Worten com "triplo das vendas" no desconfinamento. Sabe o que compraram?

Procura elevada por equipamentos de conservação e preparação de alimentos, máquinas de café, produtos de informática e aparadores de cabelo e barba.

Os portugueses 'descobriram' as compras online no período do confinamento imposto pela pandemia do novo coronavírus. Na Worten a procura na loja da marca de produtos eletrónicos disparou, mas mesmo após a reabertura da economia as vendas continuam em alta. "Com o atual desconfinamento, esse crescimento tornou-se menos acentuado, mas, ainda assim, registamos o triplo das vendas face ao mesmo período de 2019", adianta Inês Drummond Borges, diretora de marketing da Worten, ao Dinheiro Vivo. Já com mais de mil vendedores, o marketplace representa cerca de 20% das vendas online da marca, em Portugal.

A insígnia da Sonae nunca fechou portas, mesmo no período de confinamento, mas foi o online que mais manteve a marca ligada aos consumidores. Nesse período, a loja online da Worten "registou sete vezes mais vendas do que em igual período do ano passado, com mais do dobro do tráfego, o que veio consolidar a nossa posição de liderança no e-commerce em Portugal", diz Inês Drummond Borges, reforçando que a loja online "já era uma das nossas maiores lojas em volume de vendas, mesmo antes do Estado de Emergência".

E as entregas em casa também dispararam no período. "Naturalmente que o envio de encomendas ao domicílio disparou durante as semanas de confinamento para números sem precedentes nesta época. Mesmo entre quem já tinha o hábito de comprar online, antes da crise sanitária, a preferência quanto ao método de entrega costumava recair maioritariamente sobre o levantamento em loja", refere a responsável de marketing. "É claro que esta situação se inverteu neste período, até porque as entregas numa morada à escolha do cliente estiveram gratuitas durante cerca de dois meses em worten.pt, de modo a que a nossa proposta de valor viesse ainda mais ao encontro das circunstâncias que todos nós, enquanto consumidores, vivíamos".

"O volume de entregas ao domicílio durante o confinamento foi cinco vezes superior a igual período do ano passado. Naturalmente que este pico de crescimento se reduziu, à medida que se aligeiraram as restrições às deslocações, mas ainda assim entregamos agora em casa dos nossos clientes quase três vezes mais produtos do que há um ano", destaca Inês Drummond Borges.

Assim no pós-confinamento, o "crescimento tornou-se menos acentuado, mas, ainda assim, registamos o triplo das vendas face ao mesmo período de 2019".

Em maio, de acordo com os dados da Marktest, o site de comércio online da Worten registou um alcance (reach) de 1,764 milhões de indivíduos, o que representa 20,6% dos portugueses com idade igual ou superior a 15 anos.

E o que encomendaram os portugueses?

O tipo de produtos mais encomendados foi também evoluindo à medida que se prolongava o confinamento. "Primeiro, notou-se uma grande procura por equipamentos de conservação e preparação de alimentos, máquinas de café e produtos de informática – particularmente portáteis e impressoras", descreve Inês Drummond Borges.

"A gama de informática tem mantido uma procura acentuada e constante, ao longo de todo este período de confinamento e agora na fase de desconfinamento, facilmente justificável pelo facto de o teletrabalho e ensino à distância continuarem a fazer parte da rotina da maioria dos portugueses. Por exemplo, entre 15 de março e 1 de junho deste ano, o valor de vendas dos portáteis ultrafinos foi quatro vezes superior ao valor de igual período do ano passado, o das impressoras quase triplicou e o dos tinteiros cresceu cerca de 80%", exemplifica.

Depois, na segunda metade do confinamento, foi a 'corrida' aos produtos de cuidado pessoal masculino que "registaram uma procura muito superior à de anos anteriores". Os números são expressivos. "De 15 de abril a 31 de maio deste ano, o valor de vendas dessa categoria cresceu 75% face ao período homólogo de 2019, sendo que os aparadores de cabelo, por exemplo, quase que quadruplicaram vendas, enquanto os aparadores de barba registaram um aumento de vendas, em valor, superior a 100%", refere. A diretora de marketing da Worten tem uma explicação simples para o fenómeno: "O efeito do encerramento de barbeiros e cabeleireiros claramente a fazer-se sentir aqui…"

Um comportamento que também se refletiu no mercado espanhol, onde a marca está presente em lojas físicas, mas também com loja online: neste mercado as vendas triplicaram durante o Estado de Emergência no país

"Em Espanha, também registámos um importante crescimento das vendas online, triplicando a performance, desde o início do Estado de Emergência no país. As três categorias de produtos mais vendidos, nessa fase, foram os grandes eletrodomésticos, os artigos de informática e de entretenimento", adianta Inês Drummond Borges. Notou-se também, tal como em Portugal, "um aumento da procura pelos produtos de cuidado pessoal masculino (as tais máquinas de barbear e aparadores de todos os géneros)".

"Naturalmente que em Espanha, onde as medidas de confinamento foram ainda mais restritivas e prolongadas do que em Portugal, as tendências respeitantes aos volumes de entregas ao domicílio foram semelhantes às sentidas em Portugal", adianta.

Marketplace já com mil vendedores

A pandemia também impactou as vendas do marketplace: aumentou o número de vendedores e os crescimentos nove vezes acima de igual período do ano passado.

"O modelo de negócio marketplace tem tido crescimentos ainda mais acentuados, da ordem das nove vezes mais face ao período homólogo. Também acelerámos a incorporação de 'sellers' (vendedores) na nossa plataforma – ultrapassámos já os 1000 vendedores", revela a diretora de marketing.

Marcas da Sonae, como Note (papelaria), Wells (saúde e bem-estar) e Zu (animais de estimação) passaram a integrar o marketplace alargando a oferta. "Este crescimento de vendedores tem-se concentrado nas categorias de puericultura, casa, decoração e jardim, material de escritório e brinquedos. O objetivo, naturalmente, é continuarmos a crescer neste modelo de negócio", diz Inês Drummond Borges, sem adiantar uma meta.

Neste momento, o Marketplace "representa cerca de 20% das vendas online, em Portugal". Em Espanha, está "um pouco abaixo, até porque foi lançado mais recentemente, mas acompanha com excelentes ritmos de crescimento."

Até março a cadeia faturou 232 milhões de euros em linha com o ano passado. A responsável não adiantou dados sobre a evolução. "A Sonae deverá apresentar os resultados referentes ao 2.º trimestre deste ano em agosto. Teremos de esperar até lá."

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