Aos 731 anos, Universidade de Coimbra comemora aniversário virtual

A Semana Cultural UC que assinala a efeméride começa a 1 de março e termina a 15. Cerca de 30 espetáculos e atividades gratuitos estão este ano disponíveis ao país inteiro

Os residentes locais dizem, por graça, que "é uma semana que vale por duas". A Semana Cultural da Universidade de Coimbra está prestes a começar, dura de 1 a 15 de março e põe à disposição do público mais de 30 atividades que vão do teatro, ao cinema, a concertos, exposições e muito mais. Realizada com o patrocínio do Santander Universidades, a iniciativa que marca mais um aniversário desta ancestral universidade portuguesa, o seu 731º, decorre este ano, pela primeira vez, exclusivamente online.

Com a pandemia a levar os portugueses ao confinamento, os tempos não estão de feição para espetáculos e atividades culturais. Mas tal conjuntura pode ter dificultado a realização da 23ª edição da Semana Cultural da Universidade de Coimbra, mas estimulou também à mudança e inovação.

"A suspensão da atividade cultural seria a opção mais fácil: foi tomada por muitas entidades, certamente por boas razões", comentou Delfim Leão, vice-reitor da Universidade de Coimbra para a Cultura e Ciência Aberta. "No caso da Universidade de Coimbra e da Reitoria, a opção já no ano passado foi de manter intocada toda a programação cultural, obviamente que adaptando-a àquilo que são as circunstâncias", continuou o professor.

Delfim Leão contou como, há uns meses, se acalentava na U.Coimbra a expectativa de que esta Semana Cultural pudesse já decorrer com algum retorno à normalidade. "Infelizmente não foi possível, mas quando ficou claro isso não desistimos, bem pelo contrário", garantiu. Após um ano de experiência pandémica - que levou, aliás, a que a Semana Cultural de 2020 fosse cortada a meio pelo primeiro confinamento -, diz o professor que foram todos aprendendo, na UC e nos grupos e parceiros culturais, a fazer este processo de adaptação.

Passados mais de sete séculos de história, a Universidade de Coimbra comemora este ano o seu aniversário em formato virtual. "Trabalhámos intensamente com eles [os grupos e parceiros culturais] para que as cerca de três dezenas de atividades propostas fossem todas migradas para o online", contou Delfim Leão.

"Naturalmente que o próprio processo de migração para o online serviu, também ele, de estímulo a uma nova forma de encarar a cultura e o processo de criação artística. Neste sentido, sendo claramente uma dificuldade, também é um estímulo para que nos transformemos e cheguemos às pessoas de formas diferenciadas", explicou o vice-reitor.

E a forma que a Semana Cultural UC 2021 encontrou para chegar às pessoas, na era digital, não podia ser mais fácil. A U.Coimbra tem uma página na internet dedicada ao evento, onde está disponível o programa integral da iniciativa. Este está organizado por secções ou tipos de atividades culturais.

"Clicando aí, as pessoas interessadas, portanto, os potenciais espetadores têm a indicação sobre o dia exato, a hora em que o espetáculo será apresentado, ou a performance, ou enfim a inauguração. À hora, será apresentado em primeira mão o conteúdo" descreveu o professor Delfim Leão.

O novo formato acarreta duas vantagens: por um lado, não é necessária uma presença física em Coimbra para assistir e todos os espetáculos e atividades ficam ao dispor de Portugal inteiro; por outro, toda a programação é gratuita. "De resto, a prática da semana cultural já favorecia isso: havia alguns espetáculos que eram pagos, até porque implicavam um custo maior", refere o vice-reitor. Ora, com as produções para emissão online a serem mais contidas e, consequentemente, menos dispendiosas, o resultado é o livre acesso a todas elas.

"Portanto, quem entre na hora prevista, ou até durante o processo, tem um acesso imediato, sem limites a toda a programação", frisou o responsável universitário. "É uma atividade inteiramente financiada pela reitoria e pelo nosso parceiro de organização, que é o Santander Universidades. E, portanto, ela é oferecida, realmente, a toda a população que queira dela beneficiar", concluiu.

Um elo com a sociedade

"A Semana Cultural, que decorre entre 1 e 15 de março, é a melhor forma de nós honrarmos aquilo que a universidade representa e a sua ligação à sociedade, enfim, aquilo que dá de mais válido a todos aqueles com quem se relaciona", afirmou o vice-reitor Delfim Leão.

Mas porquê uma semana cultural e não uma de desporto - afinal, não é à toa que o mundo académico tão profusamente tem adotado por mote a citação latina "mens sana in corpore sano" - ou de olimpíadas do conhecimento, por exemplo?

"Precisamente porque a cultura serve de elo de ligação a toda a atividade que se faz na universidade. A universidade é dedicada, antes de mais ao ensino, à investigação, mas a cultura é o elo transversal que todos agrega", explica o professor que assume na reitoria da UC a pasta da Cultura. "Por esta razão, as várias atividades que são apresentadas [na Semana Cultural UC] são esse elo, são o que espelha a ligação entre toda Universidade de Coimbra e a 'marca' da sua própria perenidade", concluiu Delfim Leão.

Na segunda-feira, a vertente cultural das comemorações do 731º aniversário desta "casa" será inaugurada com o já tradicional concerto da Orquestra Académica da Universidade de Coimbra - desta vez, na sua versão reduzida só com instrumentos de corda. E os restantes artistas e espetáculos são mesmo todos protagonizados por estudantes de Coimbra?

"Uma das preocupações que a Semana Cultural tem é mostrar, precisamente, a ligação da Universidade à sua comunidade. E, nesse sentido, sim, vários dos grupos representados são ligados à academia", explicou o vice-reitor com a pasta da Cultura. Mas, continuou o responsável universitário, o que se pretende também é demonstrar a ligação da U.Coimbra "à cidade, à região, ao país e, até, em circunstâncias mais [vastas], ao nível internacional. O que significa que nós temos uma grande representação de artistas que correspondem a estes vários perfis: grupos estudantis, grupos culturais da cidade, da região e de fora dela".

Candidaturas cresceram 100%

Para um espetáculo ou artista figurar no programa da Semana Cultural UC tem de passar por um processo de candidatura. Este ano os interessados duplicaram.

"A decisão sobre o programa é feita por candidaturas competitivas, chamemos-lhe assim, que cresceram, de resto, em relação ao ano passado praticamente 100%, o que demonstra de facto uma grande vontade de aparecer, de ser envolvido na atividade cultural", sublinhou o vice-reitor.

Delfim Leão contou que as candidaturas ultrapassaram as seis dezenas. Depois, forma sujeitas a um processo de avaliação, de acordo com a sua natureza, com a sua dimensão e com a sua maior convergência com os objetivos da Semana Cultural, cujo tema, em 2021, é render homenagem à Humanidade. (Veja o vídeo abaixo).

"Por esta via, se chegou a este número que é apresentado, que é muito consistente e que cobre, enfim, um conjunto de oito áreas de atuação, que nos parece muito ilustrativo daquilo que é a riqueza da atuação cultural na universidade", frisou Delfim Leão.

E como é que todo o empreendimento é concretizado?

Segundo explica o responsável, aos candidatos eleitos é atribuído um financiamento direto para a realização do seu espetáculo ou mostra, que é pago pela reitoria, com o apoio do Santander Universidades. "Portanto, o financiamento do Santander entra naquilo que é a atividade mecenática global à Universidade de Coimbra e, sendo o mecenas de referência, naturalmente esse apoio reflete-se depois em atividades de várias dimensões", esclareceu. "A cultura entra, obviamente, dentro dessas áreas de atuação", concluiu Delfim Leão.

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