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Sonae Capital: “Mercado imobiliário está muito aquecido. Há que ser cuidadoso”

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Sonae Capital, ao comando de Miguel Gil Mata, ganhou a concessão do hotel que vai nascer na Estação de Santa Apolónia. As portas abrem em 2021

O leme de Miguel Gil Mata está no Porto, mas é em Lisboa que a Sonae Capital deu o grande salto, com a concessão do hotel que vai nascer na Estação de Santa Apolónia. A hotelaria é um setor onde há muitas Oportunidades, diz, mas quanto ao Imobiliário, é preciso cautela e ponderação.

A Sonae Capital, através da marca The House, vai avançar com o projeto de um hotel para a estação de Sta. Apolónia. Quando é que as obras arrancam?
Já estamos a fazer os trabalhos preparatórios. Há muito para preparar e estudar, desde fazer sondagens no edifício, calcular tudo o que é preciso modificar, fazer cadernos de encargos, enfim,… nunca passarão menos de 6 meses antes que a obra possa arrancar. É uma obra complexa e que tem de manter integralmente o património, de grande valor histórico e arquitetónico. Esperamos que o hotel possa abrir em meados de 2021.

Admitiu que havia obstáculos a ultrapassar. Que obstáculos são esses?
Na altura ainda não tínhamos sido anunciados vencedores. Entretanto esses obstáculos foram ultrapassados, concretizou-se a atribuição oficial da concessão, portanto estamos livres para avançar.

A reabilitação do edifício está avaliada em 12 milhões de euros. Mas quanto é que vão pagar à Infraestruturas de Portugal pela concessão?
O montante que vamos pagar, perdoem-me, é informação reservada. Mas diria que é um valor que consideramos competitivo e razoável, que remunera adequadamente o proprietário do edifício e, portanto, bom para ambas as partes.

Qual é o público deste hotel?
Este hotel tem a vantagem de apelar a um público vasto e diversificado, podemos atrair residentes e estrangeiros. É um local extremamente central, com visibilidade e movimento, numa zona da cidade que está a melhorar a cada dia. Podemos atrair um segmento corporate, um segmento city-break, enfim, é de grande amplitude.

A classificação já está decidida?
Faremos um hotel ou de 4 ou de 5 estrelas. Os de 5 estrelas obedecem a critérios relativamente rígidos e hoje em dia não é muito justo juntar a classificação à qualidade do produto…O que posso garantir é que a qualidade vai ser muito elevada. O local, o edifício, a cidade merecem.

Vídeo. Hotel em Santa Apolónia a partir de 2021

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A Sonae Capital tem seguido um modelo de exploração. Lisboa está a despertar para um novo negócio desta natureza – o hotel do CCB. Estão interessados?
Um projeto dessa dimensão e com esse carisma é sempre um projeto que acompanharemos e, por princípio, temos interesse. Mas naturalmente que cumprimos com Santa Apolónia o desígnio de estar em Lisboa. Ampliar essa presença é sempre desejável, mas não lhe consigo dizer se será no CCB ou noutro sítio, ou se acontecerá.

Projetar, construir e pagar uma renda de 300 mil euros é pedir demasiado ao concessionário?
É uma pergunta difícil. É um projeto de grande ambição, de grande dimensão e que não se esgota na componente hoteleira, portanto tem muitas variáveis. A renda é apenas uma. Conforme o contexto, a renda até pode ser adequada.

Com o imobiliário em alta ainda é possível fazer bons negócios?
É muito mais desafiante, o mercado hoje está muito aquecido nos grandes centros urbanos, em concreto em Lisboa e Porto. Há que ser cuidadoso. O crescimento é um objetivo mas não se pode perder o rumo nem fugir a critérios de rentabilidade, de retorno de capital, que têm de ser acompanhados. Face a este mercado estamos a ser extremamente cuidadosos, trabalhar muito no sentido de avaliar com todo o detalhe as oportunidades e perceber quais é que realmente encerram valor ou as que são muito especulativas.

E essas oportunidades são de compra ou de venda?
O mercado hoteleiro em geral é propício a alguma consolidação. É bastante fragmentado, atrativo, em crescimento, um mercado que beneficia de alguns efeitos de escala, portanto é um mercado com oportunidades. Temos feito o nosso caminho por crescimento orgânico e continuaremos a fazê-lo, não quer dizer que num mercado deste género não estaremos atentos às oportunidades.

O maior investimento da Sonae Capital ao longo dos últimos anos é em Tróia. Quanto é que já investiram no Tróia Resort?
Há mais de 20 anos que começámos a atribuir recursos a esse grande empreendimento, portanto é difícil fazer um cálculo apurado. Posso dizer que já investimos muito, mas estamos muito contentes com o retorno. Demonstra o nosso compromisso de muito longo prazo, de resiliência e visão. No caso não posso deixar de referir o contributo determinante do Eng. Belmiro de Azevedo, na altura, e que hoje se reflete numa grande satisfação para nós ao ver que construímos em Tróia, grosso-modo, 550 unidades de alojamento das quais já vendemos 470. Já captámos mais dinheiro vindo de fora para Tróia do que até de compras de residentes em Portugal – um pouco mais, 55%. Temos em Tróia compradores de 35 nacionalidades, um produto de grande qualidade e que tem vindo a acelerar as vendas.

Que nacionalidades são essas?
São 35… nacionalidades: espanhóis, alemães, franceses; do Oriente: Singapura, Vietname, China; americanos, brasileiros, nórdicos, suecos muitos outros.

Vídeo. “Peso do imobiliário é muito grande” na Sonae Capital

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Têm mais planos para Tróia?
Tróia tem bastante capacidade para mais development. Estamos neste momento a trabalhar numa lógica em que não somos nós que fazemos esse development. O peso do imobiliário no nosso portefólio é muito importante e queremos reequilibrá-lo com outras unidades de negócio, portanto temos trabalhado na comercialização de alguns macro-lotes e unidades de desenvolvimento ainda disponíveis a terceiros.

Portanto, não veremos a Sonae Capital a construir outro empreendimento como este?
Por agora não está nos planos.

Também atuam na Energia. Neste momento está a ser construída a nova central de biomassa em Mangualde, num investimento de 50 milhões de euros, e que deve ficar pronta no início de 2020. O que é que esta central vai representar ?
É a aposta numa central sustentável, totalmente integrada com recursos locais. Tem uma simbiose perfeita com uma unidade industrial instalada naquele local, e que permite um aproveitamento praticamente integral de toda a produção energética, não só elétrica mas também térmica. É a melhor forma de rentabilizar a biomassa florestal.

É o que querem para o futuro?
Sim, é claramente o tipo de investimento que queremos.

Qual é a margem de crescimento a partir daqui?
Portugal, falando só de Energia, é um mercado relativamente estreito. Mas como a nossa ambição é maior, abrimos atividade no México, onde já temos uma pequena equipa residente.

Já há novidades?
Temos um conjunto de projetos em estudo. Não espero projetos no curto prazo, mas estamos a trabalhar, fazer contactos, parcerias.
Há outros países a caminho?
Não há necessidade, para já, de entrar em mais nenhuma geografia.

Falamos de investimento mas nos primeiros nove meses de 2018 os resultados foram negativos. Como é que fecharam 2018?
A SC tem feito um percurso de interessante de aumento da rentabilidade operacional, tem investido muitíssimo dinheiro fruto de uma situação líquida confortável, uma alavancagem que consideramos conservadora, baixos níveis de dívida. Esses fortes investimentos resultam em amortizações elevadas. Mas a nossa lógica é de longo prazo e há muitos critérios de rentabilidade que acompanhamos para além do resultado líquido.

Voltaram a fechar no vermelho?
Ainda não apresentamos resultados. Fá-lo-emos a 1 de março.

A SC lidera o ranking sobre a representação feminina em posições de liderança. As quotas de género que estão a ser implementadas nas grandes empresas e no Estado são importantes?
São um sinal, e estão a ter algum impacto. As quotas por si não endereçam a questão estrutural, são uma forma de começar uma mudança e têm o mérito de trazer o tema para a ordem do dia o que já é um grande princípio. Mas penso que sozinhas não serão capazes de fazer mudar o panorama global. Muitas vezes o que vemos nas pirâmides das empresas é um base paritária, um topo razoavelmente paritário mas ao longo da pirâmide uma longa assimetria.

Acha que os próximos anos trarão a mudança?
Acho.
E que essa mudança também chegará aos salários, para que posições iguais representem pagamentos iguais?
Tenho tendência a pensar, pela minha experiência, que o problema reside nas posições e não nos salários que as acompanham. Acredito que o problema reside no facto de as senhoras não ocuparem os mesmos lugares do que os homens, não tanto de, quando os ocupam, ganharem menos. Na nossa companhia não há nenhuma discriminação salarial de género, observa-se é ainda uma realidade – que não nos agrada – que é a da paridade nas posições que ocupam.

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