cada e uma torre de 75 metros de altura.

Peça fundamental no parque Wikinger é a subestação marinha, designada de Andaluzia, que será utilizada em conjunto pela Iberdrola e pela 50Hertz – operadora do sistema elétrico alemão. A instalação, que se pode designar por o coração energético do parque, foi construída também pela Navantia na sua sede, em Puerto Real (Andaluzia). Pesa cerca de 8500 toneladas.

O diretor de negócios da Iberdrola destacou, ainda, o “forte compromisso” do grupo na transição energética para uma economia livre de carbono, sublinhando que, desde 2000, já foram investidos quase 100 mil milhões de euros em renováveis, redes e armazenamento. O grupo vai investir mais 32 mil milhões de euros até 2022, metade dos quais para redes e 11,5 mil milhões para renováveis, de modo a aumentar a sua potência renovável em quase um terço, para 36 200 MW. No final de 2017, a Iberdrola contava com capacidade instalada de 48 447 MW em todo o mundo, dos quais 29 mil em energias renováveis.

Só na tecnologia eólica marinha, o grupo espanhol tem em desenvolvimento, para conclusão até 2023, quatro projetos, na Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos, num investimento total de nove mil milhões de euros. À margem da cerimónia, Estanislao Rey-Baltar, diretor do projeto Wikinger ‘Offshore’ Wind Farm, frisou a aposta estratégica da Iberdrola em crescer na eólica marinha, já que, com os custos de investimento deste tipo de tecnologia a cair, “os projetos começam, também, a ser muito mais eficientes”. “A experiência de Wikinger deu confiança à Iberdrola para poder dar um salto e metermo-nos em mais projetos”, sustentou.

Com mais de 34 mil trabalhadores e ativos superiores a 110 mil milhões de euros, a Iberdrola fornece energia para quase 100 milhões de pessoas, em especial em Espanha, no Reino Unidos, nos EUA, no Brasil e no México. O grupo, que se assume como o “principal produtor” de energia eólica no mundo, faturou 3263 milhões de euros e obteve lucros líquidos de 2804 milhões em 2017. E pretende que, até 2022, o seu EBITDA se situe nos 12 mil milhões.

Na cerimónia inaugural desta segunda-feira participaram, também, Boris Schucht, o CEO da 50Hertz, a operadora do sistema elétrico alemão, e o ministro alemão da Energia, Infraestrutura e Digitalização do Estado federal de Meclemburgo-Pomerania Ocidental.

  • * A jornalista viajou a convite da Iberdrola
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