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Zalando sai de Portugal um ano depois de investir 3 milhões

Fundada em 2008, a Zalando está sedeada em Berlim (Alemanha). Fotografia: . REUTERS/Hannibal Hanschke
Fundada em 2008, a Zalando está sedeada em Berlim (Alemanha). Fotografia: . REUTERS/Hannibal Hanschke

Maior plataforma europeia de moda online pretendia contratar até 150 pessoas para o escritório de Lisboa. Apenas conseguiu 20 engenheiros de software.

A Zalando, uma das maiores plataformas europeias de moda online, vai sair de Portugal no final desta semana. O escritório aberto em Lisboa há apenas ano e meio vai fechar depois de problemas internos de liderança e de não ter conseguido cumprir os objetivos ao nível de recrutamento: apenas foram contratadas 20 pessoas quando pretendiam até 150 trabalhadores a longo prazo.

A empresa tinha investido três milhões de euros logo no primeiro ano de operações. As dificuldades com a gestão do centro tecnológico português levaram a divergências entre a companhia alemã e a equipa instalada em Lisboa.

“Vamos fechar o centro tecnológico de Lisboa no dia 30 de junho. Tomámos esta decisão devido a obstáculos que encontrámos para fazer crescer o nosso hub para um nível sustentável”, explica fonte oficial da Zalando ao Dinheiro Vivo.

Esses obstáculos terão tido origem a partir da sede da empresa, na Alemanha, e acabaram por contaminar o ambiente no escritório português. “Houve vários erros que a empresa cometeu e não teve a capacidade de os corrigir a tempo, nomeadamente na liderança a alto nível, de Berlim”, assinala uma fonte ligada à empresa.

Ao que foi possível apurar, os principais problemas registaram-se no fracasso em atingir a meta de contratações. Apenas foram contratadas 20 pessoas e com perfis muito semelhantes, quando se pretendia chegar às 50 logo no primeiro ano. Todas as decisões foram tomadas a partir de Berlim e não de Lisboa.

“Inicialmente, iam recrutar engenheiros de software com vários perfis de experiência. De repente, a estratégia mudou e só quiseram ir buscar os engenheiros com mais experiência”, acrescenta a mesma fonte.

Contratar pessoas com perfis muito semelhantes acabou por causar instabilidade dentro do escritório em Portugal. “Não foi possível crescer porque não foi possível escalar estas pessoas”. Neste ambiente, em que havia pouca margem para progressão de carreira, as pessoas mais competentes começaram a sair, à procura de novos desafios.

Neste cenário, a própria empresa mudou, já este ano, os principais responsáveis pelo centro tecnológico em Portugal. Alterações registadas em Berlim e em Lisboa. Em fevereiro, Philipp Erler, vice-presidente e responsável pela área de Experiência Digital da empresa, deu lugar a Jim Freeman, ex-quadro da Amazon. Semanas mais tarde, Marc Lamik também deixou de ser o diretor-geral da Zalando em Portugal.

Investimento de três milhões

Sem diretor-geral em Portugal, Jim Freeman avaliou a situação a partir de Berlim. Num cenário de bloqueio das contratações e de saída de pessoal, a Zalando optou por fechar o escritório de Lisboa. Mesmo depois de ter investido três milhões de euros, só no ano passado, para ocupar um andar na Avenida da Liberdade, a mais cara do país. Um ano depois, apenas metade do escritório foi ocupado.

Leia mais: Lisboa. A Liberdade não é para quem quer, é para quem pode

Na hora do fecho, a Zalando diz que os produtos desenvolvidos pela empresa em Portugal vão passar para as mãos da equipa de Helsínquia, na Finlândia, onde se localiza um dos dois centros tecnológicos da plataforma fora da Alemanha – o outro fica em Dublin, na Irlanda.

A partir da Alemanha, a empresa diz que “Portugal continua a ser um mercado europeu atrativo” e a saída não significa que deixe de ser “considerado como futuro local para operações ou mesmo como mercado de venda”. A plataforma tecnológica diz mesmo que oferecer aos trabalhadores de Lisboa a possibilidade de se transferirem para outros escritórios da Zalando. Mas ninguém deverá aceitar esta oferta, apurou o Dinheiro Vivo.

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