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“Inteligência Artificial vai ser uma ameaça para os advogados”

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A PLMJ está a organizar uma curso avançado em inteligência artificial, pois acredita que esta é a melhor forma de conhecer o futuro da advocacia.

Manuel Lopes Rocha é coordenador da equipa de propriedade intelectual da PLMJ Advogados e tem uma longa carreira ligada ao segmento das tecnologias. Assistiu, na primeira fila, a várias transformações que alteraram por completo a sua área de trabalho. Agora vem aí uma nova transformação, talvez a maior de todas: a inteligência artificial.

Há décadas que se estuda e desenvolvem trabalhos sobre inteligência artificial, mas só nos últimos anos é que oManuel-Lopes-Rocha-2-125x125s ‘astros’ ficaram alinhados para que esta tecnologia possa dar o salto.

Os avisos sucedem-se: as empresas podem adaptar-se e tirar partido desta nova realidade ou podem sofrer um forte declínio, quem sabe desaparecer, nos próximos anos. A PLMJ escolheu a primeira opção e está a organizar um curso avançado em inteligência artificial e direito. Esta semana, por exemplo, a firma de advogados convidou Cédric Manara, conselheiro de direitos digitais da Google, para falar sobre o que faz a empresa nesta área.

À margem da apresentação, falámos com Manuel Lopes Rocha sobre esta aposta que a PLMJ está a fazer.

Por que razão a PLMJ criou um curso focado em inteligência artificial?
Já ouvi várias vezes o presidente do Instituto Superior Técnico, o professor Arlindo Oliveira, dizer, e não é só ele, que a rápida introdução da inteligência artificial vai significar uma ameaça ou uma modificação profunda na profissão de advogado.

Portanto, antes que o futuro nos venha buscar, nós vamos refletir sobre isso. A melhor maneira de refletir é com pessoas que sabem, como o Cédric Manara, convidar pessoas de fora, professores, e conversar para ver o que nos espera o futuro e como nos podemos preparar.

Estão a fazê-lo porque têm medo que os robôs fiquem com o vosso trabalho ou parte dele?
Isso parece pacífico, que não só os robôs, mas também a inteligência artificial, vão ter um enorme papel naquelas funções, dos advogados e dos tribunais, que são repetitivas, que são iguais, que não suscitam uma grande criatividade nem uma grande interpretação.

Vai haver uma mudança grande.

Mas vai ser uma mudança pacífica?
Quer dizer, mudanças nunca são pacíficas. Até agora a tecnologia esvaziava sobretudo as ocupações mais modestas. Pela primeira vez a tecnologia está a entrar no coração das profissões jurídicas, das atividades médicas e em muitas mais.

E pela primeira vez põe-se o problema da coexistência e da própria substituição. Durante um tempo vai haver coexistência, mas depois é capaz de haver substituição.

Nota uma grande diferença nestes temas entre profissionais com muitos anos e os mais jovens?
Ainda há pouco estávamos a ter essa conversa: a diferença geracional, sobretudo quem tem filhos como é o meu caso, é impressionante. São outros mundos.

As pessoas estão muitíssimo bem preparadas hoje em dia, não só do ponto de vista jurídico – os jovens que aqui temos têm quase todos pós-graduações, alguns estão quase doutorados, muitos deles estudaram no estrangeiro.

E depois são muito aptos tecnologicamente, acho que esses vão sobreviver. Quem conseguir perceber a linguagem da tecnologia, tiver muita cultura jurídica, for criativo, for capaz por exemplo de ir ao tribunal – porque os tribunais não vão mudar do dia para a noite -, vão resistir. A mudança vai começar dentro dos escritórios de advogados. Isto vai ser muito rápido.

O Cédric Manara disse que em termos de lei há muitas arestas por limar. Isso é um problema ou uma oportunidade?
São as duas coisas. A posição intermédia de nada fazer é que é a pior. É uma oportunidade porque, não sejamos ingénuos e inocentes, quem chegar primeiro terá alguma recompensa, como acontece nas velhas histórias do oeste americano.

Por outro lado, obviamente que se nos dizem de fora que nós vamos ser um grupo alvo que vai sofrer transformações, então é melhor sermos nós a refletir e estarmos preparados para isso do que a sermos postos de fora. Sobretudo escritórios que sempre estiveram na vanguarda das soluções, como este, convém que se preparem para uma ‘guerra’, que vai ser muito tecnológica.

Portanto, em relação ao futuro, somos todos iguais. Quanto ao futuro somos todos iguais, os grandes e os pequenos. Os grandes, para continuarem a ser grandes, têm de se apetrechar, senão os pequenos obviamente ultrapassam-nos.

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