42 Lisboa: "Abre-me mais portas e dá-me mais experiências do que qualquer curso de faculdade"

Escola de programação, apoiada pelo Santander Universidades, recebe alunos do secundário este sábado para dar a conhecer método de ensino diferente e área de estudo que garante empregabilidade

A programação é para todos. Pelo menos, é isso que a escola 42 Lisboa acredita, estando há um ano a formar novos programadores vindos de todas as áreas e sem conhecimentos prévios da matéria. Para se apresentar ao maior número de candidatos possível, a 42 Lisboa abre de novo as portas este sábado, 29 de maio, aos finalistas do secundário, seus pais e professores. O objetivo é dar a conhecer o seu modelo de ensino inédito: sem horários, sem professores e gratuito (graças a mecenas como o Santander Universidades). É esta a experiência que será transmitida aos visitantes por alguns dos atuais alunos da 42. Quatro deles falaram ao Dinheiro Vivo e são unânimes em aconselhar a escola aos seus potenciais novos colegas.

Maria Sottomayor, com 20 anos, já frequentava o 2º ano do curso de Informática e Gestão quando descobriu, "por acaso", a 42 Lisboa. Procurava algo que lhe ocupasse um pouco mais o tempo deixado livre pelo horário menos pesado do ensino à distância da faculdade.

"Acabei por perceber que isto [a 42 Lisboa], de certa maneira, abre-me mais portas e dá-me mais experiências do que qualquer curso de faculdade e que me ensina a trabalhar de uma maneira diferente, que eu acho que é muito mais precisa hoje em dia do que estar a estudar", disse Maria Sottomayor.

Este sábado, além dos seus próprios alunos, pelos corredores e salas da 42 Lisboa vão também andar estudantes mais novos do secundário que queiram conhecer a escola e perceber afinal o que tem de tão especial. Para isso, basta inscreverem-se online no evento de visita ao campus 42.

Reconhecida pela plataforma de programadores CodinGame como a Escola de Programação Nº 1 do Mundo, a 42 pertence a uma rede com mais de 30 instituições em 21 países e não é uma escola tradicional: tem um ensino inovador, sem professores e responde à grande procura do mercado por programadores. Razão que leva o Santander Universidades, parceiro-fundador da 42 Lisboa, a afirmar que o curso, gratuito e com a duração máxima de cinco anos - mas que, em média, os alunos completam no espaço de entre um e três anos -, "não é equiparado a uma licenciatura, um mestrado, ou a qualquer grau académico, mas a empregabilidade é garantida".

É também por isto, que Maria Sottomayor -- que acabou por congelar a sua matrícula na faculdade e tenciona já só concluir um curso de Gestão, deixando cair a Informática -- aconselha: "Eu diria para tentarem pelo menos fazer a 'Piscina'. Porque, neste tipo de ensino, eles avisam logo que não é feito para toda a gente, mas pelo menos a experiência de fazer um mês intensivo para ver se se entra acho que já é suficiente para uma pessoa também perceber se quer isto ou não".

Refere-se a jovem futura programadora à segunda fase de candidatura à 42: a primeira são dois jogos de lógica, de 10 minutos e duas horas, respetivamente, resolvidos online. A "Piscine", assim batizada pelo fundador francês da 42 - Xavier Niel, patrão da operadora móvel francesa Iliad e fundador do campus incubador de start-ups Station F - é uma espécie de campo de treino (boot camp) intensivo, com os alunos a resolverem exercícios, presencialmente na escola, durante 26 dias.

"Uma coisa que eu reparei, pelo menos, nos meus 26 dias intensivos para entrar foi que, quer a pessoa tenha entrado ou não, ninguém estava arrependido", rematou Maria.

Já Gustavo Jacobson, de 19 anos, hoje aluno da 42 Lisboa, mas que em junho de 2020 estava convencido de que iria tirar o curso de Marketing e Publicidade, aconselha aos estudantes do secundário: "Que venham com a mente aberta, porque realmente é uma escola bastante diferente daquilo a que estamos habituados no ensino".

Para o jovem que cresceu na Ericeira, a 42 Lisboa vale a pena, primeiro que tudo, por ser uma escola "bastante inovadora". Depois, "o facto de não ter propinas e ser completamente gratuita também ajuda, além de que é uma escola que acaba muito com os rótulos que se vê nas outras", garante. Gustavo refere que na 42 não se assiste ao fenómeno da formação de grupos e de pessoas excluídas dos mesmos. "É uma escola bastante unida e fiquei muito impressionado, sendo o primeiro ano em que está aberta, com a rápida e grande união que verifiquei e que presencio todos os dias aqui na 42", concluiu.

A inclusividade da 42 Lisboa é outro dos fatores que vão ao encontro da estratégia do seu parceiro-fundador Santander Universidades. "De forma a oferecer uma oportunidade justa e inclusiva, [a 42 Lisboa] não exige qualquer tipo de background académico e tem um modelo pedagógico inovador: sem o formato tradicional de aulas e sem horários, está aberta 24 horas, 7 dias por semana, promovendo uma aprendizagem project-based e peer-to-peer", sublinha em comunicado.

O único requisito imposto é que os candidatos tenham 18 anos ou o 12º ano concluído, para garantir que a 42 não está a retirar alunos à escolaridade obrigatória. Fora isto, todos os candidatos são bem-vindos, o que propicia uma grande variedade de perfis: os alunos 42 vêm das mais diversas áreas e fases da vida académica e profissional - vão deste estudantes, a licenciados e a pessoas já a exercer uma profissão - e apresentam um leque de idades que vão dos 17 aos 55 anos (o que lhes confere uma idade média de 26 anos).

"Tenho colegas aqui que são de diversas áreas: tenho amigos da área financeira, da área da hotelaria, da área da programação também... Então eu aqui conheço pessoas de todas as idades, de todas as áreas e, socialmente, isso é muito rico", salienta Eduardo Martinez, 17 anos, nascido no Paraná (Brasil), mas há dois anos a viver em Portugal.

Eduardo soube logo desde os 12 anos que queria fazer programação e, quando começou a aproximar-se o fim do ensino secundário, lançou-se em busca de uma faculdade que respondesse às suas ambições. Encontrou a 42 Lisboa. E além do conhecimento técnico que está a acumular, prontamente admite que, com os seus 17 anos, está já a apurar as suas soft skills, graças à grande diversidade de idades, experiências e personalidades que encontra nos colegas com quem tem de trabalhar em equipa.

"O que acontece é que nós somos todos muito diferentes, de sítios completamente diferentes, idades muito diferentes, no entanto, nota-se que há muito respeito entre nós, ninguém se julga, estamos todos pelo mesmo", conta por sua vez Inês Sousa. Com 23 anos, Inês está já no mercado de trabalho - é gestora clínica e já passou pela universidade. Hoje aluna da 42 Lisboa, garante que aprendeu em duas semanas na 42 Lisboa mais do que em seis meses na faculdade.

Tal como Inês, também Eduardo Martinez sublinha: "A 42 Lisboa vale a pena porque é um método de ensino revolucionário, é muito moderno e prepara-te para o mercado e até para outras áreas, ensina-te a aprender", afirma. Esta é, aliás, uma das máximas da 42 Lisboa: proporcionar conhecimentos técnicos, competências sociais e pôr os alunos a aprenderem a aprender.

"O conhecimento que você adquire aqui, você lembra", afirma Eduardo Martinez, descrevendo que este é obtido com base em pesquisas, com os estudantes "indo atrás dele, buscando o conhecimento e não apenas recebendo a informação".

Inês Sousa chama a este método de ensino "pôr a mão na massa". "Porque o facto de não termos professores e ser-nos dado um projeto que consiste em: temos um objetivo para conquistar e, para lá chegar, isso faz com que sejamos obrigados a aprender, mas ao mesmo tempo estamos a pôr as mãos na massa, a fazer as coisas, e isso facilita imenso a aprendizagem."

Aos visitantes do ensino secundário que neste sábado irão à 42 Lisboa e a todos os finalistas daquela fase do ensino, diz Eduardo Martinez "para irem atrás do que acreditam, do que gostam, e aprenderem e dedicarem tempo a isso". "Porque quando você gosta da área em que você trabalha e estuda, não é obrigação, acaba sendo um prazer estudar e trabalhar", garante o jovem.

"Se gostam, se é uma área que interessa eu aconselho a virem experimentar", diz também Inês Sousa. "Vão passar pela fase da Piscina, em que vão experimentar o que é este método de ensino e, lá está, estão completamente à vontade para decidirem por eles se é uma coisa que querem ou não."

Um método de ensino sem espartilhos horários, sem aulas, com os alunos a gerirem o seu tempo e a poderem fazer intervalos de chill-out, se necessário, no lounge da 42, que oferece jogos de tabuleiro, pingue-pongue, um piano - onde há alunos que se entretêm a tocar, de vez em quando - e algum equipamento de exercício físico.

A importância do coding ou programação

"É uma área que está constantemente a crescer e isso não vai mudar", sublinha Inês Sousa.

De facto, a vertente digital das empresas está cada vez mais presente: são poucas as que não precisam de sites próprios, apps e outras ferramentas digitais, que têm de ser criados por quem sabe programação.

Além disso, "é uma área também muito bem paga, onde a aceitação é incrível, bem como a liberdade, a nível de horários, de trabalharmos onde queremos", refere também Inês Sousa.

"A programação neste momento está em tudo", afirma Gustavo Jacobson, contando que não conhecia nada de programação e que a primeira vez que com ela contactou foi na 42, durante a Piscine. Hoje é perentório: "Realmente não só gostei como também entendo que é o futuro de tudo. Aliás, sei de muita gente aqui na escola que está a tirar este curso porque acredita que o seu próprio emprego, a sua própria área, vai mais tarde passar pela programação e, portanto, querem entender um pouco mais sobre esta vertente que está neste momento a ser incluída em tudo o que temos à nossa volta".

Também Maria Sottomayor garante que "cada vez vai ser mais preciso juntar a tecnologia com qualquer outra área" e que "para qualquer área é bom ter isso como complemento". "Acho que é o que as pessoas que estão aqui percebem muito bem, porque temos uma variedade de pessoas que já têm uma licenciatura em coisas muito variadas e todas elas dizem que gostavam de complementar aquilo que fazem com tecnologia e que iam ganhar e beneficiar imenso com isso tanto na sua vida profissional, como pessoal", concluiu Maria.

Diz a 42 Lisboa que, desde julho de 2020, recebeu cerca de 13.000 candidaturas. Destas, cerca de metade desistiu logo nos jogos online e, dos que os concluíram, apenas 30% passaram. "450 já mergulharam numa das três 'Piscines' que decorreram entre novembro e janeiro, sendo que um número equivalente irá fazer o mesmo entre julho e setembro", informa a 42 Lisboa.

Entretanto, as candidaturas online estão sempre abertas, no site próprio da 42 Lisboa.

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