Novo dono dos Tivoli: "Ainda este ano teremos Tivoli no Médio Oriente"

O CEO do grupo tailandês, Dillip Rajakarier, que comprou hotéis do Espírito Santo quer recuperar marca onde “não se investiu durante anos”.

O que motivou o grupo Minor a comprar os Tivoli?

Primeiro a marca, que é uma da mais antigas, tem 85 anos, e depois porque no nosso plano estratégico sempre quisemos entrar na Europa. Temos muitos clientes europeus que nos visitam nos hotéis que termos na Ásia, Médio Oriente e África e pensámos que podíamos usar estas infraestruturas para expandir a marca para outros destinos e também trazer as nossas marcas para a Europa. Também nos atraíram as propriedades, ou seja, os hotéis, que etsão em boas localizações e têm muito potencial, além da estrutura que os Tivoli têm, ou seja, as pessoas. Além disso, Portugal é, como país dentro da Europa, muito estável e seguro e um destino onde há uma boa relação qualidade preço. No geral, o serviço e os quartos de hotel são bons, as pessoas são simpáticas, há múltiplas experiências que se podem ter e o custo de vida é relativamente baixo.

Porque é tão importante para uma empresa tailandesa ter hotéis na Europa?

É uma questão de diversificação e também porque temos muitos clientes europeus e é simpático trazer as marcas e a experiência que se tem lá para cá, com a comida e os spa.

Que marcas é que pode trazer?

A nossa marca de luxo chama-se Anantara, que está muito bem estabelecida em todos os mercados e alguns hotéis são de facto icónicos com essa marca. Temos a Avani que está mais ou menos ao mesmo nível que os Tivoli e a Oaks, que são apartamentos com serviços de hotel. Estas serão as marcas que penso que fazem sentido em Portugal e na Europa.

O processo de compra dos Tivoli foi complicado e longo, demorou quase dois anos, houve o risco da insolvência e decisões dos tribunais que quase impediram o negócio. Não tiveram vontade de desistir?

Para nós era um negócio importante e garantimos aos empregados que iamos fechar o negócio e que o faríamos apesar de tudo. Porque todos os obstáculos que apareceram podiam ser resolvidos e já tínhamos feito negócios que tinham sido complicados, estávamos habituados a isso. Temos a paciência e sabemos lidar com diferentes personalidades, diferentes instituições financeiras e, acima de tudo, sabemos lidar com pessoas. E por isso não iríamos desistir nunca.

Fizeram um bom negócio?

Um bom negócio é aquele que pode produzir bons resultados a longo prazo e foi isso que vimos nos Tivoli. Às vezes até podemos comprar barato, mas depois podem aparecer problemas com a infraestrutura, o pessoal, a propriedade ou as questões políticas do país e isso não queremos. Para nós era importante o potencial futuro dos Tivoli, saber que podíamos expandir a marca e transformar algumas destas propriedades em hotéis icónicos.

Pagaram quase 300 milhões de euros. Foi barato?

A aquisição dos Tivoli foi a maior que fizemos desde sempre e foi também a maior aquisição de hotéis em Portugal desde sempre.

Quais são os vossos objetivos agora?

Estamos a estudar a abertura de hotéis Tivoli noutros destinos e teremos novidades em breve. Esse é o nosso plano, expandir a marca para fora de Portugal.

Já têm destinos definidos?

Para destinos onde somos fortes, como o Médio Oriente, África, Austrália e Ásia. Mas inicialmente vamos levar os Tivoli para o Médio Oriente e Ásia e talvez alguns dos países africanos de língua portuguesa, como Moçambique ou Angola. Já temos cinco hotéis em Moçambique, das marcas Anantara e Avani, mas há potencial para ter a marca Tivoli, por ser uma empresa portuguesa.

E quando é que isso acontecerá?

Espero que no final deste ano ou no início do próximo possamos já ter alguma coisa, talvez no Médio Oriente ou Ásia.

E em Portugal faz sentido abrir novos hotéis?

A nossa tarefa principal é elevar os hotéis, porque os Tivoli não eram o negócio principal dos anteriores proprietários e para nós, que somos hoteleiros, é o nosso negócio principal. O nosso foco é renovar e transformar os hotéis, porque a estrutura é boa, mas não são renovados há 15 ou 20 anos ou em alguns casos há 30 ou 40 anos.

Já começaram a fazer essa renovação?

Já renovámos os dois hotéis em São Paulo, no Brasil, e cá já fizémos os quartos do Oriente e do Marina Vilamoura e neste ainda vamos fazer, na época baixa, um centro de conferências e ainda vamos mexer na envolvente e na entrada exterior. Depois, até ao final do ano vamos começar o o Tivoli Jardim e o Tivoli Lisboa, que vai tornar-se no hotel de referência da marca e vamos ainda mexer no Victoria

e no Carvoeiro . Este é uma propriedade fabulosa, numa localização fantástica, e foi uma pena que não tenha sido renovado nos últimos 20 a 25 anos, porque precisa de muito investimento e quando acabarmos vai disparar.

O Carvoeiro é um dos hotéis onde vão gastar mais dinheiro?

Sim, porque nada foi feito durante muitos anos. Penso que aí gastaremos uns 15 a 16 milhões de euros.

Quando estarão prontas as obras?

Estas todas que referi estarão prontas antes de meados do próximo ano.

E quanto vão investir no total?

Serão 60 milhões de euros em renovações nos próximos dois ou três anos. É um grande investimento para nós e adicional ao que já pagámos pela compra dos ativos, mas o panorama turístico aqui em Portugal é muito positivo e está a melhorar muito.

Com essas renovações esperam que as receitas e a ocupação subam?

Já estamos a crescer este ano, creio que entre 10% a 15%, e espero que continue. Mas vai ter mais impacto quando as renovações estiverem concluídas, porque teremos clientes que pagam mais. Temos de ser capazes de trazer o tipo de clientes que temos na Ásia para a Europa e para Portugal.

São clientes que gastam mais? Vão aumentar os preços?

Sim, mas como também vamos melhorar a qualidade dos quartos, dos serviços e da experiência e os clientes vão pagar mais, porque existe uma boa relação qualidade preço.

Portugal é a próxima grande cena na Europa ou no mundo?

As pessoas vêm para aqui para se reformar porque há incentivos fiscais, há grandes economias como a China que estão a investir por causa dos vistos gold e do ponto de vista turístico, Portugal costumava ser um bom hub e acho que isso vai voltar.

Porquê?

Tem boas ligações aéreas e penso que no futuro, se Portugal conseguir abrir rotas para economias emergentes como a China e Índia, isso vai trazer valor ao turismo. Um voo direto para a China seria óptimo.

Porque vão mudar o nome do Tivoli Victoria para Anantara, a vossa marca de luxo?

Temos dois hotéis com a mesma marca no mesmo local, o Marina e o Victoria. É quase como se estivessem a competir um com o outro. E o Victoria é uma propriedade tão boa que pode ser facilmente transformado num hotel de seis ou sete estrelas sem muito investimento. devemos investiro uns quatro ou cinco milhões, porque o hotel só precisa de alguns retoques.

E pensam mudar o nome do Tivoli Lisboa ou o do Carvoeiro?

Não, de maneira alguma. A marca é muito conhecida.

No Brasil também querem abrir mais hotéis Tivoli?

Estamos à procura e deveremos ter novidades nos próximos meses. Mas no Brasil também há espaço para mais uma das nossas marcas.

Há um outro empreendimento do Grupo Espírito Santo e que está à venda, a Herdade da Comporta. Estão interessados?

Conheço, mas esse é um projeto que vai demorar muito tempo a fazer, é muito grande e o nosso foco é no potencial que já existe. Ou seja, não pensamos nisso agora.

Ter um resort está fora de questão?

Não, isso não, mas preferíamos fazer, por exemplo, um Tivoli no Porto, porque acho que há lá muitas oportunidades. Há lá muitos turistas agora, até norte americanos, por causa das ligações aéreas diretas ao Porto.

Podem apostar só em imobiliário?

Temos algumas coisas de uso misto, como casas ligadas aos hotéis, mas não fazemos só imobiliário e não queremos. As nossas casas são de grande luxo e precisam dos serviços de um hotel como a lavandaria, o serviço de quarto, os restaurantes, a segurança. Se for imobiliário puro e duro é mais difícil conseguir este nível de luxo.

Leia mais: Tivoli. Impacto dos tailandeses já se sente e vai ser ainda maior.

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