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Women on Boards: Mulheres chegam ao topo mas com menos poder

Cláudia Azevedo, presidente executivo do grupo Sonae, que passou de lucros a prejuízos no primeiro trimestre por causa da pandemia. 
(Amin Chaar / Global Imagens)
Cláudia Azevedo, presidente executivo do grupo Sonae, que passou de lucros a prejuízos no primeiro trimestre por causa da pandemia. (Amin Chaar / Global Imagens)

Inapa, Corticeira Amorim e Sonae Capital são as empresas que têm uma representação mais equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos de gestão.

As mulheres têm cada vez mais representatividade nos órgãos de gestão das empresas. Se em 2016 representavam 14,3%, depois de a lei da paridade nas empresas cotadas em bolsa entrar em vigor representam 24,8% (abril de 2019).

A lei n.62/2017 exige que “a proporção de pessoas de cada sexo designadas de novo para cada órgão de administração e de fiscalização de cada empresa não pode ser inferior a 20%, a partir da primeira assembleia geral eletiva após 1 de janeiro de 2018, e a 33,3%, a partir da primeira assembleia geral eletiva após 1 de janeiro de 2020”.

O aumento deve-se sobretudo aos cargos não executivos (31,7% em abril de 2019), o que quer dizer que, apesar de estarem a chegar ao topo, continuam a ter menos poder que os homens, assim indica o projeto de investigação Women on Boards, coordenado por Sara Falcão Casaca e Maria João Guedes, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). “Com a apresentação deste WoBómetro pretende-se divulgar informação relevante sobre a representação de mulheres e homens nos órgãos de gestão das empresas cotadas em bolsa e das entidades do setor empresarial do Estado (SEE) em Portugal”, indica o relatório.

A percentagem de mulheres nos órgãos de administração das maiores empresas cotadas em bolsa é de 25% em Portugal, três pontos percentuais abaixo da média europeia (UE-28).

Em outubro de 2019, das 39 empresas cotadas na Euronext Lisbon, apenas 22 divulgaram os seus Planos para a Igualdade. À data, há 12% de mulheres em cargos executivos e apenas uma mulher CEO, é o caso de Cláudia Azevedo (Sonae), a única mulher no cargo mais alto da gestão executiva entre estas empresas.

O pódio do Top WoB, relativo às empresas cotadas em bolsa e contabilizando apenas os membros efetivos, é composto pela Inapa – com uma representação das mulheres em cargos de gestão de 43% -, a Corticeira Amorim e a Sonae Capital – ambas com 33% – e a Jerónimo Martins e a Sonae (30%).

No que diz respeito ao setor empresarial do Estado (SEE), contabilizado 186 empresas, de acordo com uma lista facultada pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais, 37% de mulheres ocupam cargos executivos, mas apenas 25 empresas divulgaram os seus Planos para a Igualdade. Nas entidades onde a lei já é aplicável, as mulheres representam 42% em cargos executivos e 38% em não executivos.

A equipa de investigadores explica que “embora no caso das empresas cotadas na Euronext Lisbon a informação relevante seja pública, o mesmo não se aplica ao setor público empresarial (SPE). Em relação ao SEE, não foi possível reunir informação sobre a composição dos órgãos de gestão para todo o universo”.

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