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YouTube convida ‘inspectores externos’ a policiar anúncios

Plataforma de vídeo do Google quer dar novas garantias aos anunciantes, depois de anúncios terem surgido em páginas de ódio.

O YouTube convidou parceiros externos a monitorizar os anúncios, num esforço para acalmar marcas como a AT&T ou a L’Óreal que congelaram o investimento depois de campanhas terem sido encontradas em sites promotores de ódio. Mas os poderes dos ‘novos polícias’ são limitados, noticia a AdAge.

“Como parte do nosso compromisso para mais transparência e visibilidade para os nossos parceiros de publicidade, estamos a trabalhadores com fornecedores de confiança para fornecer relatórios de segurança para as marcas sobre o YouTube”, disse um porta-voz do Google, num comunicado citado pela CNBC. “Estamos a trabalhar com empresas que estão no MRC (Media Ratings Council) acreditadas para a verificação de anúncios nesta iniciativa e começaremos a integrar estas tecnologias em breve.”

Leia ainda: Google. Como um anúncio na página errada abre uma crise no negócio

Há muito que os anunciantes se queixam de que o Google e o YouTube são ‘caixas negras’, já que não há verificação externa dos dados. Queixas que ganharam força depois de ter sido noticiado que no Reino Unido anúncios das marcas tinham sido encontrados em páginas de ódio, tendo, deste modo, de forma inadvertida os anunciantes financiado páginas extremistas. Do Reino Unido, o problema rapidamente alastrou para os Estados Unidos com uma série de anunciantes a anunciar terem congelado os seus investimentos nas plataformas enquanto não recebessem garantias de que o problema estava resolvido.

Um problema que pode representar este ano perdas de 750 milhões de dólares, segundo estimativas de analistas, citadas pela AdAge.

O Google, dona do YouTube, reagiu logo depois com medidas que dão um maior controlo aos anunciantes tendo esta semana adiantado que vai convidar a parceiros externos a monitorização das campanhas. Como é que parece que ainda está a ser definido.

“Fomos notificados pelo Google que o DoubleVerify foi escolhido como um dos parceiros externos de medição para ajudar a resolver os problemas de segurança das marcas que foram identificadas pelos nossos clientes comuns”, disse um porta-voz da DoubleVerify, citado pela AdAge. “Neste momento, ainda não recebemos detalhes sobre a solução que estão a planear.”

As empresas que irão colaborar com o Google/YouTube irão agir como auditores, revendo a colocação das campanhas. Ou seja, vão informar os anunciantes onde correram as campanhas e se alguma campanha acabou por estar associada a inventário vídeo considerado inapropriado. Isso irá ajudar as marcas a retirar as campanhas desse espaço e não pagaram por isso, descreve a AdAge com base em fontes familiarizadas com o modos operandi do YouTube.

“Os detalhes ainda estão a ser trabalhados. Não penso que o objetivo de ninguém seja fornecer dados depois do facto. O objetivo é evitar que isto aconteça”, disse Scott Knoll, CEO da Integral Ad Science. Knoll, por exemplo, defende um sistema em que a empresa teria capacidade de rever cada um dos vídeos do YouTube e atribuir-lhes um grau de risco.

Uma lógica que entronca nas propostas avançadas na semana passada pelos grupos de comunicação WPP e Omnicom, dois dos maiores grupos mundiais de comunicação.

Na quarta-feira o GroupM, do grupo WPP, anunciou uma parceria com a OpenSlate para dar uma avaliação em termos de qualidade e segurança para as marcas, bem como relatórios sobre onde correm as campanhas. Já o grupo Omnicom optou por uma outra estratégia: “Estamos a construir isto de raiz”, disse Jon Anselmo, chief digital officer da Omnicom, citado pela AdAge. “São listas aprovadas de inventário que podemos afirmar com extrema confiança que são seguros para os clientes”, descreve. “Pontuações serão determinadas através da utilização de Inteligência Artificial e será construído com meta dados públicos e não públicos que não estavam anteriormente disponíveis aos anunciantes”.

Uma abordagem que inverte a estratégia seguida até aqui pelo YouTube/Google que argumentam que monitorizar os milhões de inventário é uma tarefa quase que impossível – só no YouTube são carregadas por minuto 400 horas de vídeo – tendo por isso apostado numa deteção mais rápida dos conteúdos inapropriados e numa política mais apertada de publicação dos conteúdos.

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