Investimento

Celso Guedes de Carvalho: Portugal Ventures tem mais 11 milhões para startups

Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Gestora de capital de risco pública vai ter novo fundo pela primeira vez desde 2012, anuncia o CEO, que fala também das falhas de mercado do ecossistema português e de novos players do mercado.

A Portugal Ventures, no relatório e contas de 2016, revela que apresentou uma candidatura ao IFD – ‘banco de fomento’ – para criar um novo fundo de capital de risco. Foi aprovado?
Durante muitos anos, o pressuposto de financiamento da Portugal Ventures para levantar novos fundos era com dinheiro europeu. Desde que a Portugal Ventures foi fundada, em 2012, nunca tinha sido possível constituir um fundo com “dinheiro fresco”. Os 18 fundos que temos são anteriores a 2012. Candidatámo-nos, tal como outras sociedades de capital de risco, às linhas de financiamento do IFD. O processo começou em maio de 2016 e só recentemente ficou concluído.

E qual foi o resultado?
O resultado final serviu para reforçar o papel da Portugal Ventures enquanto investidor mais ativo neste setor em Portugal e a existência de falhas de mercado de operadores de capital de risco com capacidade para constituir fundos, que têm de ser colmatadas pela Portugal Ventures, mas não só. Pela primeira vez desde 2012 vamos constituir um fundo de 10,8 milhões de euros, que vai começar em 2018, para investir em startups nos próximos três anos. Isto só foi possível porque outros players privados, apesar de poderem constituir um fundo, não tinham disponibilidade financeira. Dada a ausência de operadores privados, fomos chamados a resolver falhas de mercado.

Que áreas serão abrangidas pelo novo fundo?
É um fundo generalista para fazer investimentos segundo a nossa política. Estamos a ponderar se devemos privilegiar alguns setores.

O fundo não tem nada que ver com as Call for Entrepreneurship, o programa de ignição de startups?
Somos gestores de fundos e depois damos os retornos com que nos comprometemos. Temos de detetar as melhores oportunidades no mercado, para depois os fundos investirem. Desde 2012, essa estratégia era feita através das Call for Entrepreneurship, que geravam picos de fluxo de negócio. Alterámos essa estratégia.

A partir de quando?
No início deste ano. Depois de ouvirmos o mercado, verificámos que muitos projetos “investíveis” tinham de esperar três meses por uma nova call. Isto não é compatível com o ritmo destas empresas, que têm de ter um crescimento rápido, nem com a maturidade do nosso ecossistema. Passámos para um modelo em que, a qualquer momento, um empreendedor pode apresentar-nos uma candidatura. Esta política é considerada um modelo a seguir.

Em 2017 estão a apoiar mais ou menos startups face a 2016? Qual é a vossa meta?
Temos um limite de investimento de 18 milhões de euros. Este ano estamos com um bom ritmo de execução e temos algumas novidades para anunciar nos próximos tempos. Com o fim das calls, os projetos que são submetidos têm muito mais qualidade para os nossos fundos.

O ecossistema português está mais maduro?
Sem dúvida. Há também mais players no mercado. Em 2012 estávamos sozinhos a investir em startups e definimos referências de investimento e de retorno de capital de risco. Atualmente há muito mais novos operadores no mercado do que outros a sair.

“Temos um problema com as séries A e uma falha de mercado evidente em Portugal”

Os novos operadores não estão a entrar muito mais na fase inicial do que na fase final de investimento?
Sim, e isso é bom e mau. É bom porque dá resposta às primeiras necessidades de investimento (fases pre-seed e seed), torna estes projetos materializáveis e facilita um potencial investimento da Portugal Ventures. É determinante para o ecossistema. É mau porque temos um problema com as séries A e uma falha de mercado evidente em Portugal. Estamos sozinhos sobretudo nas life sciences. Esta área, por ter investimento mínimo acima de três milhões de euros em série A, é muito difícil para players nacionais. Temos trabalhado em coinvestimento, sobretudo com parceiros internacionais.

E há mais falhas de mercado em Portugal?
Sobretudo em fases de investimento, mais do que em setores. Na fase seed ainda há poucos players no mercado.

No relatório e contas de 2016 falam na redução do aluguer de espaços físicos no estrangeiro e mais parcerias. Vão ter mais ou menos hubs internacionais?
Revimos a estratégia de centros internacionais implementada em 2012. Descontinuámos o aluguer de espaços físicos em incubadoras, que lançámos na altura, porque o ecossistema português não tinha visibilidade internacional, nem conhecimentos. Ninguém valoriza secretárias mas sim os locais, que têm rede de contactos, conhecem o mercado e fazem um trabalho personalizado.

Vão manter os hubs internacionais?
Sim, em São Francisco, Boston e Berlim. Em Londres estamos a trabalhar diretamente com a nossa equipa de portfólio. Não está na nossa estratégia alargar a rede até ao final de 2018.

Quais serão as principais diferenças dos efeitos da Web Summit deste ano com a de 2016?
Menos expectativas do que em 2016, que foram muito elevadas porque era o primeiro ano da Web Summit em Portugal. Todos sentiam-se estrelas de rock. Este ano houve um embate com a realidade: muito poucos negócios fecham-se na Web Summit e as oportunidades identificadas têm um roadmap que é preciso percorrer. Além disso, este ano vai ser importante para aferir os primeiros resultados da edição de 2016. Isto é o enquadramento necessário para que a edição de 2018 seja a melhor de todas.

E os objetivos da Portugal Ventures?
Queremos promover o envolvimento das nossas startups no ecossistema e a ligação com outros potenciais investidores. Nós também andaremos à procura de potenciais investimentos.

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