Luís Pedro Martins: "Importa saber se a TAP quer apoiar o Porto e Norte"

O presidente do Turismo Porto e Norte de Portugal quer a TAP a esclarecer o plano que tem para o aeroporto da região. Lembra que o crescimento do destino está dependente de ligações aéreas e defende a reativação da linha ferroviária do Douro até Espanha.

A TAP tem sido uma pedra no sapato de várias entidades na região. Há dias o ministro das Infraestruturas voltou a incendiar os ânimos. O que quer o Porto e Norte da TAP?

Não podemos admitir dois pesos e duas medidas. Mais importante do que saber se vamos ter quatro, cinco, seis rotas, é ter uma TAP que olha para Lisboa porque tem interesse estratégico para o país, e olha para o Porto como se fosse uma empresa privada, que agora não é. Não se pode apontar o dedo aos voos que vêm para o Porto com 47% de ocupação quando sabemos que há voos para Luanda com 14 e 15% de ocupação ou para S. Paulo com 30%. Interessa-nos saber qual é o plano da TAP para este território. Aguardamos com ansiedade o plano que ficou de apresentar, sabendo nós que outras companhias como a Lufthansa, a Swiss, a Luxair, a easyJet, que conseguem encontrar mercado onde a TAP não encontra. Não admitimos que quando a aviação iniciar a sua retoma que o aeroporto do Porto não mereça para a TAP a mesma percentagem de voos e de rotas que tinha antes da pandemia. A TAP já pediu uma vez desculpas ao Porto e ao Norte, esperemos que não tenha de o fazer duas vezes. Partilho da opinião do presidente da Câmara do Porto quando diz que a TAP tem de optar se quer o Porto como um dos seus aeroportos nacionais, a que é dada a mesma importância que é dada ao hub de Lisboa, ou se o quer de fora. No limite, isso até pode acontecer desde que o Governo dê ao Norte o valor correspondente ao abandono da TAP para a região captar novas rotas. O Porto e Norte, como o resto do país, sempre apoiou a TAP, importa saber se a TAP quer continuar a apoiar o Porto e Norte.

As ligações aéreas são imprescindíveis para o crescimento de um destino turístico. Estão a trabalhar na captação de novas rotas para o pós pandemia?

Esse é um trabalho que vou agora iniciar. É feito em paralelo com o Turismo de Portugal. É importante que as regiões tenham uma voz muita ativa nestas negociações pelo conhecimento dos seus mercados. Temos a disponibilidade da Câmara Municipal do Porto de se juntar ao Turismo Porto e Norte na procura dessas novas rotas, sabendo nós que a questão da aviação é vital para o turismo da região. Basta analisar o que foram os valores de 2019, quando mais de 50% dos turistas eram estrangeiros. Antes da pandemia, o aeroporto crescia à razão de 10% ao ano. É sinal de procura. A resolução de alguns dos principais desafios da região, como o aumento da estada média, a diminuição da sazonalidade e o aumento das receitas passa em grande parte pela captação de mercados de grande distância e aí as três grandes apostas devem ser o Brasil, os Estados Unidos e o Canadá.

Tem apelado à reativação da linha ferroviária do Douro e a sua ligação a Espanha. Mas ainda não foi ouvido...

Nós gostaríamos que no Orçamento do Estado para 2021 a linha do Douro não fosse esquecida e avançasse a ligação do Douro a Espanha, por Castela ou por Salamanca. É absolutamente estratégico para o desenvolvimento da região, em matéria de turismo e também de exportações. A Junta de Castela e Leão está empenhada neste objetivo. Ficámos desiludidos que o assunto não tivesse constado da Cimeira Ibérica, mas não baixaremos os braços e continuamos em conjunto com Castelo e Leão a bater-nos pela reativação da linha. O ministro Pedro Nuno Santos está sensível à questão, mas não encontrou da parte do seu homólogo essa vontade. Por essa razão estamos a interceder esforços junto de Castela para que possa sensibilizar Madrid, sabendo que a Comissão Europeia tem um estudo sobre ligações ferroviárias transfronteiriças onde aponta o potencial da reabertura da linha do Douro em termos turísticos e de coesão social.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de