Barco solar de corridas do IST testa velocidade no sábado entre Lisboa e Cascais

A Odisseia 2020 é composta por quatro travessias de Norte a Sul do país. Depois do Porto e de Lisboa, vai passar por Setúbal e Lagos.

O Técnico Solar Boat, barco de corrida do IST movido a energia solar, cujo projeto é apoiado pelo Santander Universidades, faz-se à agua este sábado às 10h da manhã na Marina de Algés para testar de novo a sua resistência e velocidade. A grande novidade do SR (São Rafael) 02 este ano é a introdução de hydrofoils, as “pernas altas” – ou asas, como tecnicamente se chamam – que lhe permitem velocidades muito mais elevadas, podendo mesmo vir a chegar aos 60 km/h, se usados os dois motores.

“Este ano, dada a pandemia da Covid, não houve competições internacionais. Como forma de exposição dos nossos patrocinadores e também para mostrarmos o trabalho feito ao longo do ano, quisemos fazer este evento, chamado Odisseia, que são várias travessias pelo país: ao todo quatro”, explicou João Novo, líder de equipa, com 21 anos e estudante do 4.º ano de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores.

"Os hydrofoils foram sempre uma ideia presente, mesmo quando se criou o primeiro projeto, o SR 01, que foi pensado para os ter. Chegaram a ser fabricados, mas nunca foram sequer montados e a viabilidade de funcionarem era pouquíssima", relata o líder da equipa. "Com o SR 02 conseguimos fazê-lo e eles conferem-nos uma grande vantagem na competição, já que conseguimos ser muito mais eficientes do que outrora, em que tínhamos um casco para criar resistência na água", explicou.

No ano passado, ainda sem hydrofoils e, portanto, com toda a resistência provocada pelo casco na água, o SR 02 sagrou-se vice-campeão da 6ª edição do Monaco Solar & Energy Boat Challenge. Este ano, a equipa esperava uma excelente prestação, mas a pandemia obrigou a novos planos.

Naquela que é já a 2ª travessia do Odisseia 2020 do projeto Técnico Solar Boat, o SR 02 vai partir de Algés, vogar até ao Terreiro do Paço (Praça do Comércio) e depois voltar atrás e seguir até à Marina de Cascais, onde deverá terminar por volta das 15h30. Ao todo, será coberta uma distância de 19 milhas náuticas, por rio e mar.

“Até ao momento só um dos motores é que foi testado em funcionamento com os hydrofoils”, conta João Novo, revelando que ainda há uns quantos problemas a resolver para poder ser usado este sistema de sustentação com ambos os motores. Algo em cuja solução a equipa está a trabalhar ativamente. Mesmo assim, “até à data, chegámos aos 32 km/h com um motor. Com os dois, esperamos chegar aos 60 km/h ou aos 50 e muitos. Sem os hydrofoils, estávamos a conseguir 22 km/h com ambos os motores – a diferença é brutal”, avançou João Novo.

Um dos desafios deste sábado será, assim, superar o recorde dos 32 km/h obtidos na travessia do Porto, com apenas um motor, e ultrapassar os 10 minutos de voo, isto é, em que o SR 02 esteve sempre elevado acima da água, até agora o mais longo já conseguido.

Depois da prova de sábado e ao longo de todo o domingo, 6 de setembro, o SR 02 vai estar fora de água em exposição, na Marina de Cascais. Isto porque o Técnico Solar Boat visa não apenas promover o projeto, em si, como também as energias renováveis, a sustentabilidade e a mobilidade elétrica junto da comunidade.

Algo que tem conseguido plenamente. “Quando metemos o barco na água, o que chama logo a atenção são os painéis solares, porque as pessoas são muito curiosas quanto a esta nova tecnologia e até querem saber se podem implementar o mesmo sistema em autocaravanas ou em casas”, conta João novo. “É super-normal estarmos a pôr o barco na água e as pessoas virem ter connosco a fazer perguntas”, conclui.

Como se lê no site do IST, e os membros da equipa referem amiúde, "o Técnico Solar Boat é um projeto universitário, constituído por estudantes do Instituto Superior Técnico, de diferentes áreas de engenharia, que trabalham no desenvolvimento de uma embarcação tripulada movida exclusivamente a energia solar". Este ano, a equipa é composta por 42 pessoas, refere João Novo.

Quanto ao São Rafael, ou SR, foi criado há 5 anos, compete há 4, desde então não tem parado de evoluir e, como sublinha João Novo, a equipa do IST "é a única na Península Ibérica com um protótipo movido a energia solar".

 

 

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