EIA volta em formato virtual: "É o maior programa de empreendedorismo digital do mundo"

Programa de aceleração vai decorrer online entre 5 e 23 de julho e as inscrições estão abertas até a 7 de junho. O Santander Universidades oferece 168 Bolsas EIA a estudantes portugueses.

A European Innovation Academy (EIA) vai regressar este ano, em formato virtual devido à pandemia, e prepara-se para "formar" mais três centenas e meia de jovens empreendedores. As inscrições abriram esta quarta-feira, 12 de maio, e só terminam a 7 de junho. O Santander Universidades, parceiro e copatrocinador da iniciativa em Portugal, oferece aos estudantes portugueses 168 bolsas para financiarem a sua participação. A concorrência às 350 vagas da EIA 2021 vem de todo o globo e são muitos os interessados, ou não seja este "o maior programa de empreendedorismo digital do mundo inteiro", como afirma a representante da EIA em Portugal.

O objetivo da EIA é simples: ensinar a criar start-ups tecnológicas que venham a ser futuras líderes de mercado. E fá-lo formando equipas de estudantes universitários das mais variadas nacionalidades, que recebem um curso intensivo de empreendedorismo e inovação digital num ecossistema verdadeiramente internacional, composto por formadores, mentores e responsáveis de empresas de capital de risco - tudo "gente" com vários anos de experiência e sucesso comprovados no terreno.

"A EIA é o maior programa de empreendedorismo digital do mundo inteiro", garante Susana Fonseca, representante da EIA em Portugal (ou, mais concretamente, Head of Portuguese Relations da EIA). "Tem uma duração de três semanas e permite aos participantes criarem a sua start-up com o apoio e mentoria de profissionais experientes de Silicon Valley", diz.

Para Portugal, esta é já a 4ª edição da EIA (seria a 5ª, não fosse o hiato a que obrigou a pandemia de Covid-19 em 2020), que chegou cá pela mão de vários parceiros cruciais, entre os quais o Santander Universidades. Este ano, este programa de mecenato universitário vai financiar a participação de 168 estudantes portugueses na EIA 2021.

As bolsas serão distribuídas pelas 21 instituições do ensino superior que pertencem à rede Santander Universidades e que participam na EIA. Mas 20 delas serão disponibilizadas para alunos da comunidade académica portuguesa em geral, ou seja, das universidades e institutos que não têm convénio com o Santander Universidades. O prazo de inscrições já está a correr e as candidaturas terão de ser apresentadas online, na plataforma de Bolsas Santander.

Para quem não queira estar dependente da seleção para uma bolsa (e possa pagar a inscrição e o curso), a candidatura pode ser feita diretamente no site da EIA, em www.inacademy.eu/global/, bastando para isso fazer scroll até ao fim da página e pedir "mais informações", o que dá acesso ao formulário de inscrição.

A mais-valia da imitação

Mas afinal o que traz a EIA de tão excecional aos seus participantes? A sua representante em Portugal começa por dizer que, acima de tudo, esta é para muitos (senão todos) a sua primeira experiência com o mundo do empreendedorismo. Mas depois, "é uma experiência real, porque imita todo o processo de criação de uma start-up, difere dos [outros] programas por ser experimental e acaba por promover o contacto com diversas nacionalidades e diversas áreas de formação", frisa Susana Fonseca.

Portanto, além da abordagem hands-on, de aprenderem fazendo, os participantes têm ainda "uma experiência interdisciplinar e multicultural que acaba por não acontecer nas universidades", salienta a responsável. "Obviamente que depois todo o contacto com os profissionais experientes, com valor já provado no mercado, em Silicon Valley, acaba por ser uma coisa que normalmente não têm em mais lado nenhum. Portanto, é uma mais-valia, no fundo, e acabam sempre por colher algo de positivo nesta experiência, que levam para as suas vidas, quer profissionais, quer pessoais", explica Susana Fonseca.

Além disso, a responsável considera que, no atual contexto, a relevância de um programa como a EIA ficou mais do que comprovada. "A pandemia veio provar esta necessidade da digitalização - ela está presente na nossa vida quotidiana, mas não o suficiente nas indústrias", explica. "A inovação digital permite agilizar processos e isso é fundamental, sobretudo nas indústrias mais antigas e desatualizados. Portanto, a EIA vem permitir, de certa forma, a fabricação desta digitalização de setores e assim transformar a indústria."

Diz a representante da EIA em Portugal que, para a edição deste ano são esperados 350 participantes - bem aquém dos 600 que passaram pela EIA de Cascais 2019, mas a logística do novo formato obriga à contenção - e 50 mentores. Representadas na EIA estarão 60 nacionalidades diferentes, sendo que a expectativa é que os portugueses sejam 150.

"Esperamos cumprir esse objetivo - seria o ano em que mais portugueses iriam participar, nesta edição", diz Susana Fonseca. Uma meta que a organização considera bastante positiva, "porque o interesse por parte dos estudantes portugueses tem crescido todos os anos".

Também o Santander Universidades e o banco a que pertence têm noção da importância da digitalização. "A inovação digital é transversal a toda a sociedade e está a alterar radicalmente a forma como estudamos, como ensinamos, como vendemos e compramos, como vivemos os nossos tempos livres e como nos relacionamos uns com os outros", foi afirmado em comunicado.

Por isso, o banco diz que, enquanto organização socialmente responsável, quer estar no centro desta transformação e incentivar os seus parceiros, quer sejam Instituições de ensino superior, clientes empresariais ou estudantes universitários, a percorrerem este caminho.

Uma "EIA portuguesa" online

O habitual era a edição "portuguesa" da EIA realizar-se em Cascais - foi assim a partir de 2017, quando cá teve início. Desta vez, por força das circunstâncias pandémicas, mas também a condizer com a crescente preponderância do digital no mundo, a European Innovation Academy decorre noutros moldes.

"Este ano o programa vai ser online e fizemos umas pequenas alterações", avançou Susana Fonseca. "Em vez de ter palestras, criámos - já está criada - uma série com treze episódios. É através desta série que nós vamos criar um engagement por parte dos participantes. E é através dessa série que eles vão receber todo o conhecimento e também todas as tarefas que vão ter de desenvolver ao longo do programa", explicou.

Já a parte das mentorias, ainda que virtuais, vão decorrer em tempo real, diz a representante da EIA, sublinhando que já era o que acontecia antes, no programa presencial, e que isso vai manter-se. "E depois toda a parte de trabalho em equipa será desenvolvida também numa plataforma que nós próprios criámos internamente e onde todos os participantes vão ter acesso, no fundo, a todo o conteúdo do programa", contou Susana Fonseca.

Das edições anteriores, o feedback dos participantes na "EIA portuguesa" não podia ser melhor. "Numa avaliação de 1 a 5, temos uma avaliação de 4.8 por parte dos participantes - nós fazemos questão de avaliar o grau de satisfação", diz a responsável.

Em conversas menos lacónicas do que uma simples classificação numérica, o que os estudantes sobretudo salientam é a forma como o empreendedorismo é abordado. "Dizem que é uma experiência que permite criar oportunidades profissionais e usar o mindset de empreendedores na sua própria vida profissional, que não tem de ser necessariamente a de um empreendedor. E isto é algo bastante positivo, porque profissionalmente acabam por ser pessoas que acrescentam valor às empresas", conclui Susana Fonseca.

A EIA 2021 vai decorrer online durante três semanas de trabalho intensivo: de 5 a 23 de julho, com o intervalo dos fins-de-semana. As sessões online em tempo real vão decorrer a partir da Universidade de Berkeley, em São Francisco, da Google e de outras empresas de Silicon Valley, entre as oito da manhã e o meio-dia, o que significa que para os participantes portugueses as "aulas" e trabalhos EIA decorrerão entre as 16h e as 20h.

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