condições de trabalho

Zara enfrenta multa de 23 milhões de euros no Brasil

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

A proprietária da Zara, a Inditex, está a ser acusada pelo Ministério Público brasileiro de abusos laborais ao longo da cadeira de fornecimento, o que poderá valer-lhe uma multa de até 23 milhões de euros. Em 2011, a Inditex assinou um acordo com o Ministério do Trabalho do Brasil comprometendo-se a melhorar as condições de trabalho, mas as autoridades encontraram provas de que sete mil trabalhadores não têm sido tratados de acordo com o combinado desde 2012.

Foram identificados problemas em 67 fábricadas, mencionadas num relatório do Ministério do Trabalho publicado na imprensa brasileira, onde foram registados 84 acidentes ou doenças de trabalho, 22 casos de trabalho excessivo (com turnos superiores a 16 horas ou sem uma folga semanal).

A empresa espanhola, que é o maior retalhista mundial de pronto-a-vestir e detém outras cadeias de moda como a Pull&Bear e a Massimo Dutti, assinou o referido acordo com o Governo quando uma investigação denunciou, em 2011, práticas de escravatura em fábricas brasileiras. Num dos casos, o governo resgatou 15 trabalhadores imigrantes de uma fábrica subcontratada pela AHA, a companhia responsável por 90% da produção brasileira da Zara. Um dos trabalhadores tinha apenas 14 anos. Perante o escândalo, a Inditex comprometeu-se a verificar rigorosamente as condições de trabalho dos trabalhadores da sua cadeira de fornecedores e a melhorar as respetivas condições.

O relatório agora divulgado refere que em vez de melhorar as condições nas fábricas que tinham sido fiscalizadas, a Inditex cortou relações com elas e, em consequência, 31 empresas foram obrigadas a encerrar.

O diretor de responsabilidade social da Inditex, Felix Poza, disse que a empresa contestou o relatório da inspeção de trabalho, dado que “contém falhas de razões credíveis” para se afirmar que a Inditex faltou ao acordado no Brasil, além de conter imprecisões. A empresa apontou que a vasta maioria de incidentes reportados eram infrações menores, tal como a distribuição dos postos de trabalho, e que já estava a trabalhar nesses problemas. Desde 2012, a Inditex realizou mais de 2800 auditorias entre os seus fornecedores brasileiros. A empresa refere ainda que não representa mais do que 15% da produção das fábricas mencionadas no relatório e que cinco das que são elencadas nunca foram fornecedores da Inditex, enquanto as restantes foram excluídas da cadeia de fornecedores.

Além disso, apontou a empresa espanhola, “ao abrigo do acordo de 2011 com o departamento de Inspeção do Trabalho no Brasil, as autoridades são obrigadas a comunicar problemas e a dar à Inditex 10 dias para os resolver. Temos estado a resolver os problemas mal somos informados”.

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