Pedro Capitão: "Até 2024 queremos ter 12 hotéis em Portugal e dez em pipeline"

O diretor de hotelaria da Sonae Capital assume que este ano deverá ser melhor que 2020 para os hotéis do grupo. Mas face à atual conjuntura, defende uma reflexão sobre o prolongamento do lay-off simplificado.

A Sonae Capital decidiu unificar a sua oferta hoteleira sob a marca The Editory Collection Hotels. Com seis hotéis, o grupo mantém a aposta no segmento de cidade - tendo aberturas previstas para os próximos meses. Pedro Capitão, CEO de Hospitality da Sonae Capital, admite que há mais apostas a caminho. Todas em território nacional, a tempo da recuperação esperada do turismo, em 2024.

Porquê a abertura de um novo hotel em Lisboa e no Porto?
O grupo já tem ambição de crescer no mercado nacional há vários anos. Isto na verdade é a concretização de um objetivo de longo prazo. Lisboa tem particular importância por ser um mercado novo para nós - temos base originalmente no Porto - e é um objetivo que há muito tempo ambicionávamos e sobretudo no ativo que é.

Têm outros investimentos em vista? Pode resumir quais os planos para a área de hotelaria?
O grupo tem hoje seis unidades em operação, com cerca de 1100 unidades de alojamento em exploração e o objetivo até 2024 é aumentar em mais 600 unidades de alojamento.

Que se traduz?
Em 12 hotéis.

Onde?
Porto, Lisboa e Algarve. Temos, neste momento, concretizadas estas duas oportunidades, uma para abrir já neste ano e outra no próximo: o The Editory Riverside, em Santa Apolónia (Lisboa) neste ano, e o The Editory Boulevard, nos Aliados (no Porto), em abril do próximo ano. Concretizando, em 2024 mais uma unidade no Porto e, no Algarve, também na Primavera de 2024.

Quando se espera que haja uma retoma do turismo? Em 2024, esperam ter quantas unidades hoteleiras em Portugal?
Em Portugal, as tais 12 concretizadas neste momento. E em pipeline dez.

Essas dez são em Portugal?
Em Portugal.

Não olham para fora do país?
Não, neste momento não.

Vídeo: Lisboa: "Isto é uma corrida de fundo. Faz sentido abrirmos o hotel"

Porquê?
Tem sido a nossa prioridade estratégica. Os mercados de Porto e Lisboa são onde temos detetado as oportunidades do ponto de vista de crescimento e é aí que temos centrado as nossas unidades e a nossa dimensão.

2020 foi um ano difícil para o turismo. A maior parte das unidades hoteleiras ficaram fechadas nos confinamentos. Já têm todas abertas e a operar?
Não. Fomos forçados, em função da ausência de procura, a encerrar grande parte das unidades durante o ano passado e depois no início deste ano. A única exceção foi o Porto Palácio, que esteve aberto desde o início e inclusivamente para apoio a pessoal médico nos primeiros meses do confinamento. Para o verão, temos condições para operar sobretudo os hotéis de lazer, portanto Troia e Algarve. Temos, neste momento, ainda encerradas as unidades de cidade, com exceção do Porto Palácio.

O que é, de certa forma, aparentemente contraditório com a ideia de abrir mais unidades de cidade.
Acreditamos numa retoma do setor e do turismo. É uma aposta no médio-longo prazo. Na verdade, eram decisões anteriores [à pandemia]. Acreditamos que é uma situação meramente temporária. Com o plano de vacinação em curso, esperemos que seja neste final de verão o princípio definitivo da recuperação. Mas, acreditamos que - e ainda que nesta primeira fase as cidades estejam a registar uma retoma da procura mais lenta do que os destinos de lazer -, com a retoma que esperamos que ocorrerá de forma definitiva em 2024/2025, será uma questão de tempo.

Vai haver movimentos de concentração no setor? A Sonae Capital pode olhar para esses ativos?
Faz sentido olharmos para oportunidades dentro do que são as nossas prioridades de crescimento geográfico, certamente que sim. Diria que esta crise é mais uma oportunidade para a concentração do setor que é altamente fragmentado, mas ouço falar de concentração há muitos anos e não temos visto sinais evidentes de que isso aconteça.

Mas estão a olhar para o mercado para ativos que possam adquirir?
Correto. Estamos abertos a oportunidades desse género.

Em algum ponto geográfico?
Porto e Lisboa. Do ponto de vista de prioridade geográfica mantemos essa intenção.

Vídeo: Expectativas para o verão "pouco otimistas"

Que expectativa tem para o verão e em particular na vossa atividade?
Como referi, estamos pouco otimistas no que diz respeito a cidade como destino. Em Troia há sinais positivos do ponto de vista da procura e expectativas de podermos fazer próximo do que fizemos em 2019, o que não deixa de ser um sinal muito positivo - naturalmente um destino com particular incidência de procura de nacionais e é por esse motivo que regista um desempenho melhor do que esperávamos. Em contraste, o Algarve está ainda muito aquém do que desejávamos fruto das restrições de circulação internacional e da notícia recente de Portugal ter saído da lista verde.

Em termos de faturação, presumo, que o ano 2020 tenha sido difícil. O que é que esperam deste ano? Melhor que 2020?
O ano de 2020, diria, foi um desastre para o setor e inevitavelmente para nós. Tivemos uma quebra de cerca de 60% na faturação e que resultou em cerca de 11 milhões de euros em faturação no ano passado. Este ano prevemos crescer cerca de 20% face a 2020.

Muito aquém de 2019?
Muito aquém. Até em função destes indicadores que vamos vendo de retoma da atividade, antecipamos que em 2024 provavelmente estaremos em condições de ter recuperado integralmente o nível de faturação ou de receitas de 2019.

Como vê este plano de reativação do turismo? Vai ser suficiente para reativar o setor?
Toda a ajuda é sempre bem-vinda e importante. Veja-se até agora o momento que passámos, ainda que algumas decisões possam ter sido mais lentas que o que o próprio setor necessitava para tomar decisões.

Vídeo: Lay-off: "Temos de refletir sobre o prolongamento pelo menos até ao final do 1º trimestre"

Como por exemplo?
Por exemplo, as medidas do lay-off simplificado foram fundamentais para o setor e para as empresas aguentarem meses sem atividade. Medidas de capitalização das empresas, de financiamento e apoio aos fenómenos de transição, seja climática, seja digital, são fundamentais.

Que balanço faz das medidas do governo de apoio ao setor?
Como referi, positivas na medida em que foram fundamentais: financiamento, apoio de tesouraria, capitalização e sobretudo de apoio ao emprego. A única crítica que faço é o ritmo a que foram sendo tomadas as decisões.

Faz sentido prolongar algumas?
Neste momento, se olharmos para os dados de mercado e as expectativas de procura até ao final do ano, e tendo em conta que as medidas de apoio ao emprego - lay-off simplificado - terminam em setembro, temos de começar a refletir sobre o seu prolongamento provavelmente pelo menos até ao final do primeiro trimestre.

E se isso não acontecer, pode haver postos de trabalho em risco?
No setor, admito que sim. No caso da Sonae Capital, em função do que foi o desempenho do ano passado, já tomamos as medidas necessárias de reorganização.

A Sonae Capital, na hotelaria, tem créditos em moratória? Vão tentar aderir às soluções de capitalizações de empresas?
A dimensão da organização faz com que algumas das medidas que foram lançadas não as pudéssemos utilizar.

A dimensão do grupo?
A dimensão do grupo como um todo, não necessariamente a unidade de hotelaria, mas a Sonae Capital. Isso na verdade inibiu-nos de recorrer a algumas das medidas. Recorremos essencialmente às medidas de apoio ao emprego.

Como olha para a situação da TAP? A dimensão com que a TAP vai ficar depois da reestruturação serve o turismo?
Nesse aspeto é um ator fundamental para nós, para o país e para o setor turístico em particular. Acho que a TAP precisa de uma decisão política importante sobre o seu papel no futuro. Dois caminhos: se queremos que opere como uma empresa sustentável do ponto de vista financeiro, provavelmente vai ter de fazer um caminho de reflexão de atividade, sobre rotas, teremos uma empresa que funciona nos trâmites normais e que são esperados, e que não pese quer no Orçamento do Estado quer aos contribuintes. Por outro lado, temos de ver se é esse o papel estratégico que a TAP deve desempenhar enquanto companhia de bandeira e que parece ser o seu desígnio, que é como uma das peças de atração, de abertura de novas rotas.
Nos últimos anos, as opções da TAP em termos de novas rotas são de alguma forma coincidentes com o crescimento de alguns mercados: Brasil e EUA.
E esse é um aspeto importante. Será provavelmente um papel a desempenhar pela TAP. Não tenho elementos suficientes para saber se esse caminho - não necessariamente sustentável do ponto de vista da empresa per si - gera benefícios económicos indiretos na economia que mais que compensem, e que do ponto de vista de sociedade ou país faça sentido essa aposta. Acho que faltava clarificar isso, como caminho a seguir para a TAP.

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