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Startup Portugal recebe investimento “de vários milhões de euros”

Simon Schaefer, CEO da Startup Portugal, a entidade que gere a estratégia de empreendedorismo de Portugal. Fotografia: Octávio Passos/Global Imagens
Simon Schaefer, CEO da Startup Portugal, a entidade que gere a estratégia de empreendedorismo de Portugal. Fotografia: Octávio Passos/Global Imagens

Graças a este investimento, startups portuguesas poderão participar em grandes eventos mundiais de tecnologia. Primeira missão arranca em novembro

As rondas de financiamento são uma das etapas necessárias para praticamente todas as startups. O exemplo aplica-se mesmo à Startup Portugal, que recebeu um investimento em série A na ordem dos vários milhões de euros. O anúncio foi feito por Simon Schaefer, CEO da entidade que gere a estratégia de empreendedorismo em Portugal, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A operação contou com o apoio exclusivo de empresas públicas e privadas portuguesas e vai permitir, por exemplo, a realização de missões internacionais com startups portuguesas, que estarão presentes em alguns dos maiores eventos de tecnologia do mundo. A primeira vai decorrer no final de novembro, com a presença de empresas portuguesas na conferência Slush, em Helsínquia (Finlândia).

Qual o balanço que faz do primeiro ano da Startup Portugal?

Como qualquer startup, tivemos muitas expectativas no início e muitos obstáculos pelo caminho. Estamos muito melhor do que há um ano. Começámos com uma equipa muito pequena, com muito poucos recursos e podemos dizer, com orgulho, que conseguimos os recursos necessários para podermos continuar e temos mesmo um plano para os próximos dois anos. A equipa está a crescer, estamos a contratar e teremos mais dois escritórios, um no Hub Criativo do Beato e outro no Porto. É como se estivéssemos numa série A.

Porque estão numa série A?

As etapas de financiamento dividem-se em pre-seed, seed e séries. O nosso pre-seed começou com o apoio, há alguns anos, do [primeiro-ministro] António Costa e do [ex-secretário de Estado da Indústria] João Vasconcelos. A nossa fase seed decorreu durante o último ano e agora estamos na série A, com um produto no mercado, devidamente financiado. Recebemos um investimento de vários milhões de euros.

Que tipo de investidores tem a Startup Portugal?

Quer empresas públicas quer privadas, todos portugueses, como a ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), AICEP, ANI (Agência Nacional de Inovação), Aptoide, CEiiA, Cisco, ISQ, Montepio, PME Investimentos, Portugal Ventures e Turismo de Portugal. Nos próximos tempos poderão juntar-se parceiros estrangeiros.

Que tipo de financiamento receberam?

Quer em serviços quer em capital. E mais empresas vão juntar-se a nós. O meu objetivo, desde sempre, tem sido ver crescer a Startup Portugal para lá de Portugal e criar uma marca na Europa. Queremos atrair mais empresas para cá, como o caso da Daimler e o Digital Delivery Hub. É extremamente importante criar pontes entre a indústria tradicional, grandes empresas, startups e governo. É onde nos posicionamos.

A primeira coisa que fiz quando cheguei cá foi instalar a minha empresa, para perceber o que sentem os empreendedores de Portugal. Apercebi-me de que era preciso um tradutor profissional para conseguir assinar os documentos. É uma situação tão complicada como na Alemanha.

Quais foram os principais desafios da Startup Portugal no primeiro ano?

Pessoalmente, o grande desafio foi habituar-me ao ecossistema português, não do lado das startups mas sim lidar com todas as entidades públicas. Também foi difícil explicar a estas empresas o que é uma startup em Portugal. No estrangeiro, vejo muitos programas de governos ligados a startups e que não estão a funcionar bem, porque são duas pessoas completamente diferentes. Criámos a Rede Nacional de Incubadoras (RNI) para lidar com as startups.

Um dos principais obstáculos de Portugal é a burocracia. Também sente isso?

Sim, claro. A primeira coisa que fiz quando cheguei cá foi instalar a minha empresa, para perceber o que sentem os empreendedores de Portugal. Apercebi-me de que era preciso um tradutor profissional para conseguir assinar os documentos. É uma situação tão complicada como na Alemanha. Não é mais difícil do que noutros países. Mas estamos a fazer algumas mudanças: podemos ter a legislação em dois idiomas, para que seja muito mais fácil instalar cá uma empresa.

E a aplicação dessas medidas depende mais da Startup Portugal ou do Ministério da Economia?

Se dependesse de mim…[risos]. Este processo de adaptação e entendimento das dificuldades não pode ser feito de um dia para o outro. Nove em cada dez startups falham e grande parte delas não é ouvida. Só estamos a ouvir 10% das empresas. O que vamos fazer na Startup Portugal é focarmo-nos nos restantes 90% e ensiná-las a fazer o seu pitch (apresentação a potenciais investidores). Também temos outras medidas em calha.

Quais vão ser as novidades da Startup Portugal?

Graças ao financiamento, poderemos realizar missões internacionais e levar startups a eventos.

Que eventos?

O primeiro evento será o Slush, um dos maiores eventos mundiais dedicados a startups e que se realiza entre 30 de novembro e 1 de dezembro, em Helsínquia (Finlândia).

Houve várias medidas que foram anunciadas em 2016 e que não foram concretizadas…

Em qualquer startup, temos o plano de negócio e, depois, a realidade. Habitualmente, o plano de negócio é mais ambicioso do que a realidade. Começámos com uma equipa de quatro pessoas e agora somos nove. Estamos a crescer sustentadamente mas queremos manter-nos sustentadamente. Queremos trabalhar com startups da Índia, do Brasil e de Macau e, agora, temos recursos para isso.

Onde é que esses recursos vão ser usados?

Remodelámos a nossa página na internet e abriremos vários concursos depois da Web Summit. Haverá plataformas individuais com outros países onde as pessoas poderão subscrever e participar, por exemplo, em programas para startups na Índia.

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