Mobi Summit

Eduardo Ramos:“Crescimento acelerou, em especial, nos EUA”

( Filipa Bernardo/ Global Imagens )
( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

Inteligência artificial, veículos autónomos e blockchain são apostas da A-to-Be, empresa da Brisa que fornece operadores de mobilidade.

A A-to-Be, do grupo Brisa, nasceu virada para o exterior. Com foco nas várias formas que as pessoas têm de se deslocar do ponto A ao ponto B, serve o mercado internacional com soluções para sistemas inteligentes de transporte. Fornece produtos e soluções a operadores de mobilidade, como concessionárias de transporte, parques de estacionamento ou gestores de mobilidade urbana. Hoje tem contratos em cinco estados dos Estados Unidos, Holanda, Espanha e Polónia. Temos uma “irmã mais velha”, a Via Verde, nossa cliente, que nos desafia constantemente no sentido de se manter na vanguarda mundial do mobility as a service [mobilidade oferecida ao cliente como serviço]”, explica Eduardo Ramos, CEO da A-to-Be e head of business development da Brisa.

O que levou à procura de um parceiro e porquê a opção pelo fundo de investimento Pathena?
O grupo Brisa tem uma longa história de parcerias. Acreditamos no poder da combinação de esforços e de competências distintivas para atingir objetivos comuns. Não temos a arrogância de pensar que conseguimos fazer tudo sozinhos pois, de facto, existem organizações que podem estar mais bem preparadas do que nós em áreas específicas. Desde muito cedo, no início da década de 90, altura em que nasce a Via Verde, que o grupo Brisa tem tido uma elevada intensidade tecnológica no seu modelo de negócio. Foi desenvolvido e robustecido um sistema de colaboração, em inovação aberta, com universidades e centros de investigação [nacionais e internacionais] para melhorar continuamente a tecnologia que serve de suporte à cadeia de valor. Ao refletirmos sobre a possível evolução estratégica da tecnologia, enquanto negócio para fora do grupo Brisa, deparámo-nos com desafios que conhecíamos menos bem. Nesse sentido, a capital de risco Pathena [que já conhecíamos] surgiu como um parceiro natural para robustecer as competências da A-to-Be, dada a sua experiência e bons resultados na escalabilidade de empresas cujo modelo de negócio é essencialmente B2B [entre negócios] e de base tecnológica.

O que motivou a internacionalização?
A internacionalização das competências tecnológicas da Brisa Inovação e Tecnologia, a atual A-to-Be, iniciou-se na primeira metade da década de 2000 com o crescimento internacional da Brisa e em suporte ao mesmo, sem vender soluções a outros players. A expansão da internacionalização da A-to-Be surge como uma consequência lógica da ambição de crescimento assumida em 2016 para esta unidade de negócio, dadas as suas vantagens competitivas e a dimensão limitada do mercado nacional. Nos últimos dois anos temos tido uma aceleração do crescimento internacional, pois conseguimos ganhar tração orgânica, em especial nos Estados Unidos.

Hoje, quais são os mercados externos onde a empresa tem presença?
Os mercados prioritários para crescimento são os EUA. Em bom rigor, 50 mercados, porque cada Estado tem as suas características. Alguns países da Europa e da América Latina, assegurando a entrega no mercado nacional para os nossos clientes. Mantemos o foco, antecipando riscos para proteção da marca e da sustentabilidade do processo de crescimento. Hoje a A-to-Be tem contratos em cinco Estados dos Estados Unidos, Holanda, Espanha e Polónia.

O que significa ter ganho o contrato de fornecimento de uma solução de pagamento automático de portagem junto do estado de Ilinóis, nos Estados Unidos?
Estamos a falar de uma solução de pagamento semiautomático de portagens, em self-service, que tem como principal objetivo substituir os velhinhos coin baskets que ainda se veem muito pelas autoestradas americanas. Adicionalmente, permitem à concessionária ou operadora dispor de uma solução tecnológica que combina hardware e software para um melhor controlo de receita e para um melhor serviço ao cliente. Por exemplo, na solução que fornecemos para a Illinois Tollway é possível efetuar o pagamento da portagem com Apple Pay e Google Pay [sistemas de pagamento] através de um smartwatch [relógio inteligente]. Ganhar este contrato foi muito importante para a A-to-Be dada a sua dimensão e porque conseguimos bater a concorrência, que é significativamente maior do que nós, no país deles. A execução do contrato está a correr dentro do planeado, quer em termos de ritmo quer em termos de geração de caixa para a A-to-Be, com bons níveis de satisfação do nosso cliente e adoção dos clientes finais.

Qual o balanço que faz do projeto de gestão de infraestruturas rodoviárias em Washington?
Muito positivo. A costa oeste dos Estados Unidos tem um pensamento muito sofisticado no que diz respeito aos novos modelos de mobilidade. Ao mesmo tempo pensam, no médio e longo prazo, na descarbonização do setor e na sustentabilidade das finanças públicas baseadas em impostos sobre os combustíveis, quando os carros são cada vez mais eficientes nos seus consumos. Assim, desenvolvemos um projeto-piloto para o Department of Transportation [Departamento de Transportes] do estado de Washington, juntamente com um parceiro canadiano, para pagamento de mobilidade de acordo com as milhas percorridas. Ou seja, utilizando preços dinâmicos de acordo com a geolocalização da viatura e da distância percorrida, e tendo também em consideração o tipo de veículo. Este piloto, em que utilizámos a nossa solução MoveBeyond, desafiou-nos imenso e permitiu demonstrar que o modelo funciona e que poderá ser escalável. Além disso, conseguimos também ser interoperáveis entre os Estados Unidos e o Canadá, tendo sido a primeira vez que tal aconteceu no nosso setor.

Como está a decorrer o processo de internacionalização da LinkBeyond Mobile, a vossa aplicação mobile para o mercado externo que permite o pagamento em parques de estacionamento ou postos de abastecimento?
Estamos no início do processo de internacionalização da solução LinkBeyond Mobile. Os primeiros mercados que estamos a abordar são os EUA e a Europa, onde estamos a negociar algumas provas de conceito para que a solução comece a ser incorporada pelos operadores de mobilidade e disponibilizada aos seus clientes.

Que projetos a A-to-Be tem a decorrer no Brasil, na Holanda e na Polónia?
No Brasil aportámos competências tecnológicas ao nosso acionista Brisa quando este era acionista da CCR. A A-to-Be não tem tido mais oportunidades no país, mas olhamos para este mercado com interesse e com expectativa no que diz respeito à melhoria da conjuntura interna. Na Holanda fornecemos soluções tecnológicas para uma startup que desenvolve modelos inovadores de mobility as a service [mobilidade fornecida como um serviço]. Refiro-me à BNV Mobility, participada pela Brisa e pelo operador francês Egis projects. Na Polónia estamos a fornecer uma solução de video tolling para uma concessionária privada que explora a A1 [Rusocin-Czerniewice].

No futuro, como prevê o crescimento da empresa em termos de áreas de negócio e mercados externos?
A A-to-Be continuará a evoluir como fornecedor de tecnologia para mobility managers. O setor da mobilidade é de um dinamismo imenso e estamos confiantes que continuaremos a responder aos desafios que os nossos clientes nos colocam para melhor conseguirem servir as necessidades de mobilidade dos seus clientes. No que diz respeito a mercados externos, não vemos uma alteração substantiva das geografias que lhe referi anteriormente. Os Estados Unidos ainda têm muitas oportunidades para explorar, bem como alguns países da Europa e da América Latina que apresentam planos interessantes de desenvolvimento dos seus modelos de mobilidade, protagonizados por entidades públicas e privadas e que se adequam à nossa matriz de risco.

Que novos projetos estão neste momento a ser preparados?
Sem abrir demasiado o jogo, posso dizer-lhe que as nossas equipas de investigação e desenvolvimento têm estado a trabalhar bastante em inteligência artificial, veículos autónomos e blockchain, em forte ligação com os nossos parceiros académicos e científicos, bem como com a aceleradora de startups da Brisa, a Grow Mobility. Tudo isto no sentido de que os próximos lançamentos das nossas soluções e dos novos produtos, que suportarão a mobilidade do futuro, sejam cada vez melhores e mais competitivos no mercado internacional.

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