Tecno-nacionalismo ou o fim da globalização

Um mês depois lançar o que já é um bem-sucedido iPhone 13, a Apple está a ver-se na contingência de reduzir a produção do smartphone por causa da escassez de chips. Não são os únicos. Há uma disrupção séria em múltiplas cadeias de fornecimento, o que ameaça a recuperação de várias indústrias e dos mercados, em geral, no rescaldo da pandemia de covid-19. Mas esta questão é maior, muito maior que a turbulência gerada pela emergência sanitária. Estamos num ponto crítico de inflexão em relação às cadeias logísticas globais - e às próprias bases da globalização, que regeram as políticas económicas e sociais das últimas décadas.

Como é que o Facebook adivinha no que estou a pensar?

No intervalo de um dos jogos que Portugal não ganhou neste Europeu, uma amiga mencionou casualmente alguém que tinha experimentado botox. A conversa foi breve e inconsequente, mas nessa noite comecei a ver anúncios a botox no feed do Instagram. Não tinha feito pesquisas sobre isso nem estado perto de uma clínica de tratamentos de beleza. A coincidência foi ligeiramente arrepiante, tal como em tantas outras instâncias no passado em que pareceu inegável que alguém estava a ouvir conversas através do meu smartphone.