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Pedro Rocha Vieira. “Portugal está na Liga Europa das startups”

Pedro Rocha Vieira lidera a Beta-i. Fotografia: Leonardo Negr‹ão / Global Imagens
Pedro Rocha Vieira lidera a Beta-i. Fotografia: Leonardo Negr‹ão / Global Imagens

Beta-i reforça programas de aceleração na área financeira, do turismo e da mobilidade e prepara alterações no Lisbon Challenge

Há um antes e um depois da Web Summit para Portugal no mundo das startups. Para Pedro Rocha Vieira, CEO da Beta-i, o nosso país superou o desafio e entrou numa nova fase depois da cimeira tecnológica que reuniu mais de 50 mil pessoas em Lisboa. Recorrendo à analogia do futebol, “estamos agora na Liga Europa das startups”, diz em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“A Web Summit correu bem e posicionou-nos numa liga diferente. Todos tomámos consciência disso e as pessoas já mudaram de discurso: já não é só a inspiração e o milagre. Mas é preciso continuar a nutrir o ecossistema e alargá-lo ao resto da economia”.

A subida no campeonato também é sentida ao nível do investimento. “Os novos fundos [de investimento] estão a olhar para Portugal, vêm cá e olham com seriedade e uma dedicação que antes não acontecia. Temos reuniões com investidores todas as semanas e ajudamos a fazer o encontro com startups.”

O investimento, um dos pilares da Beta-i, vai ser reforçado ao longo deste ano. A partir da próxima edição do programa de aceleração Lisbon Challenge, marcada para setembro, vai passar a apoiar financeiramente as startups. “Vamos subir de patamar e finalmente estamos preparados para esta nova etapa. Há uma reputação internacional que permite atrair startups de outro nível.” O investimento será feito em parceria com o fundo de capital de risco LC Ventures, que conta com três dos fundadores da Beta-i como gestores.

Mas para as startups receberem capital são necessários investidores devidamente informados. A Academia do Investimento, que será lançada também este ano, vai servir para promover as melhores práticas internacionais.

“Sentimos que há necessidade, com o lançamento de fundos do Governo e do IFD [’banco de fomento’] e das baixas rentabilidades de depósitos a prazo, que há cada vez mais apetite dos investidores por startups.”

Neste eixo, a Beta-i vai voltar a promover a cimeira de investimento (Lisbon Investment Summit), a 6 e 7 de junho, antecipada pela Startup Tour, que vai apresentar ao público e aos investidores o que se faz de melhor no ecossistema português.

Mais aceleração
Os programas de aceleração são outro dos ‘pratos fortes’ da Beta-i. A dose será reforçada nas próximas semanas com a apresentação de um novo projeto para a área do turismo. Em parceria com o Turismo de Portugal, a Beta-i vai associar-se a mais seis empresas – Airbnb, NOS, grupo Pestana, a plataforma de reservas Amadeus, o grupo Barraqueiro e a Abreu – com um programa para promover parcerias entre as startups e vários parceiros, que têm presença em áreas como o alojamento, transportes, reservas de viagem e telecomunicações, antecipa Pedro Rocha Vieira ao Dinheiro Vivo. A iniciativa será formalmente apresentada durante a BTL Lisboa, que se realiza entre 15 e 19 de março.

Além do turismo, a Beta-i pretende especializar-se em áreas como as fintech (startups financeiras) e a mobilidade, ao mesmo tempo que admite que também está a olhar para setores como a agricultura e o retalho. Exemplo disso são os programas de aceleração promovidos em parceria com empresas como a Fosun/Fidelidade (Protechting), o Smart Open Lisbon e o SIBS PayForward.

Turismo é uma das principais apostas da Beta-i para os próximos anos. Foto: Gonçalo Villaverde / Global Imagens

Turismo é uma das principais apostas da Beta-i para os próximos anos. Foto: Gonçalo Villaverde / Global Imagens

“Acompanhamos o programa do Governo para a indústria 4.0 e queremos trazer inovação para dentro dos setores”. Nesse sentido, a Beta-i vai lançar, ainda este mês, o conceito The Future Is. A seguir ao evento de lançamento, serão feitas quatro conferências específicas para debater a inovação na área financeira, do turismo, dos dados e da saúde.

Startup Portugal
Apresentada em junho do ano passado, a Startup Portugal é a estratégia do Governo para o empreendedorismo. Algumas das medidas já estão em vigor, como o caso do Programa Semente, que concede deduções no IRS aos particulares que investirem em startups. Para Rocha Vieira, o Governo “tem dado continuidade a programas e iniciativas já existentes” e tem “mobilizado a sociedade, colocando na agenda a inovação, o investimento e a indústria 4.0”.

“Mas há muitas melhorias a fazer” e “às vezes há anúncios um pouco prematuros; depois, a adaptação dos projetos-lei ao contexto real demora muito tempo. É um pouco frustrante para os políticos”. Sobre os apoios estatais, Rocha Vieira diz ainda que “é importante deixar espaço para os privados e atrair programas internacionais sem esquecer o que é feito a nível nacional”.

Novos espaços
A chegada a Portugal de espaços de cowork (trabalho partilhado), como o Second Home e de incubação e de aceleração como o Impact Hub, coloca novos desafios. “Há mudanças nas dinâmicas de trabalho” e é necessário responder a um novo perfil de empresas e de empreendedores, “numa lógica descentralizada”.

“Temos de articular-nos com estes novos projetos e acrescentar valor”. Exemplo disso é a parceria com a espanhola Tetuan Valley, para desenvolver programas corporativos, programas de pré-aceleração e investimentos em startups de Madrid. As duas organizações pretendem ser a maior referência da Península Ibérica em programas de inovação e empreendedorismo.

Ainda no campo das parcerias, a Beta-i associou-se à European Innovation Academy para uma aceleradora para estudantes em Portugal. O acordo é válido por cinco anos e conta com a colaboração das universidades de Berkerley e Stanford e a Google. A primeira edição terá a duração de três semanas e será realizada em Cascais, que irá receber 400 participantes de 63 nacionalidades diferentes.

Estas iniciativas vão decorrer numa altura em que já se nota em Portugal “uma diferença de fundo entre as startups maratonistas e as restantes. Começa-se a ver um ligeiro abrandamento de novos negócios e sinais de algumas startups que possam ter de fechar”.

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