Startup Portugal

Startup Portugal: Base de dados nacional nasce até final deste ano

Simon Schaefer, CEO da Startup Portugal, fotografado em Lisboa.  (Sara Matos / Global Imagens)
Simon Schaefer, CEO da Startup Portugal, fotografado em Lisboa. (Sara Matos / Global Imagens)

Plataforma Startup Center vai juntar toda a informação sobre apoios para fazedores. Associação tem orçamento de dois milhões de euros por dois anos.

Portugal vai ter uma base de dados com toda a informação sobre os apoios disponíveis para as startups até ao final deste ano. Esta é uma das medidas da associação Startup Portugal para executar a estratégia de empreendedorismo.

Ao fim de dois anos, o alemão Simon Schaefer, que lidera a associação, conta ao Dinheiro Vivo como está a ser executado o orçamento de dois milhões de euros desta entidade, que é válido até ao próximo ano.

A Startup Portugal nasceu há dois anos. Qual o impacto criado no ecossistema?
O hype ainda não acabou e já gerou sucessos e fracassos. Basta olharmos para os problemas com a Chic by Choice ou para a entrada em Bolsa da Farfetch. São os dois extremos daquilo que acontece em qualquer ecossistema.

Houve mais sucessos ou fracassos?
Provavelmente, mais fracassos, tendo em conta que nove em cada 10 startups costumam falhar. É positivo celebrarmos o sucesso mas não é assim tão bom não estarmos a lidar totalmente com o fracasso. Ouvimos falar muito dos falhanços mas temos de melhorar a forma como lidamos com eles nos próximos dois anos.

Há um plano para debater o falhanço?
Não é uma área onde possamos colocar todo o nosso valor. Podemos falar sobre isso algumas vezes mas não é propriamente o nosso papel.

Qual foi o impacto financeiro criado pelas novas empresas?
Não temos respostas para isso ainda. Apenas sabemos que 43% dos empregos criados no primeiro ano foram em empresas com três ou menos anos. O impacto verdadeiro não é criado pela Startup Portugal mas sim pelo momentum gerado pelas pessoas em todo o país. A Web Summit também deu um grande contributo para isso, porque deu muito mais visibilidade ao trabalho das startups portuguesas. A Startup Portugal está cá para ajudá-las mas não é responsável por elas. Não somos responsáveis pelo impacto financeiro; isso é criado pelos empreendedores. Apenas ajudamos a promovê-los.

Sabem qual o efeito criado pelas startups?
Sabemos os empregos criados mas não conhecemos o número de fracassos. Estamos a trabalhar nisso e a desenvolver uma base de dados nacional sobre as ofertas do nosso ecossistema para encontrar mais facilmente as coisas. Assim que isso estiver pronto, teremos uma visão mais realista das startups em Portugal.

Quando é que a base de dados estará completa?
A primeira versão estará disponível ainda este ano, mas será constantemente atualizada. Queremos juntar também outras bases de dados à nossa plataforma, como a Crunchbase, e que qualquer pessoa nos possa enviar esses dados e faça esse esforço por nós.

As missões de startups a feiras internacionais são um dos pilares da vossa associação. Qual é o efeito para as participantes?
Pelo menos duas startups conheceram pessoas que lhes permitiram obter investimento. Limitamo-nos a montar um palco para as empresas se apresentarem aos investidores e também para mostrar o país no estrangeiro. Quanto mais empresas e empreendedores do estrangeiro vierem cá, maior será o efeito no ecossistema português. Vimos isso com a Farfetch, que começou em Londres, mas depois abriu escritórios em Portugal. Queremos mais exemplos desses; é para isso que servem as missões no estrangeiro.

Estas missões também servem para as startups conseguirem mais parcerias?
Claro. É um esforço para promover a nossa rede de empreendedorismo. As startups precisam de conseguir mais contactos e de participar duas e três vezes em vários eventos.

Normalmente são as startups mais novas que participam nestas missões. Quais as razões?
Acredito pessoalmente que as startups mais maduras, já com investimento em série A [a partir dos três milhões de euros], não precisam da nossa ajuda. Somos muito mais valiosos para as empresas mais novas, porque precisam de treinar o seu pitch e entender como se capta investimento.

Estas missões são uma espécie de academia para as startups?
Pode ser, mais ainda não somos grandes o suficiente para fazer isso. Precisamos de crescer.

De que forma a Startup Portugal pode crescer, depois do financiamento no ano passado?
Estamos a estudar como financiar as missões no estrangeiro no próximo ano. Escalar mais do que isso para já não é prioritário. Se ficarmos tal como estamos, já é bastante bom.

Vão manter as 18 missões em 2019?
Espero que sim, mas ainda não está fechado.

Precisam de mais dinheiro?
Algumas das coisas que estamos a fazer revelaram-se certeiras, como o programa Momentum [bolsa para desenvolver ideias de negócio] e as missões no estrangeiro. Faz sentido fazer crescer essas iniciativas e isso pode acontecer depois dos dois primeiros anos de atividade, no final do próximo ano. Ainda não temos muitos planos porque estamos a preparar a nossa campanha para a Web Summit deste ano. Só depois disso é que teremos o plano para 2019.

Qual foi o financiamento obtido em 2017?
Pouco mais de dois milhões de euros para os primeiros dois anos, para toda a atividade.

Não é pouco?
Recebemos pouco, mas conseguimos gerar muita atenção.

Quando precisarem de mais financiamento vão pedir mais dinheiro?
Provavelmente, sim. Mas 2019 é ano de eleições legislativas e há uma grande expectativa.

Como é que estamos a aprender com os falhanços de outros países?
O fundo 200M [fundo de coinvestimento] é um ótimo exemplo. Vi várias iniciativas de financiamento público a startups no estrangeiro que não correram nada bem. Não queremos que isso aconteça em Portugal, por isso é que demorámos quase dois anos entre o anúncio e o início do fundo.

Há um recuo no número de novas startups em Portugal?
Nos últimos anos houve uma ligeira descida, mas espero que os investimentos em startups portuguesas tenham impacto na confiança do ecossistema.

Quem está a financiar as startups em Portugal?
Os investidores estrangeiros estão a investir em Portugal. Olhemos para a Unbabel, que obteve financiamento da Samsung Next, o fundo de investimento da Samsung. Isso vai aumentar a confiança dos investidores portugueses, como aconteceu há alguns anos em Berlim, um dos maiores ecossistemas empreendedores internacionais.

As startups dependem demasiado do investimento público, sobretudo no início de vida?
Não, embora seja a altura com mais risco. Isso acontece porque ainda foram dadas provas ao mercado, os indicadores de referência não são suficientes e ainda não há muito sucesso para mostrar. Por isso é que há receio. Em Portugal vamos ver o mesmo que aconteceu na Alemanha: alguns investidores começaram a apostar em startups numa fase cada vez mais inicial e a recolher mais sucesso. A situação vai resolver-se por si própria: o hype cria sucesso, o sucesso cria confiança e com isso gera-se mais investimento e melhores oportunidades.

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