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Cristas: “Sem equilíbrio só teremos professores no Parlamento”

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Assunção Cristas recusa comentar o caso da contratação de Maria Luís Albuquerque e diz que a discussão tem de ser extra-política

A candidata à liderança do CDS-PP, Assunção Cristas, recusa comentar o caso da contratação de Maria Luís Albuquerque, mas alerta que apertar as incompatibilidades pode levar à profissionalização da política ou um parlamento composto apenas por professores.

“Não comentarei casos particulares, não o farei, ainda, para mais com a Maria Luís Albuquerque, fomos colegas de Governo, que eu admiro, e creio que fez um trabalho que o país deve agradecer. Esse debate sobre incompatibilidades não deve ser feito por políticos. Os políticos são parte interessada”, afirmou Assunção Cristas.

Em entrevista à Lusa, a candidata à liderança do CDS, no Congresso de sábado e domingo, avança, contudo, que “os portugueses têm de decidir se querem ter políticos profissionais, o funcionalismo da política” ou “ter um modelo que possa atrair pessoas boas nas suas áreas profissionais, mas se são boas nas suas áreas profissionais, se são competentes, se são os melhores, também têm de poder voltar à sua área profissional”.

“Se nós não encontrarmos um equilíbrio nestas matérias, só teremos professores no parlamento. Se calhar não teremos gente das empresas, de outras áreas da nossa sociedade, o que pode não ser o melhor para a nossa política”, argumentou.

Questionada se o futuro de Paulo Portas, nomeadamente se for no universo empresarial, poderá vir a suscitar algum embaraço, Assunção Cristas diz não temer quaisquer questões e afirma poder vir a contar com a sua “argúcia e a inteligência”.

“Espero que ele não desapareça do mapa, acho que não vai desaparecer”, afirmou.

Convidada a fazer um exercício de autocrítica do Governo PSD/CDS-PP que integrou enquanto ministra da Agricultura, Cristas lamentou a falta de capacidade de apresentar aos portugueses “de maneira frontal e clara” que os dois partidos que integravam o executivo tinham divergências mas eram solidários.

Perante a insistência da Lusa para que a autocrítica fosse sobre medidas do Governo, Assunção Cristas afirmou: “Talvez a maior falha do anterior Governo tenha sido na comunicação, em não ter assumido que o memorando era mau, mas na altura eu também compreendo que não se tenha ido por aí. Quatro anos depois também é mais fácil falar, por isso é que na minha perspetiva é mais interessante pensar daqui para a frente”.

Sobre a vida interna do CDS, a candidata à liderança, que na volta pelo país que realizou esteve em sessões abertas também a simpatizantes, não exclui a realização de primárias abertas para a escolha dos candidatos a deputados, como consta da moção de João Almeida e Adolfo Mesquita Nunes, mas lembra o próprio líder deixou de ser escolhido em diretas para passar a ser eleito em Congresso (uma alteração contra a qual votou, no Congresso de Viseu há quatro anos).

“Acho que é certamente um tema para se explorar. O que eu procurarei fazer é ter uma abertura grande do CDS para que possamos ouvir a opinião e para que possamos contar com gente que colabore connosco, nomeadamente, através do gabinete de estudos”, referiu.

“O gabinete de estudos terá muito mais autonomia em relação aos órgãos dirigentes do partido, porque a minha ideia é que possa ser um polo para congregar pessoas que não tendo feitio para ser militantes, tenham vontade de partilhar o seu saber, os seus conhecimentos, a sua reflexão crítica”, acrescentou.

Assunção Cristas promete que consigo na liderança, a suceder a um mais centralizador Paulo Portas, “os órgãos do partido terão mais relevância, reunirão mais vezes e haverá mais decisão coletiva, colegial, e depois haverá mais autonomia em tarefas individuais” de responsáveis.

“A comissão política deve reunir uma vez por mês. Devo dizer que tenho a intenção de cumprir os estatutos e de fazer uma reunião por mês”, frisou.

Cristas diz querer contar com Nuno Melo, que será seu vice-presidente, “não só em Bruxelas, onde desempenha com brilhantismo o seu papel mas também no palco nacional, no momento em que ele queria porventura voltar e, certamente, no espaço mediático, em que tem sido sempre muito mediático e combativo”.

 

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