Mobilidade coletiva é opção sustentável de futuro

Elétrica ou a hidrogénio: não importa a tecnologia que suporta o transporte coletivo de passageiros, defendem os convidados do último episódio do Barómetro Automóvel. O fundamental é caminhar em direção às viagens descarbonizadas.

Mais de 15 mil veículos elétricos foram vendidos em Portugal entre janeiro e outubro, um aumento acima de 58% em relação ao período homólogo. Embora a eletrificação do parque automóvel nacional ainda represente uma pequena parte do total de viaturas nas estradas, os dados da UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos mostram uma tendência de crescimento que já não é possível ignorar. Ao longo dos últimos meses, o Barómetro Automóvel - iniciativa TSF/Dinheiro Vivo com apoio do Standvirtual - tem vindo a acompanhar a evolução do mercado de automóveis novos e usados, que parece agora estar a estabilizar no que diz respeito à oferta e à procura.

"Na perspetiva de quem pondera comprar um carro há algumas boas novidades. Dado que há algum abrandamento do mercado em relação à procura e à oferta, que começa a surgir em maior quantidade, pode começar-se a antecipar alguma estabilização em termos de crescimento de preços", analisa Nuno Castel-Branco, diretor-geral do Standvirtual. No que diz respeito aos usados elétricos, o responsável aponta que ainda existe "escassez" e que a procura continua "elevada".

Na verdade, a pandemia e, mais recentemente, os efeitos da guerra na Ucrânia nos preços do combustível fizeram disparar o interesse dos consumidores em veículos elétricos. "A procura subiu cerca de 150%", aponta o líder da plataforma de compra e venda de automóveis, que acredita que os portugueses veem cada vez mais a eletrificação como uma opção sustentável e, sobretudo, mais económica. "Em média, [o custo de 100 quilómetros] é de 12 euros num carro a combustão e podemos estar a falar de dois euros com um carro carregado em casa", esclarece.

Descarbonizar o transporte público

Francisco Vilaça, diretor da Uber em Portugal, e Tiago Alves, responsável pelo mercado nacional da FlixBus, foram os convidados do último episódio do Barómetro Automóvel, onde partilharam o que estas empresas estão a fazer pela mobilidade sustentável. No caso da plataforma digital de viagens, Francisco Vilaça recorda que "Lisboa foi pioneira no mundo em ter uma opção 100% elétrica", a Uber Green, que nasceu na capital portuguesa em 2016 e foi, depois, exportada além-fronteiras. Embora a multinacional não adiante o número de veículos elétricos que compõem a frota no país, garante que, entre 2020 e 2021, o número de quilómetros com zero emissões aumentou 55%. "Temos um compromisso muito forte em sermos uma plataforma com zero emissões até 2030 na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá", perspetiva.

Objetivo semelhante tem a FlixBus. A operadora de autocarros assegura que a intenção passa por, numa década, "conseguir ter a frota descarbonizada", sendo a eletrificação uma das soluções adotadas. Porém, alerta Tiago Alves, há ainda desafios que importa superar para conseguir eliminar as emissões de CO2 do transporte coletivo pesado de passageiros, já que não existem hoje soluções que permitam viagens longas sem motores a combustão. Mas a empresa já tem projetos em toda a Europa - onde opera 400 mil ligações diárias em 36 países - que estão a testar alternativas como a eletrificação, mas também o gás natural ou biocombustível.

"A nível elétrico, temos aqui em Portugal um piloto que lançámos no início do verão, em que colocámos a operar entre o Porto e Bragança o primeiro autocarro elétrico de longa distância [do país]", exemplifica. O hidrogénio, acredita, será "eventualmente uma solução daqui a dez anos", mas é preciso começar o caminho da sustentabilidade antes disso.

No entanto, Tiago Alves lembra que "a mobilidade coletiva só por si é mais verde do que a mobilidade individual", mesmo que dependa de combustíveis fósseis. "Se um autocarro conseguir levar 40 ou 45 pessoas de Lisboa ao Porto, eventualmente estamos a tirar 30 viaturas da estrada", afirma. Enquanto outras opções são testadas, a FlixBus dotou a frota de autocarros com os motores a combustão mais eficientes, de forma a diminuir a pegada ambiental.

Um ponto em que ambos concordam é na necessidade de cada vez mais oferecer soluções multimodais aos consumidores. "Queremos ajudar nessa visão [de cidade multimodal] disponibilizando, numa só app, cinco opções de mobilidade para que a pessoa possa escolher usar o seu carro individual, um carro de cinco ou seis lugares na Uber ou uma trotineta para complemento a um trajeto dentro da cidade", explica Francisco Vilaça.

Para as deslocações entre cidades, a FlixBus tem apostado no poder dos dados para adaptar a sua oferta e criar opções que vão ao encontro das necessidades dos passageiros. Seguindo esta estratégia, a empresa disponibilizou um trajeto diário de autocarro entre Lisboa e Braga para evitar uma deslocação que, até aqui, obrigava a passar no Porto. "Entendemos apostar em dois horários diários, permitindo ganhar 20 minutos. Mais 10, 15 ou 20 minutos pode ser, às vezes, o suficiente para alguém abdicar da mobilidade coletiva e optar pela chave do carro", diz Tiago Alves.

Independentemente da tecnologia utilizada para reduzir as emissões, ambos defendem ser fundamental caminhar em direção à descarbonização da mobilidade e assegurar aos passageiros opções seguras, confortáveis e fiáveis. Só assim, acreditam, será possível cumprir o desígnio da neutralidade carbónica.

Todos os meses, a TSF, o Dinheiro Vivo e o Standvirtual juntam-se para um novo episódio do Barómetro Automóvel, um espaço que privilegia a análise do sector, o esclarecimento de dúvidas e o debate sobre o futuro da indústria.

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