Investigação

Yupido. Jogos de fortuna e azar levam a contestação da Estoril Sol

yupido

Dona dos casinos de Lisboa e do Estoril contestou o registo da marca Kuaboca, apresentado em 2015 pela Yupido.

Foram duas as marcas que a Yupido registou junto da Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): a Kuaboca e a Quaquado. O pedido de registo da primeira incluía, no seu âmbito de proteção, a realização de serviços da classe 41 da classificação de Nice, na qual se inclui a prática de jogos de fortuna e azar. Por isso, recebeu uma contestação da Estoril Sol, dona dos Casinos do Estoril e de Lisboa.

“Como é sabido essa é uma atividade reservada ao Estado Português e que apenas pode ser explorada por empresas a quem o Estado tenha concedido licença, o que claramente não era o caso da requerente, pelo que a inclusão de tais serviços seria contrária à lei”, explicou a administração da Estoril Sol ao Dinheiro Vivo, indicando ainda que o pedido de oposição ativa foi parcialmente acolhido pelo INPI.

A classificação de Nice estabelece o âmbito de proteção das marcas, sendo os números 1 a 34 reservados a produtos e os 35 a 45 atribuídos a serviços.

O pedido da Yupido para a Kuaboca foi para a “classe 9” – cujo âmbito inclui aceleradores de partículas, gravadores áudio, aparelhos de armazenamento de dados, instrumentos de ótica, entre outros -, para a “classe 35” – onde se inserem licenciamento de produtos e serviços, aquisição de contratos para compra e venda de bens e aluguer de máquinas e aparelhos de escritório, entre outros.

Além disso, o pedido abrangeu também a “classe 38” – difusão e transmissão de programas de rádio, fornecimento de acesso a dados através da internet, serviços de acesso a programas informáticos, entre outros – e a tal “classe 41” que, para além da prática de jogos de fortuna e azar, protege também a marca no âmbito do aconselhamento de carreira e coaching, aluguer de equipamentos de mergulho, apresentação de peças de teatro, edição de vídeo, entre outros.

Já o registo da Quaquado ocorreu apenas na “classe 35” da classificação de Nice.

Ler também: Yupido garante “origem legal” de 29 mil milhões de euros

Os âmbitos de proteção da marca são tão vastos quanto parece ser a atuação da própria Yupido, que no seu registo comercial apresenta uma extensa lista, onde cabem atividades como consultoria tecnológica, contabilidade, venda de publicidade ou edição de livros, jornais e revistas.

Ao Dinheiro Vivo, Francisco Mendes, porta-voz da empresa, assegurou que a Yupido faz “consultoria de gestão para dar apoio a empresas”. E estará a preparar para o próximo ano o lançamento de “uma serie de serviços em diversas áreas”. O responsável assegurou ainda a “origem legal” do capital social da empresa, que estava nos 243 milhões aquando da sua formação, em julho de 2015, e passou para perto de 29 mil milhões de euros, cerca de seis meses depois, devido à entrada de um valioso e inovador software.

Ler também: Autoridades seguem rasto da tecnológica que “vale” milhões

António Alves da Silva, o revisor oficial de contas que certificou a avaliação milionária do ativo que levantou o capital social para valores estratosféricos, ele próprio vogal da Estoril Sol, que protagonizou a contestação do registo da marca Kuaboca, reiterou ao Observador, “a razoabilidade de avaliação do direito intangível em causa,” considerando-se “completamente confortável” com o valor que deu à plataforma inovadora da Yupido.

Em comunicado enviado às redações, a Ordem dos Revisores Oficias de Contas afirmou ter tomado conhecimento do caso, através dos órgãos de comunicação social, considerando que a avaliação de Alves da Silva “configura uma operação muito atípica”, tendo iniciado diligências “com vista à análise da situação”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Foto: TIAGO PETINGA/LUSA

Bruxelas pede a Centeno 1,4 mil milhões em novas medidas para acertar OE2020

Faria de Oliveira, presidente da APB.

Banca portuguesa entre a que mais se desfez de ativos tóxicos na Europa

5G NOS

NOS anuncia Matosinhos como “primeira cidade” em Portugal com cobertura 5G

Outros conteúdos GMG
Yupido. Jogos de fortuna e azar levam a contestação da Estoril Sol