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“Microsoft vai continuar a investir em Portugal”

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“Microsoft vai continuar a investir em Portugal”

Em menos de cinco anos, a empresa passou de 150 para 600 trabalhadores. 30% são mulheres e 50% da direcção executiva já é feminina.

Há um ano que Paula Panarra comanda os destinos da Microsoft Portugal. Só no Centro de Suporte faz um investimento anual de 33 milhões de euros e em 2017 forneceu serviços de engenharia a mais 60 países. No negócio cloud, um dos que mais dinâmicos, prevê crescer 50%, no ano fiscal de 2018.

Que balanço faz deste último ano à frente da Microsoft Portugal?

Um balanço muito positivo. De muita aprendizagem. Estamos a fazer mudanças grandes. Não só no modelo de negócio da Microsoft, mas este ano refletimos essa mudança também numa alteração organizacional grande. Portanto, foi um ano de mudança interna para melhor servir o mundo externo. Estamos a conseguir trazer essa transformação para o mercado, sejam pequenas ou grandes empresas, escolas, comunidades, enfim, a ajudar a economia portuguesa.

Quando se tornou diretora geral assumiu o objetivo de ajudar clientes e parceiros a fazer a transformação digital. Como é que está a correr?

Muito bem. Temos feito um papel de ‘evangelização’ para esta transformação. Como eu costumo dizer, estamos no momento em que já não se pergunta “vou ou não fazer?”, mas “quando?”. E tem de haver sentido de urgência, porque essa transformação é necessária, para que as empresas portuguesas se mantenham competitivas e diferenciadas naquilo que é uma economia cada vez mais global.
Este momento da economia trás para Portugal a vantagem de que o sítio, a dimensão e a massa critica do país são totalmente irrelevantes. A única coisa que é preciso é ter talento, desenvolver as competências e ter a capacidade de criar o plano necessário para fazer acontecer. Esse tem sido o nosso papel ao longo do último ano. É mostrar como a tecnologia enquanto um enabler para esta transformação pode fazer essa transformação acontecer. Nós trabalhamos com os clientes na modernização da forma de trabalhar. Portanto, como é que se trabalha de forma mais produtiva em mobilidade, a partir de qualquer lugar, como é que se ganha esse potencial dentro das organizações. E na forma como se interage com os clientes, como é que se cria uma nova rede e uma nova forma de comunicar e de prestar serviço aos clientes nesta era digital. Como é que se otimizam as operações internas, como é que se utiliza esta transformação e a tecnologia para tornar as empresas mais eficientes, mais rápidas, mais ágeis, mais flexíveis. Em muitos casos, e esses também interessantes, como é que se criam novos produtos e novas áreas de negócio nesta era digital.

O governo tem em execução o programa “Indústria 4.0. Como avalia o que está a ser feito?

Temos dado apoio a clientes nesta transformação, na indústria e em todos os setores. Temos exemplos interessantíssimos na área da agricultura. Posso mencionar o caso do Exporão, onde a tecnologia hoje é fundamental, quer para o acompanhamento agrícola, quer para o acompanhamento da produção, quer depois para toda a operação. Também na indústria temos exemplos de empresas que fazem hoje uma monitorização e uma analítica toda com tecnologia de ponta, apesar de terem uma produtora totalmente analógica. Portanto, a tecnologia pode revolucionar a indústria, de muitas formas. Também ajudámos a área do desporto a tornar-se mais próxima dos fãs. Ajudámos a banca a tornar-se menos presa ao espaço físico e a servir melhor os clientes, através do digital e da mobilidade.

Em Portugal há talentos suficientes com estas competências digitais?

Temos o desafio de assegurar que temos os profissionais preparados para estas novas competências na tecnologia. A Microsoft é um bom exemplo de como utilizamos talento em Portugal. Éramos 150 empregados, há quatro/cinco anos, hoje somos 600. A forma como crescemos foi criar um centro de competências de engenharia, para suporte em tecnologias de ponta. Portanto, temos 350 engenheiros, a operar a partir de Lisboa para a zona da Europa. E temos cerca de 100 pessoas que hoje estão baseadas em Lisboa e trabalham para a Microsoft, em varias partes do mundo. Se dizemos que a tecnologia permite trabalhar em qualquer lugar e a qualquer hora, é isso que a tecnologia permite também para os nossos empregados. Só é possível porque o talento existe aqui.

600 talentos todos nacionais?

São maioritariamente nacionais. Temos alguns estrangeiros, até porque faz parte da nossa cultura de desenvolvimento de talento e de carreira. Temos feito um trabalho de fundo com instituições para ajudar neste caminho das competências digitais. Ainda no mês passado assinámos um protocolo com as instituições de ensino politécnico, para a criação de 20 academias de tecnologia Microsoft, em todo o país. Litoral, interior, incluindo ilhas. Portanto, estamos a fazer o nosso trabalho e o nosso contributo. Todos nós vamos precisar de mais competências nesta era digital. Portanto, é muito importante trabalhar, não apenas na educação das gerações futuras, mas nos profissionais que hoje estão no ativo.

A Microsoft tem feito uma aposta grande em startups. Essa estratégia é para continuar, tem dado retorno?

Sem dúvida. Faz parte do nosso ADN, essa aposta em startups e em incubadoras. E é, sem dúvida, uma das áreas onde vamos continuar a apostar. Aliás, Portugal tem sido, nos últimos anos, o berço de várias tecnológicas que estão muito próximo de serem o que hoje se chama um unicórnio. E é com muito prazer que nós temos estado a trabalhar com uma Farfetch, que temos estado a trabalhar com uma Collab. Podia mencionar aqui mais umas quantas startups. Faz parte da estratégia e Portugal tem muito terreno e muito talento, para de facto fazer nascer aqui negócios que possam ser negócios globais.

Portugal vive um momento de recuperação. Parece-lhe sustentado o caminho que está a ser trilhado neste momento?

Temos visto uma maior recetividade e uma maior aposta naquilo que é esta transformação, para fazer esse caminho sustentado de crescimento económico. Nós no mundo da tecnologia, o que fizemos foi assegurar que podemos proporcionar a uma empresa de qualquer dimensão a tecnologia, como um serviço. Na verdade, o que isso faz é que qualquer PME hoje tem acesso, de uma forma muito fácil, mas também economicamente muito viável, a tecnologia que no passado requereria um investimento muito grande e só uma grande empresa poderia ter. E isso tem criado uma agilidade do ponto de vista da economia.

E agora que as agências de rating tiraram Portugal do nível do lixo, haverá, em princípio, mais condições para maior investimento estrangeiro. Seria esse o principal entrave para os investidores apostarem em Portugal, ou haverá outros obstáculos a eliminar?

O talento e desenvolvimento das competências certas vai ser um ponto crítico na captação de investimento. Para nós provou ser um modelo de sucesso. Portugal tem todas as condições, do clima à gastronomia e até de nível de segurança e que tem ajudado que empresas como a Microsoft e outras tecnológicas se tenham vindo instalar aqui. Temos todas as condições para captar mais investimento.

A Microsoft vai anunciar algum novo investimento cá?

A Microsoft vai continuar o seu caminho em Portugal.Acreditamos que temos hoje, não só a organização, mas também o ecossistema de parceiros certos, para continuar neste caminho de transformação do país. E cá estaremos para fazer os investimentos nas áreas da educação, talento, suporte, em conjunto com as empresas e a administração pública em Portugal.

E ao nível de centros de competências, alguma novidade?

Vamos continuar o nosso caminho de crescimento. Já vamos com 350 engenheiros. E acho que o futuro é um futuro promissor.

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