Portugal está entre os países com "maior preparação" para abraçar a mobilidade sustentável

A conclusão é de Miguel Pinto, diretor da Polestar em Portugal, e Nuno Costa, diretor de marketing da Porsche Ibérica, convidados do episódio deste mês do Barómetro Automóvel. Vendas digitais e serviços agregados farão parte do futuro das marcas, avisam os peritos.

Embora pequeno em território terrestre e com apenas 10,3 milhões de habitantes, Portugal é frequentemente apontado como pioneiro na inovação. Aconteceu com a ViaVerde, com o Multibanco e, mais recentemente, com a rede pública de carregamento elétrico. "Hoje em dia, se tiver um cartão da EDP, da Galp ou da Prio, este funciona na rede pública", aponta Nuno Castel-Branco, em referência à interoperabilidade dos sistemas. Para o diretor-geral do Standvirtual, esta é uma das características que justifica o que considera ser uma boa adesão dos portugueses à mobilidade elétrica.

No quinto episódio do Barómetro Automóvel, um programa TSF/Dinheiro Vivo com apoio do Standvirtual, Miguel Pinto, diretor da Polestar Portugal, e Nuno Costa, diretor de marketing da Porsche Ibérica, concordaram com a ideia de que o país reúne as condições necessárias para abraçar, de forma rápida, o futuro do setor. "Somos um dos países do mundo com grande capacidade e maior preparação, até em comparação com Espanha", considera Miguel Pinto. Para o responsável da marca 100% elétrica - que se estreia nas estradas nacionais com o Polestar 2, já disponível para encomenda -, "o apetite" dos consumidores deve-se, em grande medida, à qualidade da infraestrutura pública.

"Em números absolutos, Portugal tem um carregador elétrico a cada 16 quilómetros e isso é bastante relevante", reforça Nuno Costa. Na verdade, a crescente simplicidade do "abastecimento" por estes dias, aliada aos baixos custos do carregamento e da manutenção, são fatores que ajudam a explicar o crescimento acentuado do mercado de elétricos. Apesar da queda generalizada dos automóveis novos (-16%), facilitada pelos desafios nas cadeias de produção e agravada pela guerra na Ucrânia, Nuno Castel-Branco sublinha que, na frota eletrificada, as vendas aumentaram 9% face a 2021. "Mas quando olhamos para o agregado dos primeiros quatro meses de 2022, o mercado dos carros 100% elétricos cresceu 88%", destaca. Para estes responsáveis ligados à indústria automóvel, o contributo das marcas tem sido um elemento-chave através da aposta em estratégias consistentes de eletrificação.

Além da pressão crescente dos consumidores, cada vez mais conscientes sobre a importância da sustentabilidade ambiental, a pressão política e regulatória tem ajudado a impulsionar este caminho. Recentemente, a Comissão Europeia aprovou uma medida que prevê a proibição da venda de motores a combustão na Europa a partir de 2035, ainda que associações como a portuguesa UVE defendam mais restrições já no final da década. "Uma marca nicho como a Porsche apostou na eletrificação da sua oferta", refere Nuno Costa, que garante que 60% do portefólio já é dominado por híbridos. Por outro lado, o elétrico Taycan "é o mais vendido" do emblema alemão.

No caso da Polestar, nascida elétrica, as preocupações são outras. "Até 2030, temos vários objetivos e um deles é criar uma viatura que vá desde o ponto zero até chegar ao cliente com impacto zero para o clima", perspetiva Miguel Pinto. Reconhece que não será fácil, mas reforça o compromisso de lá chegar.

Para lá da venda de automóveis

À medida que os veículos elétricos se tornam mais tecnológicos e exigem menos manutenção do que os automóveis a combustão, as marcas começam a apostar na venda de serviços associados. "O futuro passa não só por vender um automóvel, como também vender um pacote de serviços", confirma o diretor de marketing da Porsche Ibérica. Desde parques de estacionamento e pontos de carregamento a aplicações com ofertas à medida do cliente, é grande o leque de oportunidades para a indústria.

A experiência do consumidor será também cada vez mais relevante na relação deste com a marca. E também aqui há mudanças assinaláveis, nomeadamente no momento da compra. "Não temos concessionários", indica o diretor da Polestar, que fala numa interação "figital" (física e digital) com os clientes. O processo de compra de um automóvel desta empresa - que está presente fisicamente na rede de serviço pós-venda da Volvo - é concretizado através do site oficial, ainda que Miguel Pinto anuncie que irão existir, em breve, dois espaços físicos onde será possível ver e tocar nos automóveis. O Polestar 2, com valores a começar nos 49 mil euros, pode ainda ser adquirido na nova secção de novos do Standvirtual, acrescenta Nuno Castel-Branco.

Dificuldades estão para durar

As consequências da Covid-19 na produção estão, no caso da indústria automóvel, a agravar-se com a situação de guerra vivida na Ucrânia. No caso da Porsche, que anunciou a saída dos mercados russo e ucraniano, registaram-se problemas com "fornecedores de cablagens" que tornaram "muito complicado operar sem esses componentes". A perspetiva de crescimento do início do ano, que estimava um aumento de 12% a 15% no volume de negócios, está agora ameaçada pelo contexto internacional, lamenta Nuno Costa. A crise dos semicondutores e a política de covid zero na China não ajudam, acrescenta Miguel Pinto. "A política de covid zero fez com que há um mês a nossa fábrica na China parasse de produzir", diz, confirmando uma interrupção da produção de três semanas. Ainda assim, garante o responsável da Polestar, a entrega dos veículos em Portugal mantém-se prevista para o prazo original. "Conseguimos entregar carros a partir de outubro, mas não vamos conseguir entregar tantos como tínhamos planeado até dezembro", afirma.

Todos os meses, a TSF, o Dinheiro Vivo e o Standvirtual juntam-se para um novo episódio do Barómetro Automóvel, um espaço que privilegia a análise do setor, o esclarecimento de dúvidas e o debate sobre o futuro da indústria.

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