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Martin Hofmann (VW): Laboratório de Lisboa cria soluções de conectividade

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Para o objetivo de liderar na venda de carros elétricos em 2025, o grupo Volkswagen conta também com o laboratório digital de Lisboa

“O Grupo Volkswagen (VW) vai liderar a venda de carros elétricos” em 2025, prevê o seu responsável de investimento, Martin Hofmann, em entrevista ao Dinheiro Vivo. A partir de Lisboa, onde está a instalar o novo laboratório digital e quer desenvolver a conectividade. Em Portugal, o grupo veio à procura de talentos nas tecnologias.

A VW está a abrir o seu Digital Lab em Lisboa. O que podemos esperar dele?

Em abril deste ano anunciámos um centro de desenvolvimento de software para todo o grupo VW, a partir de Lisboa. Vamos criar software de conectividade que vai ser integrado nos automóveis, serviços de mobilidade para os nossos clientes e software para as empresas.

Qual será o impacto deste software para os clientes do grupo VW?

Já existem aplicações móveis onde podemos controlar o nosso veículo apenas com o smartphone e também serviços de mobilidade para estacionamento ou carregamento de bateria dos carros que também podem ser controlados com aplicações móveis. Toda a arquitetura destas aplicações nasce nos nossos centros de desenvolvimento de software. E um desses centros será em Portugal.

Essas aplicações poderão ser usadas em que países?

As nossas aplicações poderão ser usadas em todo o mundo.

O grupo VW tem vários centros de desenvolvimento em todo o mundo. Quão diferentes são em relação a Lisboa?

Nos nossos chamados “laboratórios de IT” estamos focados em áreas como a inteligência artificial e deep learning, uma das grandes áreas de desenvolvimento nos sistemas de informação de que mais precisamos. Só desta forma poderão ser desenvolvidas novas soluções para os nossos clientes particulares e empresariais. O nosso Data Lab (Laboratório de Dados) de Munique, está muito focado na área de deep learning. Temos 70 pessoas a trabalhar na análise de dados e em deep learning algoritmos. Em São Francisco (Estados Unidos), fazemos quantum computing e aplicações para o retalho. Em Berlim, desenvolvemos software e sistemas backend e plataformas que ligam os veículos aos serviços. Cada um dos nossos laboratórios tem certas áreas de foco e trabalham em conjunto. Por exemplo, os algoritmos de inteligência artificial nascidos em Munique serão implementados no software desenvolvido a partir de Lisboa. O software desenvolvido em Portugal partirá dos dados enviados pelo laboratório de Munique.

Há programas de intercâmbio entre laboratórios?

Sim. Temos equipas em Berlim a trabalhar em parceria com equipas de Lisboa e pessoas de Lisboa a trabalhar em Berlim a ganhar experiência, a conhecer as estruturas, as formas de trabalho e a metodologia Agile [é um método de gestão].

Qual é a parte mais interessante de trabalhar em Portugal na área tecnológica?

É a própria força de trabalho: temos uma equipa muito jovem mas bastante qualificada, que fala inglês. Além disso, Portugal tem a fábrica da Autoeuropa. Aí, aprendi que os portugueses têm uma mentalidade go-getter, ou seja têm um problema e vão resolvê-lo, de forma muito enérgica. Isso é perfeito para a área das tecnologias de informação, porque desenvolver software implica estudar o problema e resolvê-lo através dos algoritmos. Resumindo: Portugal tem muita energia, é muito vibrante, é a combinação perfeita para o nosso centro de IT em Lisboa.

Qual é a diferença entre os trabalhadores portugueses do Digital Lab e os restantes?

Não gosto de apontar diferenças. Para nós é mais importante haver tanta gente tão qualificada e com experiência internacional a querer juntar-se à VW e a levar a empresa para a frente. O IT da VW é muito internacional. As pessoas que escolhemos em todos os laboratórios seguiram o mesmo critério de seleção.

Bastaram cinco minutos para as pessoas de Lisboa e de Berlim se entenderem, porque partilham a mentalidade tecnológica, têm fortes competências sociais, linguísticas, focadas em resolver problemas. Em Portugal encontrámos dezenas de pessoas com estas características. Por exemplo, as competências sociais são das mais procuradas no nosso processo de recrutamento: se não conseguir programar numa determinada linguagem, isso não é problema, desde que consiga programar noutras linguagens e comunicar de forma aberta para resolver problemas e tenha curiosidade.

Acredita que daqui a 10 ou 15 anos os carros serão totalmente autónomos ou apenas serão conectados?

De uma perspetiva totalmente tecnológica, será possível ter autonomia total nos automóveis. A questão é que em 10 anos há muita coisa que tem de mudar na legislação. Também é preciso perceber se as pessoas estão dispostas a confiar num veículo autónomo. Talvez haja um cenário em que o piloto automático seja desligado de modo a que o condutor possa assumir o controlo do veículo em determinadas situações. Provavelmente, haverá algumas variantes da condução autónoma. Esta discussão não se trata apenas de uma solução tecnológica, tem de ser discutida também pela sociedade.

A aposta do grupo VW na área digital foi tardia, em comparação com outros grupos?

De maneira nenhuma. A diferença é que agora estamos a abrir mais laboratórios e estamos mais centralizados. Precisamos de muito talento e tivemos de mudar os nossos processos de recrutamento. No passado, tínhamos sorte por as pessoas virem ter connosco; agora, temos de ir para onde estão as melhores pessoas que podemos encontrar. É por isso que abrimos escritórios em Lisboa, Berlim e São Francisco e anunciamos a criação do centro em Lisboa. Pessoalmente acho que a VW enquanto grupo oferece muitos projetos interessantes aos profissionais em IT – provavelmente uma variedade que dificilmente outra empresa consegue oferecer.

Quais são os obstáculos que encontra num grupo com várias décadas? Como se muda o grupo VW por dentro?

É evidente que, um pouco por todo o mundo, as exigências do mercado e dos clientes estão a mudar a um ritmo alucinante. Tudo está a mudar, e nós também. Há 10 anos, não fazia sentido apostar nos carros elétricos, quando ninguém precisava deles. Agora, o mercado automóvel está pronto. Está em marcha a eletrificação dos carros em larga escala. No processo de transformação da VW como um fornecedor de serviços de mobilidade, estamos no bom caminho.

Qual será a contribuição do digital para as receitas do grupo VW nos próximos 5 a 10 anos?

Será uma percentagem significativa. Estamos a falar de milhares de milhões de euros das nossas receitas. Com a apresentação do ecossistema “Volkswagen We” estabelecemos uma marca para um serviço de mobilidade abrangente baseado numa plataforma e distribuição de serviços e é aí que a digitalização pode contribuir massivamente para as receitas e é claro que é por aqui que queremos ir. É difícil falar de números concretos mas estamos a falar de negócios de valor significativo.

Onde é que vê o grupo VW em 2025?

Seremos os líderes na venda de carros elétricos, claramente em volume, na experiência para os clientes e em termos de rentabilidade. Seremos uma dos grupos de referência do sector da mobilidade

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