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Félix Morgado: Há hipóteses de o Novo Banco ficar português

José Félix Morgado
(Diana Quintela/ Global Imagens)
José Félix Morgado (Diana Quintela/ Global Imagens)

CEO do Montepio está preocupado, "como cidadão", com o desaparecimento da banca portuguesa. Já como líder de um banco luso, vê nisto uma oportunidade

José Félix Morgado, o cidadão, está preocupado com o desaparecimento dos interesses portugueses nos maiores bancos presentes no país. Já José Félix Morgado, o presidente do Montepio Geral, vê neste desaparecimento uma oportunidade para a instituição que lidera.

“O que me preocupa como cidadão é que não vejo concentração, antes vejo concentração de operadores não nacionais. Isso é que me preocupa como cidadão. Mas enquanto presidente do Montepio Geral, vejo nisso uma oportunidade”, referiu ao Dinheiro Vivo.

Em causa a concentração em curso do setor bancário e o fim de presenças relevantes de capitais portugueses no mesmo. Uma tendência que deverá ser reforçada com a venda do Novo Banco.

“Se as decisões importantes deixam de ser tomadas em sede nacional isso preocupa-me”, reflete o cidadão José Félix Morgado. E esta preocupação tem dois lados: “O que acontecerá à dívida pública se os grandes players forem todos internacionais, nomeadamente do país vizinho?”, questiona.

Mas há também o lado da economia: “As PME, as famílias, os empresários em nome individual… São estes os segmentos que precisam de apoio da banca nacional, porque não têm acesso ao mercado externo. Mas são estes que quando vão a um banco que não é nacional veem o seu pedido a ser decidido em Madrid, Barcelona, ou noutro sítio qualquer…”

É precisamente por esta razão que Félix Morgado, o CEO do Montepio Geral, identifica nesta “estrangeirização” da banca uma oportunidade: “Somos dos poucos bancos portugueses e dos pouquíssimos que têm a certeza que assim vão ficar, e isso é importante no atual contexto.”

Olha para a instituição que lidera e vê um banco “com cobertura geográfica integral, português, que conhece bem os seus clientes com quem tem uma relação direta e próxima”, algo que pode fazer a diferença no mercado. “Estamos bem focados, sabemos qual a nossa missão e o nosso segmento e aí temos vantagens competitivas face aos grandes.”

“Estrangeirização” e Novo Banco

Apesar do desaparecimento dos capitais portugueses dos maiores bancos do país, Félix Morgado não vê que tal deva ser visto como uma inevitabilidade dos novos tempos. “Se não quisermos, nunca estamos condicionados ou acantonados”, assegura. “Se olharmos para outros países, de dimensão semelhante à de Portugal, vemos que os interesses nacionais são acautelados. Basta criar condições para que isso possa a acontecer.”

Mas que solução poderia evitar o desaparecimento de portugueses do setor bancário? “Isso depende do que se quiser fazer”, diz. “Depende do ponto de vista das autoridades e dos reguladores e de quais os objetivos que se pretendem. Há muitas soluções nacionais que às vezes não parece, mas existem.”

Sobre o futuro do Novo Banco, Félix Morgado alinha pela mesma ideia. “Haverá com certeza” hipóteses do Novo Banco ficar em mãos portuguesas, aponta. “Mas uma nacionalização não seria possível”, esclarece. “Para os grandes problemas não há um só remédio, há um conjunto de vários que constroem uma solução. Se for essa a intenção, a de defender o interesse nacional, há soluções que não parecem mas que se podem equacionar.”

Questionado sobre que opções poderiam ser essas, Félix Morgado preferiu não aprofundar. “É sempre possível procurar uma solução, se calhar até mais do que uma. Mas há muita especulação nessa matéria e só devemos falar sobre factos.” Deixa todavia uma recomendação a todas as entidades envolvidas: “Discutam, analisem e avaliem com serenidade.”

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