Tecnologia

David Roberts: O inovador dos transportes que aposta na computação quântica

David Roberts é um dos principais professores na universidade Singularity. (DR)
David Roberts é um dos principais professores na universidade Singularity. (DR)

Entrevista ao professor da universidade SIngularity que acredita que "um dia teremos mais pessoas em drones do que em carros".

David Roberts é considerado um dos maiores especialistas mundiais em tecnologia disruptiva e inteligência artificial. Tinha 10 anos quando construiu a primeira engenhoca – pegou no aspirador e fez dele um drone para transportar a sua irmã à paragem do autocarro. Aos 23 anos, foi agente especial na luta contra o terrorismo e ajudou a desenvolver sistemas de inteligência militar avançados, integrando satélites e aviões não tripulados (drones).

É formado em Ciência e Engenharia Computacional pelo MIT e um empreendedor em série, tendo sido o criador de dezenas de projetos, que já receberam mais de 100 milhões de dólares (89 milhões de euros) de investimento, de empresas como Cisco, Oracle, Accenture. Está ainda à frente da HaloDrop, empresa prestadora de serviços com drones para o governo, e é assessor da Made-in-Space, companhia responsável pela produção do primeiro objeto no espaço a partir de uma impressora 3D numa estação espacial da NASA.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, este professor da universidade Singularity fala sobre o futuro dos transportes individuais e acredita que em África não será necessário construir estradas para as pessoas se deslocarem.

O que é o quantum computing?

Não é fácil explicar esta tecnologia mas é fácil dizer porque é tão importante. Nos últimos 50 anos, temos duplicado o número de processadores de ano para ano. Mas essa fase está a chegar ao fim. Os computadores não são muito mais rápidos agora do que há três ou quatro anos; apenas têm mais memória. Chegámos ao limite de quão pequenos os processadores podem ser. Por causa disso, para continuarmos a duplicar o desempenho dos computadores, é preciso apostar na computação quântica.

Esta tecnologia será acessível aos consumidores?

Já é acessível aos consumidores do Japão, por exemplo, que encontram este serviço em cloud. Duas coisas vão acontecer: esta tecnologia estará visível através da cloud; a computação quântica vai tornar-se muito mais barata. Mas atenção que isto apenas serve para as grandes empresas, que terão preços cada vez mais acessíveis. As empresas que apostarem primeiro nesta tecnologia estarão em grande vantagem face à concorrência.

Que problemas se podem resolver com esta tecnologia?

São problemas que habitualmente se imagina que não possam ser resolvidos com os computadores normais porque não são rápidos o suficiente: nas áreas farmacêutica, química, transportes e financeira. Temos andado à procura de financiamento para nova empresa de transportes, com carros voadores. Queremos usar uma nova tecnologia porque não é tão cara e é bastante fiável. Isto dispensa os heliportos e tornará possível o sonho dos carros voadores. Não sei se será verdadeiramente revolucionário, porque no princípio será para um nicho de mercado. Mas acredito que poderemos ter algum impacto.

Quais são os desafios na regulação?

É preciso pré-aprovar os flight pads, ou seja, os locais de descolagem e aterragem. Com a nossa tecnologia, teremos uma solução mais flexível. Seremos competitivos com a UberAir, embora eles estejam a criar um outro tipo de aparelho.

Qual é o vosso mercado?

Trabalhamos para um veículo de transporte seguro e silencioso até 10 milhas (16 quilómetros), de uma ponta à outra das cidades.

Como tem todas estas ideias?

Estou habitado a ser um comandante no exército norte-americano, onde trabalhei num projeto com drones e satélites. Desde miúdo tive interesse em pôr coisas a voar. É tão óbvio para mim voar. É um disparate termos de gastar milhões de euros em tão poucos quilómetros de estrada quando podemos pôr as pessoas a voar em drones. Bem sei que isso acontece por causa da tecnologia atualmente disponível. Acredito que em África não será necessário construir estradas caríssimas, de milhares de milhões de euros. Nem serão precisas grandes linhas telefónicas. Eles podem construir as torres móveis e saltar etapas.

De que forma a computação quântica ajuda a sua visão?

Quando há muitos drones a voar, é preciso ter uma tecnologia muito poderosa que permita gerir este tráfego para sítios em particular. É um problema muito mais complexo do que nos aviões, porque eles apenas podem descolar ou aterrar em locais pré-determinados. Acredito que um dia teremos mais pessoas em drones do que em carros.

Do que precisa para o projeto arrancar?

A solução tecnológica já está pronta mas ainda temos de melhorar muito no design. A regulação vai mudar bastante devagar mas isso não me deixa nada desconfortável porque estamos a falar de nichos de mercado.

O envelhecimento é outra das suas preocupações.

Não acredito que as pessoas vivam apenas um século daqui a 20 anos. Atualmente, por questões mais conservadoras, o envelhecimento não é visto como uma doença que possa ser curável, pelo que é muito difícil qualquer laboratório receber financiamento público. As pessoas não morrem por ficarem velhas. É por causa de fatores muito particulares. A biologia tornou-se uma ciência digital, porque é possível imprimirmos o nosso código genético e começar a perceber a mecânica das células. Na medicina e na biologia não estamos a melhorar de forma exponencial. A esperança média de vida aumenta um ano todos os anos. Nos próximos 20 anos teremos grandes progressos, sobretudo na cura do cancro. Acredito que possamos viver com mais qualidade por muito mais tempo e prolongar bastante a nossa juventude. Poderemos ter 20 anos por 40 ou 50 anos.

Quais são os grandes desafios para o final desta década?

Temos enormes desafios globais, sobretudo por causa do aquecimento global. A Grande Barreira do Coral está a ser destruída e isso prejudica altamente quem quer consumir produtos do mar. Mas é um problema que podemos resolver. Tudo depende se o mundo se unir para isso. O buraco da camada de ozono não parava de aumentar e de repente foi possível estabilizá-la. Apenas temos de nos focar nisso.

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